Tecnología

Publicado el 19 de junio de 2026

Tecnologia

Milhões de americanos consultam a IA antes, depois e, às vezes, no lugar de uma consulta médica

Mais da metade dos usuários recentes de IA afirmou pesquisar questões de saúde antes ou depois de consultar um médico, embora a maioria ainda prefira conversar com um profissional de saúde quando se trata de assuntos sensíveis.

Um em cada quatro adultos nos Estados Unidos, equivalente a mais de 66 milhões de pessoas, relatou já ter utilizado ferramentas de inteligência artificial ou chatbots para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde física ou mental, de acordo com uma nova pesquisa divulgada hoje pelo West Health-Gallup Center on Healthcare in America.

Em vez de substituir o atendimento tradicional, mais da metade dos entrevistados afirmou recorrer à inteligência artificial (IA) para complementar sua experiência de cuidados com a saúde, utilizando a tecnologia antes ou depois de uma consulta médica.

Esses resultados foram baseadas em uma pesquisa nacionalmente representativa com mais de 5.500 adultos norte-americanos, realizada entre outubro e dezembro de 2025.

Os pesquisadores questionaram: “Nos últimos 30 dias, você utilizou uma ferramenta de IA ou chatbot para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde por algum dos seguintes motivos?”

 

Tabela 1: Porcentagem de participantes que responderam “Sim”, entre os adultos que utilizaram ferramentas de IA ou chatbots para informações ou aconselhamento relacionados à saúde nos últimos 30 dias.

Entre os americanos que utilizaram IA para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde nos últimos 30 dias, os motivos mais frequentemente citados foram o desejo de obter respostas rapidamente (71%) e de acessar informações adicionais (71%). Quase sete em cada dez (67%) afirmaram que recorreram à IA por curiosidade para saber o que ela responderia, enquanto cerca de seis em cada dez relataram ter utilizado a tecnologia para pesquisar por conta própria antes (59%) ou depois (56%) de consultar um médico.

Independentemente do motivo, quase metade (46%) dos americanos que utilizaram IA para informações relacionadas à saúde afirmou que a ferramenta de IA ou o chatbot os fez sentir mais confiantes para conversar com um profissional de saúde ou fazer perguntas durante a consulta. Outros relataram que a IA os ajudou a identificar problemas mais precocemente (22%) ou a evitar exames e procedimentos médicos desnecessários (19%).

A IA está transformando a forma como os americanos buscam informações sobre saúde, tomam decisões e interagem com profissionais de saúde, e os sistemas de saúde precisam acompanhar esse ritmo. O risco não é que essa tecnologia esteja avançando rápido demais, mas sim que os sistemas de saúde avancem lentamente demais para orientar seu uso de forma responsável na assistência à saúde.

Uma parcela menor recorre à IA em vez de consultar um profissional de saúde

Embora a pesquisa autônoma seja o principal motivo para o uso de IA em questões de saúde, uma parcela menor, mas significativa, dos usuários relatou recorrer à IA em vez de consultar um profissional de saúde, especialmente quando enfrenta barreiras relacionadas a custos, acesso ou qualidade do atendimento.

Entre os usuários que utilizaram IA para questões de saúde recentemente:

·       27% afirmaram que não queriam pagar por uma consulta médica;

·       14% disseram que não tinham condições de pagar pela consulta;

·       21% relataram que não tinham tempo para marcar uma consulta;

·       16% afirmaram que não conseguiram acessar um médico ou outro profissional de saúde;

·       21% disseram que já se sentiram desconsiderados ou ignorados por um profissional de saúde em experiências anteriores;

·       18% relataram que sentiram vergonha de conversar com uma pessoa sobre o assunto.

Entre os usuários recentes de IA para questões de saúde, 84% ainda consultaram um profissional de saúde, mas 14% relataram não ter procurado um profissional que, de outra forma, teriam consultado devido às informações ou orientações recebidas da IA. Quando esse percentual é projetado para toda a população adulta dos Estados Unidos, ele representa aproximadamente 14 milhões de americanos que deixariam de consultar um profissional de saúde após receber informações de saúde geradas por IA.

