A perda de massa muscular é uma preocupação significativa para quem utiliza medicamentos antiobesidade, como a semaglutida. Esses agonistas do GLP-1 imitam um hormônio intestinal natural para suprimir o apetite e regular o metabolismo. No entanto, a restrição calórica resultante gera um déficit energético, que o organismo muitas vezes compensa queimando músculos.
Atualmente, existem mais de 100 novos candidatos a medicamentos antiobesidade. Essas novas terapias buscam não apenas potencializar a perda de peso, mas também melhorar a tolerabilidade, garantir efeitos mais duradouros e oferecer alternativas para um público mais amplo. Além disso, eles visam minimizar a perda muscular e reduzir o risco de recuperação de peso após o término do tratamento.
Abaixo, é possível ver alguns dos medicamentos antiobesidade que serão lançados.
| Ano estimado | Medicamento | Empresa | Descrição |
| 2026 | Orforglipron | Eli Lilly | Um medicamento oral de molécula pequena que ativa o receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) |
| 2026 | CagriSema | Novo Nordisk | Um injetável que ativa os receptores de amilina e GLP-1 |
| 2027 | Survodutida | Boehringer Ingelheim | Um injetável que ativa os receptores de glucagon e GLP-1 |
| 2027 | Retatrutida | Eli Lilly | Um injetável que ativa o GLP-1, o polipeptídeo inibitório gástrico (GIP) e os receptores de glucagon |
| 2028 + | MareTide | Amgen | Um injetável que ativa o receptor GLP-1 enquanto bloqueia a sinalização GIP |
| 2028 + | Bimagrumabe | Eli Lilly | Um injetável que bloqueia os receptores envolvidos na sinalização da miostatina |
| 2028 + | Monlunabant | Novo Nordisk | Um medicamento oral que inibe o receptor canabinoide CB1 |
Tabela 1. Datas previstas para aprovação nos EUA de novos tipos de medicamentos para perda de peso que chegarão ao mercado. Tabela adaptada de Dolgin (2025).
> Outras vias de tratamento
Frequentemente, a semaglutida e tirzepatida são medicamentos agrupados sob o rótulo de medicamentos da classe GLP-1, mas diferem em um aspecto: o segundo fármaco não imita apenas o GLP-1, mas também o polipeptídeo inibidor gástrico (GIP). Esse, por sua vez, acelera o metabolismo e influencia a forma como o corpo armazena e queima nutrientes. Estudos indicaram que essa ação dupla contribui para uma maior perda de peso, com testes clínicos mostrando que a tirzepatida levou a uma redução média de 20% do peso corporal, comparado aos 14% da semaglutida. Com base nesses resultados, diversas empresas estão desenvolvendo novos medicamentos que combinam ou modulam a ação do GLP-1 e GIP, com algumas terapias previstas para chegar ao mercado até 2028.
Os especialistas ainda discutem os impactos dessas estratégias no metabolismo, alertando para possíveis efeitos negativos, como comprometimento da saúde óssea no caso do bloqueio do GIP. Ademais, embora esses medicamentos apresentem benefícios como a redução do risco cardiovascular, melhora da função hepática e alívio da apneia do sono, há preocupações sobre efeitos adversos como artrite e pancreatite. Essa incerteza faz com que alguns médicos prefiram soluções cirúrgicas, como a bariátrica, que têm efeitos mais bem compreendidos.
Apesar dos riscos, o interesse farmacêutico na regulação do metabolismo continua crescendo, e novas pesquisas estão explorando outros hormônios, como o peptídeo YY, glucagon e amilina, para aprimorar o controle do apetite e o gasto energético.