O futuro da cirurgia apontou para uma colaboração cada vez maior entre seres humanos e tecnologia, permitindo níveis de precisão e eficiência antes inimagináveis. Inteligência artificial (IA), robôs cirúrgicos, impressão 3D e novas tecnologias de imagem já fazem parte da prática médica, mas representam apenas o início de uma transformação mais ampla.
Embora a cirurgia robótica ainda não seja a principal forma de realização dos procedimentos, milhões de operações assistidas por robôs são realizadas anualmente. Paralelamente, o avanço da IA vem ampliando as possibilidades da especialidade, oferecendo suporte desde o planejamento cirúrgico até o desenvolvimento de implantes personalizados.
Em uma análise publicada no The Medical Futurist, o Dr. Bertalan Meskó chamou atenção para a importância do fator humano. Cirurgiões exercem uma função de enorme responsabilidade, tomando decisões que podem influenciar diretamente os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes.
Nesse cenário, a incorporação de ferramentas digitais às salas cirúrgicas deve ser entendida como uma forma de ampliar suas capacidades, e não de substituí-las. À medida que sistemas automatizados assumem tarefas repetitivas, aspectos como comunicação, empatia e relação médico-paciente tornam-se ainda mais relevantes. Dessa forma, a capacidade de oferecer um cuidado humanizado antes e após os procedimentos tende a permanecer como um diferencial essencial da prática cirúrgica.
Com base nessa perspectiva, o autor destacou sete tecnologias que vêm influenciando a prática cirúrgica e que devem ganhar protagonismo nos próximos anos:
1) Realidade virtual (RV)
Em abril de 2016, o cirurgião oncológico Shafi Ahmed transmitiu uma cirurgia em tempo real utilizando uma câmera de realidade virtual, em um marco que demonstrou o potencial da ferramenta para ampliar o acesso ao ensino cirúrgico.
Desde então, empresas e instituições têm adotado a RV no treinamento médico, permitindo que estudantes acompanhem procedimentos de forma imersiva e que profissionais pratiquem técnicas complexas em ambientes simulados.
Além da educação, a RV também pode auxiliar pacientes a compreender melhor seus procedimentos e contribuir para o controle da dor e da ansiedade. Seu uso ainda pode favorecer o planejamento pré-operatório e aumentar a precisão da execução cirúrgica.
Embora ainda não tenha se tornado padrão na formação médica, a ferramenta vem sendo incorporada por universidades e centros de referência, ampliando o acesso ao treinamento especializado, inclusive em regiões remotas.
2) Realidade aumentada (RA)
A RA difere da RV porque mantém o usuário conectado ao ambiente físico enquanto adiciona informações digitais ao seu campo de visão.
Na cirurgia, a RA permite sobrepor imagens e estruturas anatômicas complexas ao paciente durante o procedimento, reduzindo a dependência de monitores externos e facilitando a orientação do cirurgião.
Um exemplo ocorreu em 2020, quando foi realizada nos Estados Unidos a primeira cirurgia de fusão da coluna assistida por um sistema de RA aprovado pela Food and Drug Administration (FDA). O sistema permitiu a visualização tridimensional da anatomia da coluna vertebral do paciente durante a operação, como se os profissionais dispusessem de uma visão de raio-X.
Atualmente, soluções que combinam RA, IA e reconstruções anatômicas em 3D vêm sendo utilizadas para auxiliar a navegação cirúrgica. Ao proporcionar uma compreensão mais intuitiva das estruturas anatômicas, a tecnologia tem potencial para aumentar a precisão, a segurança e a eficiência dos procedimentos.
3) Robótica cirúrgica
Os robôs cirúrgicos atuais são equipados com câmeras tridimensionais de alta definição que transmitem imagens em tempo real ao cirurgião, representando uma das aplicações mais avançadas da inovação tecnológica na medicina.
O sistema mais conhecido é o da Vinci, que combina visualização tridimensional ampliada com instrumentos altamente articulados, capazes de reproduzir movimentos com amplitude e precisão superiores às da mão humana por meio de pequenas incisões.
