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Publicado el 10 de septiembre de 2026

Nova diretriz da ESC reforçou reabilitação cardíaca como componente essencial do cuidado cardiovascular

Publicada no European Heart Journal, a primeira diretriz da European Society of Cardiology (ESC) sobre reabilitação cardíaca reúne as principais evidências sobre benefícios clínicos, amplia as indicações para novos grupos de pacientes e destaca a telessaúde como ferramenta para ampliar o acesso e a implementação dos programas.

A European Society of Cardiology (ESC) publicou a primeira diretriz exclusivamente dedicada à reabilitação cardíaca, consolidando recomendações que anteriormente estavam distribuídas entre documentos de condições específicas, como infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca. O documento reúne as principais evidências sobre o papel dessa intervenção no cuidado de pacientes com doenças cardiovasculares e busca padronizar sua indicação e implementação em diferentes cenários clínicos.

A reabilitação cardíaca é definida como uma estratégia multidisciplinar voltada à recuperação clínica, funcional e psicossocial após eventos cardiovasculares ou intervenções cardíacas. Segundo a diretriz, seus benefícios vão além do tratamento farmacológico e dos procedimentos invasivos, incluindo redução de hospitalizações, melhora da capacidade funcional, da qualidade de vida e do bem-estar psicológico.

As recomendações reforçaram que a reabilitação cardíaca não deve ser entendida apenas como treinamento físico. O programa deve integrar exercícios supervisionados, educação em saúde, suporte psicológico, promoção da adesão terapêutica e incentivo a mudanças sustentáveis no estilo de vida. Além disso, o plano de cuidados deve ser individualizado e elaborado por meio de decisão compartilhada entre paciente e equipe multiprofissional, considerando fatores clínicos, funcionais, psicossociais e as preferências do paciente.

As evidências analisadas pela ESC mostraram que a reabilitação cardíaca contribui não apenas para reduzir eventos cardiovasculares recorrentes, mas também para melhorar a saúde mental, a independência e a reintegração às atividades cotidianas, reforçando seu papel como componente central da recuperação e do manejo crônico das doenças cardiovasculares.

A nova diretriz também amplia o espectro de pacientes elegíveis para reabilitação cardíaca. Além dos indivíduos com síndrome coronariana aguda e insuficiência cardíaca, pacientes submetidos à troca valvar cirúrgica ou transcateter, portadores de fibrilação atrial, cardiopatias congênitas e aqueles expostos a terapias oncológicas potencialmente cardiotóxicas também podem se beneficiar. Os autores ressaltaram ainda que idade avançada, fragilidade e múltiplas comorbidades não devem ser considerados critérios automáticos de exclusão.

Outro destaque foi a incorporação da telessaúde. Estratégias baseadas em telemonitoramento, teleconsultas e tecnologias digitais são apontadas como alternativas viáveis para ampliar o acesso aos programas, especialmente para pacientes com barreiras geográficas ou logísticas. Quando bem estruturados, os modelos domiciliares podem manter a qualidade assistencial, além de reduzir custos e aumentar a conveniência para os pacientes.

Apesar dos benefícios amplamente demonstrados, a reabilitação cardíaca permanece subutilizada em muitos países devido a limitações de acesso, infraestrutura e financiamento. Nesse contexto, a diretriz reforçou que essa intervenção apresenta boa relação custo-efetividade e deve ser considerada parte integrante do tratamento cardiovascular moderno, com potencial para melhorar a saúde cardiovascular, a adesão terapêutica e a qualidade de vida dos pacientes.