Artículos

Publicado el 6 de abril de 2026

Saúde cardiovascular feminina

O futuro da saúde cardiovascular feminina: projeções da AHA até 2050

Maddox e colaboradores (2026) indicaram um aumento acentuado da obesidade, diabetes e hipertensão, com foco nas vulnerabilidades específicas de mulheres jovens e minorias raciais.

As doenças cardiovasculares (DCV) e o acidente vascular encefálico (AVE) consolidaram-se como as principais causas de morbidade e mortalidade para mulheres, tanto nos Estados Unidos quanto em escala global. Dados estatísticos ra que, entre 2017 e 2020, mais de 62 milhões de mulheres norte-americanas sofriam de alguma forma de DCV ou hipertensão, atingindo uma prevalência populacional de quase 45%.

Apesar do declínio acentuado na mortalidade por doenças cardíacas observado entre a década de 1970 e o início dos anos 2000, essa tendência favorável atingiu um platô. Pesquisas recentes indicaram um cenário preocupante de agravamento na mortalidade prematura e uma deterioração nos fatores e comportamentos de saúde que influenciam o desenvolvimento de DCV.

Infelizmente, para as mulheres, as intervenções genéricas não podem ser suficientes para esse público, pois os mecanismos biológicos e sociais que sustentam a incidência e a progressão dessas doenças apresentam nuances distintas entre mulheres e homens. Por isso, são necessárias estratégias específicas para otimizar a saúde cardiovascular feminina.

Outro ponto crítico é a persistência de profundas iniquidades raciais e étnicas nos desfechos de saúde. Mulheres negras, hispânicas e indígenas apresentam taxas desproporcionalmente mais altas de fatores de risco cardiovascular, complicações na gestação e mortalidade.

Diante de uma população que continua a envelhecer e a se tornar mais diversa, Maddox e colaboradores (2026) projetaram a prevalência de doenças e fatores de risco até 2050, visando subsidiar decisões estratégicas sobre recursos de saúde e futuras áreas de pesquisa.

No que se refere aos fatores de risco, as projeções indicaram que a prevalência de hipertensão aumentará de 48,6% em 2020 para 59,1% em 2050. O diabetes deve saltar de 14,9% para 25,3%, enquanto a obesidade apresentará o crescimento mais expressivo, passando de 43,9% para 61,2%. De forma divergente, espera-se uma redução significativa na prevalência de hipercolesterolemia, que deve cair de 42,1% para 22,3%.

Quanto aos comportamentos de saúde, as estimativas sugeriram melhorias na prática de atividade física, no tabagismo e, de forma mais discreta, na qualidade da dieta. Entretanto, a prevalência de sono inadequado tende a piorar, subindo de 40,3% para 42,2%.

Esses agravantes refletem-se diretamente nas DCVs clínicas, cujas taxas de prevalência total devem subir de 10,7% para 14,4%. Especificamente, projeta-se que a doença coronariana atinja 8,21% das mulheres, a insuficiência cardíaca 3,60% e o AVE 6,74% até 2050. A fibrilação atrial também apresenta uma tendência de alta, estimada em 2,31% para o final do período.

Mulheres negras apresentaram as maiores projeções para hipertensão, diabetes, obesidade, sono e dieta inadequada, além das maiores taxas de insuficiência cardíaca e AVE. As hispânicas e asiáticas devem enfrentar os maiores aumentos absolutos em diversos fatores de saúde, enquanto as indígenas (AI/AN) e multirraciais lideram as projeções de tabagismo e doença coronariana.

Em relação à idade, embora as mulheres mais idosas (≥80 anos) detenham as maiores prevalências de doenças clínicas e hipertensão, as mais jovens (20-44 anos) são as que apresentam o crescimento projetado mais acentuado para condições como diabetes, hipertensão e AVE. As jovens também registrraam as piores taxas de dieta inadequada e tabagismo.

Sendo assim, as projeções para a saúde cardiovascular feminina indicaram uma necessidade urgente de ações preventivas e terapêuticas sustentadas. A prevenção é destacada como a estratégia mais eficiente e de menor custo, porém os dados sugeriram que os esforços atuais são inadequados, especialmente para as jovens. A manutenção de comportamentos de saúde ideais, como atividade física, dieta equilibrada, sono adequado e a ausência de tabagismo, é fundamental para garantir baixas taxas de DCVs ao longo da vida. Para isso, sugere-se o fortalecimento de intervenções precoces em escolas, consultórios pediátricos e ginecológicos, além do uso de estratégias de engajamento digital.