Apesar do nome, o robô não atua de forma autônoma. O cirurgião mantém controle total durante toda a operação, enquanto o sistema auxilia em tarefas como sutura, dissecação e retração dos tecidos.
4) Cirurgia minimamente invasiva
Essa técnica tornou-se possível graças ao desenvolvimento de tecnologias como fibras ópticas, microcâmeras, laparoscópios e endoscópios, que permitem visualizar e acessar o interior do corpo por meio de pequenas incisões.
Essa abordagem está associada a menos dor pós-operatória, menor risco de complicações e recuperação mais rápida.
O especialista destacou iniciativas como o Magnetic Surgical System (MARS), da Levita, que utiliza retração magnética em cirurgias laparoscópicas, e as soluções desenvolvidas pela Vicarious Surgical, capazes de realizar procedimentos complexos por meio de uma única incisão de aproximadamente 1,5 cm.
5) Impressão 3D e simulações no planejamento pré-operatório e na educação
Cirurgias complexas e de alto risco exigem planejamento cuidadoso. Nesse contexto, a impressão 3D e as simulações digitais vêm transformando o planejamento cirúrgico, a educação médica e o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.
Um dos exemplos ocorreu em 2016, quando uma equipe médica chinesa produziu um modelo tridimensional do coração de um bebê com cardiopatia congênita para ensaiar previamente o procedimento, contribuindo para seu sucesso.
A área também tem avançado com a bioimpressão 3D. Pesquisadores da Penn State conseguiram reparar simultaneamente tecidos ósseos e cutâneos em modelos animais, com a expectativa de futuramente adaptar essas técnicas para aplicações em humanos.
Além disso, órgãos artificiais impressos em 3D vêm sendo utilizados no treinamento médico, proporcionando experiências mais realistas para estudantes e cirurgiões. Ao melhorar a compreensão anatômica e o desenvolvimento de habilidades técnicas, a impressão 3D amplia as possibilidades de planejamento, ensino e prática cirúrgica.
6) Cirurgia remota
A cirurgia remota, ou telecirurgia, combina redes 5G, robótica avançada e sistemas de comunicação para permitir que cirurgiões realizem procedimentos à distância, superando desafios relacionados ao deslocamento de especialistas e à disponibilidade de atendimento.
Além de facilitar a colaboração em tempo real entre especialistas, a tecnologia pode ampliar o acesso ao atendimento cirúrgico em regiões remotas. No entanto, questões como custos elevados, segurança de dados e dependência de conexões estáveis ainda representam desafios para sua implementação em larga escala.
7) A crescente influência da inteligência artificial
A IA tem potencial para impactar todas as etapas da jornada cirúrgica, do planejamento pré-operatório ao acompanhamento pós-operatório. Na prática, algoritmos podem auxiliar no diagnóstico, na análise de exames de imagem, na identificação de fatores de risco e na elaboração de estratégias terapêuticas personalizadas.
Durante os procedimentos, sistemas baseados em IA podem fornecer suporte em tempo real, aumentando a precisão e auxiliando na tomada de decisões. Após a cirurgia, esses sistemas também podem contribuir para o monitoramento da recuperação e a identificação precoce de possíveis complicações.
Além da assistência clínica, a IA pode otimizar tarefas administrativas, aprimorar o treinamento cirúrgico e favorecer uma utilização mais eficiente dos recursos de saúde. A integração da tecnologia com robótica e outras ferramentas emergentes têm potencial para tornar os procedimentos menos invasivos e mais precisos. No entanto, sua adoção exige atenção a questões como privacidade dos pacientes, segurança dos dados e possíveis vieses algorítmicos.
Para o Dr. Bertalan Meskó, o futuro da cirurgia dependerá da colaboração entre a experiência humana e ferramentas como inteligência artificial, robótica e outras tecnologias avançadas. Embora essas inovações ampliem a precisão e a eficiência dos procedimentos, atributos como conhecimento técnico, julgamento clínico, empatia e tomada de decisão continuarão sendo essencialmente humanos.
Publicado el 2 de octubre de 2026
O futuro tecnológico da cirurgia
Análise do médico especialista Bertalan Meskó explorou como realidade virtual, robótica, impressão 3D, telecirurgia e inteligência artificial podem tornar os procedimentos mais precisos, eficientes e centrados no paciente.
