Noticias médicas

Publicado el 26 de junio de 2026

Organização Mundial de Saúde

OMS incentiva a ampliação da triagem neonatal para reduzir mortes e incapacidades infantis

Novo relatório destaca que o diagnóstico precoce de defeitos congênitos pode salvar milhões de vidas, especialmente em países de baixa e média renda.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou países a ampliarem a triagem neonatal como estratégia central para reduzir a mortalidade infantil e prevenir incapacidades de longo prazo. A recomendação foi apresentada em um novo relatório que aponta o rastreamento precoce como ferramenta essencial para melhorar os desfechos em saúde infantil.

Segundo o documento, cerca de 8 milhões de bebês nascem anualmente com defeitos congênitos, que atualmente representam quase 8% das mortes em menores de cinco anos. A maior parte desses casos (90%) ocorre em países de baixa e média renda, onde o acesso a diagnóstico e tratamento ainda é limitado.

Diversas condições podem ser tratadas com sucesso quando identificadas logo após o nascimento, incluindo hipotireoidismo congênito, doença falciforme, perda auditiva e distúrbios metabólicos. No entanto, muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente ou não recebem assistência adequada.

De acordo com a OMS, a expansão da triagem neonatal pode acelerar o progresso na sobrevivência infantil, especialmente em um cenário em que houve redução de mortes por causas infecciosas. Nesse contexto, os defeitos congênitos têm ganhado maior relevância relativa como causa de mortalidade.

O acesso à triagem neonatal varia amplamente no mundo. Enquanto alguns países realizam rastreamento universal para mais de 50 condições, outros ainda não possuem programas estruturados. A OMS recomenda que os países iniciem a triagem a partir de condições prioritárias, expandindo gradualmente conforme a capacidade dos sistemas de saúde.

O relatório destacou iniciativas bem-sucedidas em diferentes regiões:

  • Brasil e Argentina ampliaram programas nacionais com alta cobertura populacional;
  • Índia já realizou triagem em mais de 28 milhões de recém-nascidos;
  • Filipinas integrou o rastreamento ao sistema de saúde com cobertura obrigatória;
  • Uganda implementou triagem focada em anemia falciforme;
  • Egito e Sri Lanka incorporaram o rastreamento ao cuidado primário.

Esses casos demonstram a viabilidade da integração da triagem neonatal aos sistemas públicos de saúde, incluindo diagnóstico, tratamento e acompanhamento de longo prazo.

A OMS reforça a necessidade de integrar a triagem neonatal aos serviços de saúde rotineiros e à cobertura universal, garantindo acesso contínuo ao diagnóstico e ao tratamento. O relatório também destacou a importância da colaboração entre governos, profissionais de saúde e organizações científicas para fortalecer políticas públicas nessa área.