O Ministério da Saúde lançou, no Rio de Janeiro, o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), iniciativa inédita voltada ao atendimento domiciliar de idosos com limitações funcionais na Atenção Primária à Saúde.
Com investimento federal de cerca de R$ 500 milhões (R$ 163,2 milhões em 2026 e R$ 329,3 milhões em 2027), o programa prevê a expansão de Equipes Multiprofissionais (eMulti) para atendimento direto nas residências. A estratégia busca ampliar o acesso ao cuidado e melhorar a qualidade de vida de uma população que hoje soma mais de 3 milhões de idosos acamados atendidos pelo SUS.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a expectativa é que mais da metade desse grupo passe a contar com acompanhamento domiciliar contínuo, fortalecendo a assistência e reduzindo a sobrecarga dos serviços hospitalares.
Os municípios poderão aderir ao programa ampliando equipes já existentes ou criando novas. Até o momento, 2.733 municípios já solicitaram participação, totalizando 3.677 equipes.
Cada equipe poderá receber até R$ 57,5 mil mensais, incluindo incentivos adicionais de até R$ 10 mil, além de um repasse inicial para estruturação. As equipes são formadas por profissionais de diversas áreas, como medicina (incluindo especialidades como geriatria e cardiologia), enfermagem, psicologia e nutrição, atuando em integração com a Estratégia Saúde da Família.
O Padi Brasil reforçou a centralidade da Atenção Primária no acompanhamento da população idosa — especialmente considerando que cerca de 80% dos idosos dependem exclusivamente do SUS. Com o aumento da expectativa de vida no país, que alcançou 76,6 anos em 2024, cresce também a necessidade de estratégias voltadas ao cuidado contínuo e à prevenção de agravos.
Ferramentas como a Caderneta da Pessoa Idosa e o aplicativo Meu SUS Digital seguirão apoiando o monitoramento clínico, além de materiais educativos voltados a profissionais, cuidadores e familiares.
O programa também resgata a experiência pioneira da médica Guilhermina Galvão Siqueira Gomes, que na década de 1990 implementou um modelo de atenção domiciliar no Hospital Municipal Paulino Werneck, no Rio de Janeiro. A iniciativa surgiu após a identificação de reinternações frequentes de idosos sem acompanhamento adequado pós-alta.