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Publicado el 7 de octubre de 2025

Menopausa

O que muda na terapia hormonal após os 65 anos?

Estudo com mais de 19 milhões de mulheres revelou os impactos da terapia hormonal na mortalidade, risco de cânceres, doenças cardiovasculares e demência, destacando a importância da individualização terapêutica.

Em 2002, o estudo Women's Health Initiative (WHI) relatou que a terapia hormonal (TH) combinada estrogênio/progestágeno (EPT) em mulheres na menopausa com idade média de 63 anos aumentava a ocorrência de câncer de mama invasivo, AVC e doença cardíaca coronariana, embora reduzisse fraturas. A divulgação na imprensa foi alarmista, mas muitos desses riscos perderam significância após correções por múltiplos testes.

Apesar das recomendações tradicionais de evitar TH após os 65 anos, estudos mostraram que sintomas vasomotores podem persistir por até 12 anos após a menopausa, afetando até 42% das mulheres entre 60 e 65 anos. A North American Menopause Society (2022) reforçou que não há regra fixa para interromper a terapia hormonal nessa faixa etária e recomendou individualizar a decisão com ajustes na dose, tipo e via de administração. No entanto, ainda faltam informações sobre os efeitos de diferentes formulações e vias de uso na TH.

Diante disso, Baik e colaboradores (2024) avaliaram os efeitos da terapia hormonal na menopausa após os 65 anos e seus impactos na saúde, considerando os tipos de estrogênio/progestágeno, vias e dosagens.

O estudo utilizou dados do Virtual Research Data Center (VRDC), que reúne informações de milhões de mulheres acima de 65 anos nos EUA. Foram consideradas diferentes combinações dos hormônios, vias de administração (oral, transdérmica, vaginal, injetável) e faixas de dose. Os desfechos avaliados incluíram mortalidade, demência, cinco tipos de câncer (mama, pulmão, endométrio, cólon e ovário) e seis condições cardiovasculares (doença isquêmica, insuficiência cardíaca, tromboembolismo venoso, AVC, fibrilação atrial e infarto agudo do miocárdio).

Entre mais de 19 milhões de mulheres idosas do Medicare, 14% utilizaram algum tipo de terapia hormonal durante o período de 2007–2020. O uso caiu pela metade ao longo dos anos, com destaque para a substituição do estrogênio conjugado (CEE) pelo estradiol (E2) e da via oral pela vaginal. A maioria das usuárias utilizava estrogênio isolado (ET), principalmente por via vaginal.

O uso de ET após os 65 anos foi associado a uma redução significativa de 19% na mortalidade geral, com destaque para o E2 (redução de 21%) em comparação ao CEE (13%). A via vaginal apresentou maior redução, seguida da transdérmica e oral, com taxas de 30%, 20% e 11%, respectivamente. Doses baixas e médias de ET foram mais seguras que doses altas. A terapia combinada com estrogênio + progestágeno não mostrou associação significativa com mortalidade, exceto por algumas combinações específicas. O uso isolado de progesterona foi associado a uma redução de 22% na mortalidade, enquanto progestina isolada aumentou o risco em 11%.

O uso de ET foi associado à redução de risco de câncer de mama (16%), pulmão (13%) e colorretal (12%). Enquanto o CEE oral em dose média (0,625 mg) mostrou redução de 26% no risco de câncer de mama. Em contraste, EPT aumentou o risco de câncer de mama em até 19%, especialmente com progestina. Algumas combinações de baixa dose e vias não orais não apresentaram esse aumento.

Em relação às doenças cardiovasculares, o uso de ET foi associado a um pequeno aumento no risco de doença isquêmica do coração (até 4%), especialmente com formulações injetáveis. Por outro lado, E+ progestina reduziu esse risco em 5%. ET também foi associado à redução de risco de insuficiência cardíaca (5%), embora doses altas e injetáveis aumentassem esse risco. EPT também mostrou redução modesta no risco de insuficiência cardíaca.

Quanto ao AVC e à demência, ET apresentou pequenas reduções de risco (<10%) com formulações transdérmicas e vaginais, enquanto doses altas aumentaram os riscos. EPT, em geral, não teve associação significativa, mas algumas combinações de baixa dose mostraram redução de risco entre 5% e 13% para todas as seis condições cardiovasculares avaliadas. Progesterona isolada foi associada à redução de risco para insuficiência cardíaca, tromboembolismo venoso e infarto agudo do miocárdio, enquanto progestina isolada não apresentou efeito protetor.

Em resumo, a terapia hormonal após os 65 anos pode oferecer benefícios importantes à saúde, especialmente com o uso de estrogênio isolado, que foi associado à redução da mortalidade, riscos de cânceres, doenças cardiovasculares e demência — com melhores resultados em doses baixas, vias não orais e uso de estradiol. Por outro lado, a EPT mostrou aumento no risco de neoplasias de mama, mas algumas formulações de baixa dose e vias transdérmica ou vaginal (especialmente E+ progestina) podem mitigar esse risco. Sendo assim, o estudo de Baik e colaboradores (2024) reforçou a importância de individualizar a escolha da TH com base no perfil clínico da paciente, tipo hormonal, dose e via de administração.