Os nevos recorrentes (NR) são lesões pigmentadas que surgem após remoção incompleta de um nevo melanocítico benigno, sendo mais frequentes em mulheres e adultos jovens, especialmente após procedimentos como shaving. Sua patogênese não é totalmente esclarecida, com hipóteses que incluem semeadura de células névicas durante a remoção, proliferação de células residuais na junção dermoepidérmica, nos folículos pilosos ou estímulos induzidos por células dérmicas remanescentes.
Os NR podem apresentar semelhanças clínicas e dermatoscópicas com o melanoma, apresentando-se como lesões pigmentadas sobre tecido cicatricial, com contornos irregulares e coloração variável, geralmente restritas aos limites da cicatriz e com recorrência mais precoce. Histopatologicamente, compartilham achados com o melanoma extensivo superficial, como atipia citológica e proliferação juncional, o que justificou a denominação de “pseudomelanoma” e torna a avaliação histopatológica, associada à imuno-histoquímica quando indicada, fundamental para o diagnóstico diferencial.
Nesse contexto, o artigo de Okada e colaboradores (2025) descreveu os principais achados histopatológicos e imuno-histoquímicos dos nevos recorrentes.
Foram avaliados 58 nevos recorrentes, provenientes de um estudo prospectivo prévio no qual 224 nevos melanocíticos benignos foram removidos por shaving em 61 pacientes, por razões estéticas ou sintomas locais. Após seguimento de seis meses, as lesões recorrentes foram excisadas e submetidas à análise anatomopatológica e imuno-histoquímica.
Os exames foram avaliados por dermatopatologista experiente, com análise padronizada dos principais critérios histológicos de simetria, padrão arquitetural e atipia celular. A imuno-histoquímica incluiu os marcadores HMB‑45, tirosinase, Ki‑67 e BRAF V600E, com avaliação da positividade e distribuição nos diferentes componentes do nevo.
Do ponto de vista histopatológico, o padrão trizonal esteve presente em 84,5% dos NR e assimetria arquitetural em 56,9%, caracterizada por assimetria nos contornos, tamanho e formato dos ninhos de células névicas, distribuição nos componentes intraepitelial e dérmico e infiltrado infamatório.
Também foram identificados hiperplasia lentiginosa (75,9%), fibrose (98,4%), infiltrado inflamatório linfocítico (96,5%) e melanófagos (79,2%). Em menor porcentagem, os autores também observaram envolvimento anexial (22,3%), dropping off (1,7%), distribuição pagetoide (29,3%) e atipias celulares (15%).
Em relação aos marcadores imuno-histoquímicos, HMB-45 apresentou positividade em 98,3% e foi expresso em gradiente, sendo fortemente positivo no componente juncional e com diminuição da marcação nas camadas mais profundas da derme. A tirosinase apresentou o mesmo padrão de expressão de HMB-45 e foi positiva em 91,4% dos casos.
O índice Ki-67 foi positivo em todas as recorrências e apresentou índice de marcação variando de 1% a 8%, com média de 2,83%. Todas as lesões apresentaram marcação no componente juncional e apenas uma lesão apresentou positividade nos ninhos dérmicos. A positividade do gene BRAF nos nevos foi de 72,4% e foi observada expressão na porção juncional em sete lesões, no componente dérmico em 28 e em ambos em sete lesões.
Em resumo, os NR são marcados principalmente por padrão trizonal associado à assimetria arquitetural, sendo a imuno-histoquímica uma ferramenta complementar relevante para a diferenciação dessas lesões. Além disso, a expressão de BRAF está presente na maioria das lesões e parece ocorrer de maneira heterogênea dentre os melanócitos. Diante disso, mais estudos são necessários para esclarecer o processo de recorrência e investigar a associação com a mutação BRAF.
Publicado el 20 de abril de 2026
Nevo pigmentado
O que diferencia nevos recorrentes do melanoma?
