Um em cada quatro adultos nos Estados Unidos, equivalente a mais de 66 milhões de pessoas, relatou já ter utilizado ferramentas de inteligência artificial ou chatbots para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde física ou mental, de acordo com uma nova pesquisa divulgada hoje pelo West Health-Gallup Center on Healthcare in America.
Em vez de substituir o atendimento tradicional, mais da metade dos entrevistados afirmou recorrer à inteligência artificial (IA) para complementar sua experiência de cuidados com a saúde, utilizando a tecnologia antes ou depois de uma consulta médica.
Esses resultados foram baseadas em uma pesquisa nacionalmente representativa com mais de 5.500 adultos norte-americanos, realizada entre outubro e dezembro de 2025.
Os pesquisadores questionaram: “Nos últimos 30 dias, você utilizou uma ferramenta de IA ou chatbot para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde por algum dos seguintes motivos?”
Tabela 1: Porcentagem de participantes que responderam “Sim”, entre os adultos que utilizaram ferramentas de IA ou chatbots para informações ou aconselhamento relacionados à saúde nos últimos 30 dias.
Entre os americanos que utilizaram IA para obter informações ou aconselhamento relacionados à saúde nos últimos 30 dias, os motivos mais frequentemente citados foram o desejo de obter respostas rapidamente (71%) e de acessar informações adicionais (71%). Quase sete em cada dez (67%) afirmaram que recorreram à IA por curiosidade para saber o que ela responderia, enquanto cerca de seis em cada dez relataram ter utilizado a tecnologia para pesquisar por conta própria antes (59%) ou depois (56%) de consultar um médico.
Independentemente do motivo, quase metade (46%) dos americanos que utilizaram IA para informações relacionadas à saúde afirmou que a ferramenta de IA ou o chatbot os fez sentir mais confiantes para conversar com um profissional de saúde ou fazer perguntas durante a consulta. Outros relataram que a IA os ajudou a identificar problemas mais precocemente (22%) ou a evitar exames e procedimentos médicos desnecessários (19%).
A IA está transformando a forma como os americanos buscam informações sobre saúde, tomam decisões e interagem com profissionais de saúde, e os sistemas de saúde precisam acompanhar esse ritmo. O risco não é que essa tecnologia esteja avançando rápido demais, mas sim que os sistemas de saúde avancem lentamente demais para orientar seu uso de forma responsável na assistência à saúde.
| Uma parcela menor recorre à IA em vez de consultar um profissional de saúde |
Embora a pesquisa autônoma seja o principal motivo para o uso de IA em questões de saúde, uma parcela menor, mas significativa, dos usuários relatou recorrer à IA em vez de consultar um profissional de saúde, especialmente quando enfrenta barreiras relacionadas a custos, acesso ou qualidade do atendimento.
Entre os usuários que utilizaram IA para questões de saúde recentemente:
· 27% afirmaram que não queriam pagar por uma consulta médica;
· 14% disseram que não tinham condições de pagar pela consulta;
· 21% relataram que não tinham tempo para marcar uma consulta;
· 16% afirmaram que não conseguiram acessar um médico ou outro profissional de saúde;
· 21% disseram que já se sentiram desconsiderados ou ignorados por um profissional de saúde em experiências anteriores;
· 18% relataram que sentiram vergonha de conversar com uma pessoa sobre o assunto.
Entre os usuários recentes de IA para questões de saúde, 84% ainda consultaram um profissional de saúde, mas 14% relataram não ter procurado um profissional que, de outra forma, teriam consultado devido às informações ou orientações recebidas da IA. Quando esse percentual é projetado para toda a população adulta dos Estados Unidos, ele representa aproximadamente 14 milhões de americanos que deixariam de consultar um profissional de saúde após receber informações de saúde geradas por IA.
No entanto, a confiança nas informações geradas pela tecnologia permanece dividida. Entre aqueles que utilizaram esse tipo de recurso nos últimos 30 dias:
· 33% afirmaram confiar nas informações;
· 33% disseram não confiar nem desconfiar;
· 34% afirmaram desconfiar das informações.
Ainda assim, apenas 4% disseram confiar fortemente na precisão dessas informações, sugerindo que muitos americanos estão tomando decisões relacionadas à saúde com base em conteúdo gerado por IA sem plena confiança em sua exatidão.
Cerca de um em cada dez usuários (11%) que relataram ter utilizado IA para obter informações ou aconselhamento em saúde nos últimos 30 dias afirmou que a IA recomendou informações ou orientações que consideraram inseguras.
Esses dados indicam que, embora alguns americanos possam estar utilizando a inteligência artificial como substituta de uma consulta médica, muitos a veem como uma ferramenta complementar aos seus cuidados de saúde, ajudando-os a compreender sintomas que estejam sentindo e a esclarecer diagnósticos recebidos de seus médicos.
| As motivações variam conforme idade e renda |
Embora a busca por informações seja o principal motivo que leva os americanos a recorrerem à IA para fins de saúde, os padrões de uso variam de acordo com características demográficas.
Os adultos mais jovens têm maior probabilidade do que os mais velhos de utilizar a IA para pesquisas realizadas por conta própria. Entre aqueles com 18 a 29 anos, 69% afirmaram pesquisar informações antes de consultar um médico, em comparação com 43% daqueles com 65 anos ou mais.
As diferenças de renda são mais evidentes entre os motivos relacionados a barreiras de acesso. Entre os adultos com renda anual inferior a US$ 24 mil, 32% afirmaram ter utilizado IA porque não tinham condições de pagar por uma consulta médica. Entre aqueles com renda anual de US$ 180 mil ou mais, esse percentual caiu para apenas 2%.
| Questões de saúde do dia a dia lideram os usos da IA |
Os americanos que utilizaram IA para obter informações ou aconselhamento em saúde nos últimos 30 dias relataram, com maior frequência, o uso da tecnologia para buscar informações sobre questões cotidianas de saúde, incluindo:
· Nutrição ou atividade física (59%);
· Sintomas físicos (58%).
No entanto, o uso da IA vai além da simples avaliação de sintomas. Entre aqueles que utilizaram a tecnologia nos últimos 30 dias:
· 46% a utilizaram para compreender efeitos colaterais de medicamentos;
· 44% para interpretar informações médicas;
· 38% para pesquisar um diagnóstico ou condição médica específica;
· 24% para explorar questões relacionadas à saúde mental ou ao bem-estar emocional.
| Metodologia |
Os resultados são baseados em um estudo do Gallup Panel, realizado entre 27 de outubro e 22 de dezembro de 2025, com uma amostra de 5.660 adultos com 18 anos ou mais, participantes do Gallup Panel, um painel probabilístico e nacionalmente representativo da população adulta dos Estados Unidos.
A Gallup utiliza métodos de seleção aleatória para recrutar os participantes do painel, incluindo:
· entrevistas telefônicas com discagem aleatória de números, abrangendo telefones fixos e celulares;
· amostragem baseada em endereços.
Os participantes com acesso à internet responderam ao questionário online. Aqueles sem acesso receberam uma versão impressa do questionário para preenchimento e devolução pelo correio.
A amostra foi ponderada estatisticamente para refletir a composição demográfica da população adulta dos Estados Unidos, com base nos dados mais recentes da Current Population Survey (CPS).
Para os resultados baseados nessa amostra, a margem máxima de erro amostral é de ±2,1 pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%. As margens de erro são maiores para subamostras.
Além do erro amostral, a formulação das perguntas e as dificuldades práticas inerentes à realização de pesquisas podem introduzir erros e vieses nos resultados de pesquisas de opinião pública.