No entanto, a confiança nas informações geradas pela tecnologia permanece dividida. Entre aqueles que utilizaram esse tipo de recurso nos últimos 30 dias:

·       33% afirmaram confiar nas informações;

·       33% disseram não confiar nem desconfiar;

·       34% afirmaram desconfiar das informações.

Ainda assim, apenas 4% disseram confiar fortemente na precisão dessas informações, sugerindo que muitos americanos estão tomando decisões relacionadas à saúde com base em conteúdo gerado por IA sem plena confiança em sua exatidão.

Cerca de um em cada dez usuários (11%) que relataram ter utilizado IA para obter informações ou aconselhamento em saúde nos últimos 30 dias afirmou que a IA recomendou informações ou orientações que consideraram inseguras.

Esses dados indicam que, embora alguns americanos possam estar utilizando a inteligência artificial como substituta de uma consulta médica, muitos a veem como uma ferramenta complementar aos seus cuidados de saúde, ajudando-os a compreender sintomas que estejam sentindo e a esclarecer diagnósticos recebidos de seus médicos.

As motivações variam conforme idade e renda

Embora a busca por informações seja o principal motivo que leva os americanos a recorrerem à IA para fins de saúde, os padrões de uso variam de acordo com características demográficas.

Os adultos mais jovens têm maior probabilidade do que os mais velhos de utilizar a IA para pesquisas realizadas por conta própria. Entre aqueles com 18 a 29 anos, 69% afirmaram pesquisar informações antes de consultar um médico, em comparação com 43% daqueles com 65 anos ou mais.

As diferenças de renda são mais evidentes entre os motivos relacionados a barreiras de acesso. Entre os adultos com renda anual inferior a US$ 24 mil, 32% afirmaram ter utilizado IA porque não tinham condições de pagar por uma consulta médica. Entre aqueles com renda anual de US$ 180 mil ou mais, esse percentual caiu para apenas 2%.

Questões de saúde do dia a dia lideram os usos da IA

Os americanos que utilizaram IA para obter informações ou aconselhamento em saúde nos últimos 30 dias relataram, com maior frequência, o uso da tecnologia para buscar informações sobre questões cotidianas de saúde, incluindo:

·       Nutrição ou atividade física (59%);

·       Sintomas físicos (58%).

No entanto, o uso da IA vai além da simples avaliação de sintomas. Entre aqueles que utilizaram a tecnologia nos últimos 30 dias:

·       46% a utilizaram para compreender efeitos colaterais de medicamentos;

·       44% para interpretar informações médicas;

·       38% para pesquisar um diagnóstico ou condição médica específica;

·       24% para explorar questões relacionadas à saúde mental ou ao bem-estar emocional.

Metodologia

Os resultados são baseados em um estudo do Gallup Panel, realizado entre 27 de outubro e 22 de dezembro de 2025, com uma amostra de 5.660 adultos com 18 anos ou mais, participantes do Gallup Panel, um painel probabilístico e nacionalmente representativo da população adulta dos Estados Unidos.

A Gallup utiliza métodos de seleção aleatória para recrutar os participantes do painel, incluindo:

·       entrevistas telefônicas com discagem aleatória de números, abrangendo telefones fixos e celulares;

·       amostragem baseada em endereços.

Os participantes com acesso à internet responderam ao questionário online. Aqueles sem acesso receberam uma versão impressa do questionário para preenchimento e devolução pelo correio.

A amostra foi ponderada estatisticamente para refletir a composição demográfica da população adulta dos Estados Unidos, com base nos dados mais recentes da Current Population Survey (CPS).

Para os resultados baseados nessa amostra, a margem máxima de erro amostral é de ±2,1 pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%. As margens de erro são maiores para subamostras.

Além do erro amostral, a formulação das perguntas e as dificuldades práticas inerentes à realização de pesquisas podem introduzir erros e vieses nos resultados de pesquisas de opinião pública.