Autor/a: Dr. Bertalan Mesko
Fuente: TMF The Medical Futurist The Technological Future Of Surgery
O futuro da cirurgia apontou para uma colaboração cada vez maior entre seres humanos e tecnologia, permitindo níveis de precisão e eficiência antes inimagináveis. Inteligência artificial (IA), robôs cirúrgicos, impressão 3D e novas tecnologias de imagem já fazem parte da prática médica, mas representam apenas o início de uma transformação mais ampla.
Embora a cirurgia robótica ainda não seja a principal forma de realização dos procedimentos, milhões de operações assistidas por robôs são realizadas anualmente. Paralelamente, o avanço da IA vem ampliando as possibilidades da especialidade, oferecendo suporte desde o planejamento cirúrgico até o desenvolvimento de implantes personalizados.
Em uma análise publicada no The Medical Futurist, o Dr. Bertalan Meskó chamou atenção para a importância do fator humano. Cirurgiões exercem uma função de enorme responsabilidade, tomando decisões que podem influenciar diretamente os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes.
Nesse cenário, a incorporação de ferramentas digitais às salas cirúrgicas deve ser entendida como uma forma de ampliar suas capacidades, e não de substituí-las. À medida que sistemas automatizados assumem tarefas repetitivas, aspectos como comunicação, empatia e relação médico-paciente tornam-se ainda mais relevantes. Dessa forma, a capacidade de oferecer um cuidado humanizado antes e após os procedimentos tende a permanecer como um diferencial essencial da prática cirúrgica.
Com base nessa perspectiva, o autor destacou sete tecnologias que vêm influenciando a prática cirúrgica e que devem ganhar protagonismo nos próximos anos:
1) Realidade virtual (RV)
Em abril de 2016, o cirurgião oncológico Shafi Ahmed transmitiu uma cirurgia em tempo real utilizando uma câmera de realidade virtual, em um marco que demonstrou o potencial da ferramenta para ampliar o acesso ao ensino cirúrgico.
Desde então, empresas e instituições têm adotado a RV no treinamento médico, permitindo que estudantes acompanhem procedimentos de forma imersiva e que profissionais pratiquem técnicas complexas em ambientes simulados.
Além da educação, a RV também pode auxiliar pacientes a compreender melhor seus procedimentos e contribuir para o controle da dor e da ansiedade. Seu uso ainda pode favorecer o planejamento pré-operatório e aumentar a precisão da execução cirúrgica.
Embora ainda não tenha se tornado padrão na formação médica, a ferramenta vem sendo incorporada por universidades e centros de referência, ampliando o acesso ao treinamento especializado, inclusive em regiões remotas.
2) Realidade aumentada (RA)
A RA difere da RV porque mantém o usuário conectado ao ambiente físico enquanto adiciona informações digitais ao seu campo de visão.
Na cirurgia, a RA permite sobrepor imagens e estruturas anatômicas complexas ao paciente durante o procedimento, reduzindo a dependência de monitores externos e facilitando a orientação do cirurgião.
Um exemplo ocorreu em 2020, quando foi realizada nos Estados Unidos a primeira cirurgia de fusão da coluna assistida por um sistema de RA aprovado pela Food and Drug Administration (FDA). O sistema permitiu a visualização tridimensional da anatomia da coluna vertebral do paciente durante a operação, como se os profissionais dispusessem de uma visão de raio-X.
Atualmente, soluções que combinam RA, IA e reconstruções anatômicas em 3D vêm sendo utilizadas para auxiliar a navegação cirúrgica. Ao proporcionar uma compreensão mais intuitiva das estruturas anatômicas, a tecnologia tem potencial para aumentar a precisão, a segurança e a eficiência dos procedimentos.
3) Robótica cirúrgica
Os robôs cirúrgicos atuais são equipados com câmeras tridimensionais de alta definição que transmitem imagens em tempo real ao cirurgião, representando uma das aplicações mais avançadas da inovação tecnológica na medicina.
