Articles

/ Published on April 8, 2026

Time-restricted eating

Impacto do jejum intermitente em desfechos metabólicos

Análise comparativa dos efeitos cardiometabólicos do Time‑Restricted Eating (TRE) em diferentes horários e durações.

Author: Chen, Y. et al.

Fuente: BMJ Medicine. 2026;5:e001071.

Introdução

As doenças não transmissíveis representam grande parte da carga global de doenças, sendo as cardiovasculares responsáveis por cerca de metade dessas mortes. Fatores metabólicos modificáveis, como IMC elevado, hipertensão e alterações glicêmicas e lipídicas, reforçam a necessidade de estratégias eficazes para melhorar a saúde metabólica. Embora dietas tradicionais foquem no conteúdo alimentar ou restrição calórica, evidências recentes mostraram que o ciclo alimentação–jejum tem papel importante na regulação metabólica.

Entre as modalidades de jejum intermitente, o time-restricted eating (TRE) se diferencia por limitar a ingestão diária a uma janela de 8–12 horas sem exigir redução calórica. Ensaios isocalóricos indicaram que o TRE melhora parâmetros metabólicos mesmo sem perda de peso, sugerindo benefícios independentes da restrição energética. Além da redução da janela, alinhar horários das refeições ao ritmo circadiano é considerado fundamental, e o TRE precoce é teoricamente mais vantajoso. No entanto, comparações diretas entre TRE precoce e tardio são escassas e apresentam resultados inconsistentes.

Diante disso, a meta-análise de Chen e colaboradores (2025) avaliou os efeitos gerais do TRE na saúde metabólica e comparou subtipos do método, considerando horários e duração da janela alimentar. O objetivo dos autores foi identificar quais configurações do TRE oferecem maior benefício metabólico e orientar recomendações mais precisas para a prática clínica.

Métodos

A revisão analisou 41 ensaios clínicos randomizados que avaliaram diferentes formas de alimentação com TRE, classificadas por horário da última refeição (precoce, intermediária, tardia) e por duração da janela alimentar (<8h, 8h, >8h). Os desfechos incluíram peso, adiposidade, pressão arterial, glicemia, insulina, HOMA‑IR e perfil lipídico. As comparações foram feitas em rede, permitindo avaliar efeitos diretos e indiretos entre múltiplas variações de TRE.

Resultados

No total, foram incluídos 2287 participantes com idade média de 37 anos e IMC médio de 27,8 kg/m², com intervenções de duração mediana de oito semanas. Comparada à dieta usual, a TRE reduziu significativamente peso (−2,15 kg), IMC (−0,76), gordura corporal (−1,32 kg) e circunferência da cintura (−1,63 cm), embora também tenha reduzido massa magra (−0,84 kg).

Houve também queda na pressão arterial sistólica (−4,94 mmHg), mas não na diastólica. Quanto aos parâmetros glicêmicos, a TRE diminuiu glicemia de jejum (−3,69 mg/dL) e insulina (−0,56 μIU/mL), sem impacto em HbA1c ou HOMA‑IR. No perfil lipídico, houve redução de triglicerídeos (−10,12 mg/dL), mas, em comparação ao jejum em dias alternados, a TRE aumentou o colesterol total.

Entre os subtipos, TRE precoce e intermediária foram superiores à tardia para peso, IMC e cintura. A precoce reduziu mais insulina de jejum (−2,75 a −3,69 μIU/mL) e glicemia (−6,13 mg/dL), enquanto a intermediária reduziu HDL (−2,75 mg/dL). TRE autorregulada teve boa classificação geral, mas sem diferenças significativas frente às demais. Comparada à dieta usual, TRE precoce e intermediária produziram maiores reduções de peso (−2,48 kg e −2,26 kg), IMC, gordura corporal e cintura, enquanto nenhuma forma alterou HbA1c ou HOMA‑IR.

Quanto à duração da janela alimentar, apenas a janela <8 horas apresentou redução significativa da circunferência da cintura em comparação com a janela de 8 horas. Todas as durações reduziram peso quando comparadas à dieta usual, com reduções variando de −1,99 a −2,56 kg. De forma semelhante, todas reduziram a pressão arterial sistólica (−4,62 a −6,03 mmHg), sem impacto sobre a pressão diastólica.

 No perfil glicêmico, janelas <8h reduziram a insulina de jejum (−1,48 a −1,53 μIU/mL), enquanto a janela de 8h reduziu a glicemia (−5,35 mg/dL), e durações >8h não apresentaram efeito significativo sobre parâmetros glicêmicos. Em relação ao perfil lipídico, janelas <8h aumentaram o colesterol total (+8,63 mg/dL) e o LDL (+4,54 mg/dL), ao passo que a janela de 8h reduziu triglicerídeos (−15,19 mg/dL) e a janela >8h reduziu colesterol total (−6,54 mg/dL).

Ao integrar horário e duração, TRE precoce/intermediária com janela ≤8h apresentou melhor desempenho geral para peso, glicemia e insulina, enquanto a tardia >8h mostrou os piores resultados para a maioria dos desfechos. TRE tardia ≤8h apresentou bom desempenho especificamente em pressão arterial e lipídios.

A adesão à TRE variou de 66% a 99%, geralmente melhor do que em restrição calórica contínua, e os eventos adversos foram leves e transitórios, incluindo tontura, cefaleia e constipação.

Conclusão

A alimentação com restrição de tempo mostrou benefícios consistentes em desfechos antropométricos e metabólicos, incluindo reduções de peso, IMC, gordura corporal, circunferência da cintura, pressão arterial sistólica, glicemia de jejum, insulina e triglicerídeos quando comparada à dieta usual. Entre os diferentes formatos, a restrição realizada no início do dia apresentou superioridade em relação à realizada mais tarde, especialmente para parâmetros antropométricos e glicêmicos. Já a relação entre a duração da janela alimentar e os resultados metabólicos mostrou-se variável, sem um padrão claro de superioridade.


Fonte: Effects of timing and eating duration of time restricted eating on metabolic outcomes: systematic review and network meta-analysis | BMJ Medicine