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Publicado el 19 de junio de 2026

Saúde

OMS publica diretrizes inéditas para manejo clínico de Ebola e Doença de Marburg

Novas recomendações enfatizam cuidado de suporte precoce como principal estratégia para reduzir a mortalidade em surtos de filovírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou suas primeiras diretrizes abrangentes para o manejo clínico das doenças por filovírus, incluindo Ebola e Marburg, em meio ao atual surto do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo. O documento traz 16 recomendações baseadas em evidências, com foco na melhoria da sobrevida por meio de cuidados de suporte precoces e qualificados.

As infecções por filovírus são graves e podem alcançar taxas de letalidade entre 25% e 90% nos surtos mais severos. Desde a identificação do vírus Marburg, em 1967, já foram registrados 72 surtos na África, frequentemente acompanhados de impactos sociais, econômicos e psicológicos significativos. Diante da ausência de vacinas e tratamentos amplamente licenciados para algumas variantes, como Marburg, Bundibugyo e Sudan, o cuidado de suporte segue como a principal estratégia terapêutica.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, as novas diretrizes reforçam a importância de uma abordagem assistencial integral e centrada no paciente, especialmente em contextos de emergência sanitária.

Elaboradas com base em evidências recentes e na experiência acumulada em surtos anteriores, as recomendações têm como objetivo orientar profissionais de saúde na linha de frente, além de apoiar gestores e formuladores de políticas na preparação e resposta a epidemias. O documento também busca padronizar condutas clínicas e fortalecer a organização dos serviços de saúde.

Entre os principais pontos destacados estão:

  • Monitoramento clínico com exames laboratoriais prioritários para identificação precoce de complicações tratáveis;
  • Tratamento rápido da desidratação, com uso adequado de reidratação oral e intravenosa;
  • Manejo precoce do choque com fluidos e medicamentos vasoativos, guiado por monitoramento contínuo;
  • Identificação e tratamento de infecções bacterianas associadas, como sepse;
  • Acompanhamento estruturado de pacientes recuperados, visando a reabilitação e a prevenção de novas infecções.

A OMS enfatizou que o reconhecimento precoce dos casos, o encaminhamento rápido e o suporte clínico otimizado são fundamentais para reduzir complicações e mortalidade. Além disso, esses cuidados constituem a base para o avanço de pesquisas clínicas e o desenvolvimento de novas terapias.