O sistema mais conhecido é o da Vinci, que combina visualização tridimensional ampliada com instrumentos altamente articulados, capazes de reproduzir movimentos com amplitude e precisão superiores às da mão humana por meio de pequenas incisões.
Apesar do nome, o robô não atua de forma autônoma. O cirurgião mantém controle total durante toda a operação, enquanto o sistema auxilia em tarefas como sutura, dissecação e retração dos tecidos.
4) Cirurgia minimamente invasiva
Essa técnica tornou-se possível graças ao desenvolvimento de tecnologias como fibras ópticas, microcâmeras, laparoscópios e endoscópios, que permitem visualizar e acessar o interior do corpo por meio de pequenas incisões.
Essa abordagem está associada a menos dor pós-operatória, menor risco de complicações e recuperação mais rápida.
O especialista destacou iniciativas como o Magnetic Surgical System (MARS), da Levita, que utiliza retração magnética em cirurgias laparoscópicas, e as soluções desenvolvidas pela Vicarious Surgical, capazes de realizar procedimentos complexos por meio de uma única incisão de aproximadamente 1,5 cm.
5) Impressão 3D e simulações no planejamento pré-operatório e na educação
Cirurgias complexas e de alto risco exigem planejamento cuidadoso. Nesse contexto, a impressão 3D e as simulações digitais vêm transformando o planejamento cirúrgico, a educação médica e o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas.
Um dos exemplos ocorreu em 2016, quando uma equipe médica chinesa produziu um modelo tridimensional do coração de um bebê com cardiopatia congênita para ensaiar previamente o procedimento, contribuindo para seu sucesso.
A área também tem avançado com a bioimpressão 3D. Pesquisadores da Penn State conseguiram reparar simultaneamente tecidos ósseos e cutâneos em modelos animais, com a expectativa de futuramente adaptar essas técnicas para aplicações em humanos.
Além disso, órgãos artificiais impressos em 3D vêm sendo utilizados no treinamento médico, proporcionando experiências mais realistas para estudantes e cirurgiões. Ao melhorar a compreensão anatômica e o desenvolvimento de habilidades técnicas, a impressão 3D amplia as possibilidades de planejamento, ensino e prática cirúrgica.
6) Cirurgia remota
A cirurgia remota, ou telecirurgia, combina redes 5G, robótica avançada e sistemas de comunicação para permitir que cirurgiões realizem procedimentos à distância, superando desafios relacionados ao deslocamento de especialistas e à disponibilidade de atendimento.
Além de facilitar a colaboração em tempo real entre especialistas, a tecnologia pode ampliar o acesso ao atendimento cirúrgico em regiões remotas. No entanto, questões como custos elevados, segurança de dados e dependência de conexões estáveis ainda representam desafios para sua implementação em larga escala.
7) A crescente influência da inteligência artificial
A IA tem potencial para impactar todas as etapas da jornada cirúrgica, do planejamento pré-operatório ao acompanhamento pós-operatório. Na prática, algoritmos podem auxiliar no diagnóstico, na análise de exames de imagem, na identificação de fatores de risco e na elaboração de estratégias terapêuticas personalizadas.
Durante os procedimentos, sistemas baseados em IA podem fornecer suporte em tempo real, aumentando a precisão e auxiliando na tomada de decisões. Após a cirurgia, esses sistemas também podem contribuir para o monitoramento da recuperação e a identificação precoce de possíveis complicações.
Além da assistência clínica, a IA pode otimizar tarefas administrativas, aprimorar o treinamento cirúrgico e favorecer uma utilização mais eficiente dos recursos de saúde. A integração da tecnologia com robótica e outras ferramentas emergentes têm potencial para tornar os procedimentos menos invasivos e mais precisos. No entanto, sua adoção exige atenção a questões como privacidade dos pacientes, segurança dos dados e possíveis vieses algorítmicos.
Para o Dr. Bertalan Meskó, o futuro da cirurgia dependerá da colaboração entre a experiência humana e ferramentas como inteligência artificial, robótica e outras tecnologias avançadas. Embora essas inovações ampliem a precisão e a eficiência dos procedimentos, atributos como conhecimento técnico, julgamento clínico, empatia e tomada de decisão continuarão sendo essencialmente humanos.