Estudo com 58 casos descreveu os achados histológicos e imuno-histoquímicos dessas lesões.
Autor/a: Okada, M.A.M.U. et al.
Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia 2025;100(6):501241
Os nevos recorrentes (NR) são lesões pigmentadas que surgem após remoção incompleta de um nevo melanocítico benigno, sendo mais frequentes em mulheres e adultos jovens, especialmente após procedimentos como shaving. Sua patogênese não é totalmente esclarecida, com hipóteses que incluem semeadura de células névicas durante a remoção, proliferação de células residuais na junção dermoepidérmica, nos folículos pilosos ou estímulos induzidos por células dérmicas remanescentes.
Os NR podem apresentar semelhanças clínicas e dermatoscópicas com o melanoma, apresentando-se como lesões pigmentadas sobre tecido cicatricial, com contornos irregulares e coloração variável, geralmente restritas aos limites da cicatriz e com recorrência mais precoce. Histopatologicamente, compartilham achados com o melanoma extensivo superficial, como atipia citológica e proliferação juncional, o que justificou a denominação de “pseudomelanoma” e torna a avaliação histopatológica, associada à imuno-histoquímica quando indicada, fundamental para o diagnóstico diferencial.
Nesse contexto, o artigo de Okada e colaboradores (2025) descreveu os principais achados histopatológicos e imuno-histoquímicos dos nevos recorrentes.
Foram avaliados 58 nevos recorrentes, provenientes de um estudo prospectivo prévio no qual 224 nevos melanocíticos benignos foram removidos por shaving em 61 pacientes, por razões estéticas ou sintomas locais. Após seguimento de seis meses, as lesões recorrentes foram excisadas e submetidas à análise anatomopatológica e imuno-histoquímica.
Os exames foram avaliados por dermatopatologista experiente, com análise padronizada dos principais critérios histológicos de simetria, padrão arquitetural e atipia celular. A imuno-histoquímica incluiu os marcadores HMB‑45, tirosinase, Ki‑67 e BRAF V600E, com avaliação da positividade e distribuição nos diferentes componentes do nevo.
Do ponto de vista histopatológico, o padrão trizonal esteve presente em 84,5% dos NR e assimetria arquitetural em 56,9%, caracterizada por assimetria nos contornos, tamanho e formato dos ninhos de células névicas, distribuição nos componentes intraepitelial e dérmico e infiltrado infamatório.
Também foram identificados hiperplasia lentiginosa (75,9%), fibrose (98,4%), infiltrado inflamatório linfocítico (96,5%) e melanófagos (79,2%). Em menor porcentagem, os autores também observaram envolvimento anexial (22,3%), dropping off (1,7%), distribuição pagetoide (29,3%) e atipias celulares (15%).
Em relação aos marcadores imuno-histoquímicos, HMB-45 apresentou positividade em 98,3% e foi expresso em gradiente, sendo fortemente positivo no componente juncional e com diminuição da marcação nas camadas mais profundas da derme. A tirosinase apresentou o mesmo padrão de expressão de HMB-45 e foi positiva em 91,4% dos casos.
O índice Ki-67 foi positivo em todas as recorrências e apresentou índice de marcação variando de 1% a 8%, com média de 2,83%. Todas as lesões apresentaram marcação no componente juncional e apenas uma lesão apresentou positividade nos ninhos dérmicos. A positividade do gene BRAF nos nevos foi de 72,4% e foi observada expressão na porção juncional em sete lesões, no componente dérmico em 28 e em ambos em sete lesões.
Em resumo, os NR são marcados principalmente por padrão trizonal associado à assimetria arquitetural, sendo a imuno-histoquímica uma ferramenta complementar relevante para a diferenciação dessas lesões. Além disso, a expressão de BRAF está presente na maioria das lesões e parece ocorrer de maneira heterogênea dentre os melanócitos. Diante disso, mais estudos são necessários para esclarecer o processo de recorrência e investigar a associação com a mutação BRAF.