O dermografismo sintomático (DS) é uma forma comum de urticária crônica induzida, caracterizada pelo surgimento de pápulas lineares acompanhadas de prurido, queimação ou ardência após pressão, fricção ou leve arranhão da pele, afetando cerca de 2% a 5% da população. O diagnóstico é confirmado por testes de provocação, como o uso de dermografômetro, FricTest® ou objetos rombos, sendo considerada positiva a formação de pápulas sintomáticas após cerca de 10 minutos.
A gravidade e o controle da doença são avaliados por instrumentos validados, como o Urticaria Activity Score (UAS), o Urticaria Control Test (UCT) e a Escala Visual Analógica (EVA), enquanto o impacto na qualidade de vida é mensurado por escalas específicas e gerais, como o Chronic Urticaria-Specific Quality of Life (CU-QoL) e o Dermatology Life Quality Index (DLQI).
O tratamento do DS baseia-se na evitação de fatores desencadeantes e no uso de anti-histamínicos H1 de segunda geração como primeira linha, com omalizumabe e ciclosporina indicados em casos refratários. O estudo Kiraç e colaboradores (2025) avaliou a relação entre as respostas do FricTest®, as medidas de atividade da doença (UAS, UCT e EVA) e as escalas de qualidade de vida (CU-QoL e DLQI) em pacientes com DS. Os autores também investigaram o potencial do teste de fricção cutânea como ferramenta para avaliar a gravidade da doença e prever seus impactos na vida dos pacientes.
Foram incluídos 71 pacientes acompanhados no Hospital UCARE entre 2022 e 2023, todos em uso de anti-histamínicos H1 de segunda geração e omalizumabe. O FricTest® 4.0 foi aplicado em todos os participantes na linha basal e após um mês de tratamento, com registro das respostas correspondentes às quatro pontas do dispositivo (4,5 mm, 4 mm, 3,5 mm e 3 mm), expressas em milímetros. As respostas do teste de fricção cutânea foram correlacionadas com as pontuações UCT, UAS, EVA, DLQI e CU‑QoL na avaliação inicial, bem como com as mudanças observadas nas pontuações médias desses instrumentos após o primeiro mês de tratamento.
Foi observado uma redução estatisticamente significativa nas respostas do FricTest® em todos os níveis de pressão entre a avaliação basal e o primeiro mês de tratamento. No mesmo período, também houve diminuição significativa dos índices de atividade da doença (UAS), de impacto na qualidade de vida (CU‑QoL e DLQI) e da intensidade do prurido e queimação (EVA), associada a um aumento significativo do controle da urticária, avaliado pelo UCT.
As respostas aos maiores níveis de pressão (4,5 mm e 4 mm) apresentaram correlação positiva com maior atividade da doença e pior qualidade de vida, bem como correlação negativa com o controle da urticária, indicando que respostas mais intensas ao teste estão associadas a maior gravidade clínica. Não foi observada correlação significativa entre esses níveis do FricTest® e a EVA.
Por outro lado, as respostas aos níveis menores de pressão (3,5 mm e 3 mm) não mostraram correlação significativa com a maioria dos instrumentos avaliados, exceto por uma correlação negativa entre o FricTest® de 3 mm e o UCT, sugerindo relação limitada com o controle da doença.
Em resumo, o estudo demonstrou associações significativas entre as alterações nas respostas do FricTest® e mudanças nas pontuações CU‑QoL, UCT, UAS e DLQI. As extremidades de maior pressão (4,5 mm e 4 mm) mostraram maior sensibilidade para detectar essas alterações em comparação às de 3,5 mm e 3 mm. Esses dados indicaram que o FricTest®, especialmente nos níveis de maior pressão, pode ser uma ferramenta útil para avaliar a gravidade do DS e estimar seu impacto na qualidade de vida dos pacientes.