O neurologista Octávio Pontes Neto destacou, durante o Congresso Americano de AVC realizado recentemente em New Orleans (EUA), os resultados de um importante estudo internacional que avaliou o asundexian, uma nova molécula que pode transformar a prevenção de recorrências de acidente vascular encefálico (AVE).
Segundo Pontes, o estudo Oceanic-Stroke representa um “momento histórico” para a neurologia vascular. A pesquisa demonstrou que o asundexian é capaz de reduzir a recorrência de AVE isquêmico não cardioembólico sem aumentar o risco de sangramento, uma limitação comum das terapias anticoagulantes atualmente disponíveis.
O estudo abordou como prevenir um novo AVE em pacientes que já sofreram um evento isquêmico cuja causa não está relacionada a arritmias cardíacas. Tradicionalmente, a prevenção secundária baseia-se no uso de antiplaquetários, como a aspirina, porém, até então, faltavam estratégias que combinassem maior eficácia com segurança ampliada.
| Como funciona o asundexian? |
O asundexian pertence a uma nova geração de anticoagulantes orais altamente específicos, atuando sobre o fator XIa, uma proteína envolvida na formação de trombos patológicos.
A proposta dessa classe terapêutica é bloquear a formação de coágulos potencialmente perigosos sem comprometer de forma significativa a hemostasia, o que reduz a probabilidade de sangramentos.
Administrado uma vez ao dia, o medicamento tem se mostrado promissor como opção para prevenção secundária do AVC, oferecendo um perfil de segurança mais favorável ao interferir apenas nos mecanismos de progressão do coágulo, preservando a coagulação fisiológica.