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/ Published on October 16, 2025

Glúten

O que causa os sintomas gastrointestinais em pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca?

Estudo analisou os efeitos da expectativa e da ingestão real de glúten em indivíduos com sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC).

Nos últimos anos, tem-se observado um número crescente de pessoas que, mesmo sem diagnóstico de doença celíaca ou alergia ao trigo, optam por reduzir ou eliminar o glúten da dieta por acreditarem que ele causa sintomas gastrointestinais.

Nesse contexto, o artigo de Graaf e colaboradores (2024) investigou os efeitos da expectativa versus a ingestão real de glúten sobre os sintomas em indivíduos com sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC).

O estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e multicêntrico foi realizado nas universidades de Leeds (Reino Unido), Maastricht (Holanda) e Wageningen (Holanda).

 Foram incluídos participantes de 18 a 70 anos com SGNC autodeclarada (sintomas gastrointestinais até 8 horas após consumo de glúten), sem doença celíaca ou alergia ao trigo. Eles seguiram dieta sem ou com restrição de glúten por pelo menos uma semana antes e durante o estudo, estando assintomáticos ou com sintomas leves (pontuação ≤30 mm na escala visual analógica [VAS]). Foram aleatoriamente distribuídos em quatro grupos: expectativa de consumir pão com glúten (E+) ou sem glúten (E-), e ingestão real de pão com glúten (G+) ou sem glúten (G-). Participantes, investigadores e avaliadores estavam cegos quanto à ingestão real de glúten, e os participantes também não sabiam sobre o componente de expectativa do estudo.

O desfecho primário foi a pontuação de sintomas gastrointestinais na VAS, medida antes do café da manhã e a cada hora por 8 horas (com almoço após 4 horas).

Entre 19 de outubro de 2018 e 14 de fevereiro de 2022, 165 pessoas foram triadas e 84 foram distribuídas nos grupos E+G+ (n=21), E+G- (n=21), E-G+ (n=20) e E-G- (n=22). A mediana de idade foi 27 anos, sendo 86% mulheres. A pontuação média de sintomas gastrointestinais foi significativamente maior no grupo E+G+ (16,6 mm) em comparação com E-G+ (6,9 mm) e E-G- (7,4 mm), mas não em relação ao grupo E+G- (11,7 mm). Não houve diferenças significativas entre os demais grupos. Eventos adversos foram relatados por dois participantes do grupo E+G- (coceira na mandíbula; tontura e ruídos estomacais) e um do grupo E-G+ (vômito).

Em resumo, o artigo reforçou a complexidade da sensibilidade ao glúten não celíaca, evidenciando que os sintomas gastrointestinais relatados por indivíduos com SGNC não são exclusivamente atribuíveis à ingestão de glúten, mas também fortemente influenciados por fatores psicológicos, especialmente a expectativa negativa do consumo. A combinação entre a crença de que o glúten causaria sintomas e sua ingestão real resultou nos maiores níveis de desconforto gastrointestinal, caracterizando um claro efeito nocebo, embora não se possa excluir um efeito adicional do glúten. Sendo assim, mais estudos são necessários para investigar a interação intestino-cérebro na SGNC.