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/ Publicado el 20 de abril de 2026

Risco cardiovascular

Atraso no diagnóstico da hipertensão e seus impactos clínicos

Entenda como o momento do diagnóstico clínico de hipertensão está associado ao início do tratamento anti-hipertensivo e aos resultados cardiovasculares de longo prazo

Autor/a: Lu, Y. et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2025;8(7):e2520498.

A hipertensão afeta quase 50% das pessoas nos Estados Unidos (EUA) e está associada a complicações cardiovasculares graves quando não identificada e tratada precocemente. Diretrizes baseadas em evidências enfatizam a necessidade de detecção e tratamento precoces para mitigar o risco cumulativo de desfechos adversos ao longo do tempo, embora o impacto do atraso diagnóstico nos desfechos cardiovasculares ainda seja pouco estudado.

Alguns fatores relacionados ao fluxo de trabalho clínico, à fragmentação do cuidado e a inconsistências nas recomendações das sociedades profissionais podem contribuir para atrasos diagnósticos na prática clínica. Embora estudos anteriores indiquem subdiagnóstico da hipertensão, a magnitude desses atrasos e sua associação com o início do tratamento e desfechos cardiovasculares de longo prazo ainda são pouco compreendidas.

 Diante disso, o artigo de Lu e colaboradores (2025) avaliou a relação entre o tempo do diagnóstico de hipertensão, o início da terapia anti-hipertensiva e o risco cardiovascular, destacando o potencial do uso de ferramentas digitais para promover diagnósticos mais oportunos e melhorar os resultados clínicos.

Os autores analisaram dados de prontuários eletrônicos de saúde (EHR) de um grande sistema integrado dos EUA, incluindo de adultos de 18 a 85 anos com pelo menos duas leituras ambulatoriais de pressão arterial ≥140/90 mmHg registradas entre 2010 e 202. A hipertensão foi definida por critério computacional (duas medidas elevadas em até dois anos) e por diagnóstico clínico registrado em prontuário, sendo o atraso diagnóstico categorizado conforme o tempo entre a segunda leitura elevada e o diagnóstico formal.

Foram avaliadas prescrições de medicamentos anti-hipertensivos e a ocorrência de eventos cardiovasculares (infarto, AVC isquêmico ou internação por insuficiência cardíaca) em até cinco anos de seguimento. As associações entre atraso diagnóstico, tratamento e desfechos cardiovasculares foram analisadas por modelos de riscos proporcionais de Cox ajustados por características demográficas, níveis pressóricos e comorbidades.

Entre 311.743 pacientes com hipertensão, 14,6% receberam diagnóstico clínico apenas após a segunda elevação da pressão arterial. O atraso diagnóstico foi mais frequente em pacientes mais jovens, mulheres e indivíduos negros ou asiáticos não hispânicos, apesar de uso semelhante ou até maior dos serviços de saúde. Pacientes diagnosticados tardiamente apresentaram taxas significativamente menores de prescrição de medicamentos anti‑hipertensivos, com redução progressiva conforme o aumento do atraso (75,2% no diagnóstico precoce vs. 26,4% após mais de 1 ano).

Além disso, o diagnóstico tardio esteve associado a maior risco de eventos cardiovasculares em 5 anos, com aumento gradativo do risco para atrasos superiores a 90 dias, especialmente para internação por insuficiência cardíaca, evidenciando uma relação dose–resposta entre atraso diagnóstico, menor tratamento e piores desfechos cardiovasculares.

Em resumo, o estudo de Lu e colaboradores (2025) evidenciou que atrasos no diagnóstico da hipertensão foram frequentes e estiveram associados a menor início de terapia anti‑hipertensiva e a maior risco cardiovascular a longo prazo. Intervenções que utilizam sistemas de EHR podem ajudar a facilitar o reconhecimento e tratamento precoces da hipertensão, potencialmente reduzindo o risco cardiovascular.


Fonte: Delayed Hypertension Diagnosis and Its Association With Cardiovascular Treatment and Outcomes | Cardiology | JAMA Network Open | JAMA Network