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Publicado el 22 de febrero de 2026

Diagnóstico precoce

Melanoma acral plantar na população brasileira

Perfil epidemiológico, achados dermatoscópicos, histopatológicos e implicações clínicas no Brasil.

O melanoma acral (MA) é um subtipo raro de melanoma que ocorre em áreas de pele glabra, ou seja, aquela que não contém folículos pilosos, como palmas, plantas e leito ungueal, com incidência estimada em 0,3/100.000 por ano. Embora represente uma pequena fração dos melanomas em caucasianos (2–13%), é o tipo mais frequente em populações negras e asiáticas, podendo chegar a 50% dos casos. No Brasil, os estudos são escassos, mas apontaram taxa de prevalência em torno de 13%. Diferentemente de outros melanomas cutâneos, o MA não está associado à radiação ultravioleta nem a fatores clássicos, tendo provável etiologia multifatorial, com possível papel do trauma mecânico em áreas de apoio plantar.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e melhora da sobrevida dos pacientes, mas é dificultado pela ausência de fatores de risco consistentes. A dermatoscopia é uma ferramenta essencial, pois nevos acras exibem padrão de sulcos paralelos enquanto melanomas tendem a apresentar padrão de cristas paralelas, com alta especificidade, embora sensibilidade variável. Outros padrões malignos incluem assimetria, multicomponente e fibrilar irregular, além de estruturas como véu cinza-azulado, regressão e policromia. A histopatologia continua sendo padrão-ouro, mas pode ser difícil em lesões iniciais; um critério útil é a proliferação melanocítica na crista profunda intermediária.

Geneticamente, os MA são amplamente distintos dos demais melanomas cutâneos. Nesse subtipo, até 55% são wild type para BRAF, NRAS e NF1, e há maior prevalência de mutações KIT (10–40%). O tratamento primário é cirúrgico, mas as margens ideais ainda são debatidas devido à alta taxa de recorrência. O prognóstico é geralmente pior que outros subtipos, especialmente em lesões plantares. A literatura sobre o melanoma acral é baseada principalmente em populações caucasianas e asiáticas, destacando a necessidade de pesquisas em grupos miscigenados, como o brasileiro. Nesse contexto, o estudo de Garcia e colaboradores (2025) analisou e correlacionou aspectos epidemiológicos, clínicos, dermatoscópicos e histopatológicos dessa neoplasia.

Foi realizado um estudo observacional transversal com análise retrospectiva de MA plantares diagnosticados histologicamente no Ambulatório de Dermatologia da UFMG (2005–2020). Foram incluídos casos com documentação clínica ou dermatoscópica. Os tumores foram classificados quanto à delimitação, tamanho e subtipo histológico (melanoma lentiginoso acral, melanoma extensivo superficial, melanoma nodular), incluindo lesões in situ e invasoras, categorizadas pelo índice de Breslow, que se refere à espessura do tumor de melanoma medida em milímetros. As plantas foram divididas em cinco subunidades anatômicas para avaliar relação com áreas de trauma.

Foram analisados 48 casos, com idade média de 62 anos e predominância feminina (62,5%). A maioria dos pacientes era parda ou negra (62,5%), e tumores maiores que 2 cm foram frequentes (77,8%). Dermatoscopicamente, policromia foi o achado mais prevalente (94,4%), seguido pelo padrão de cristas paralelas (PCP) em 78% dos casos; padrões benignos foram raros. O padrão serrilhado foi identificado em 13,9% das lesões e se associou a boa delimitação e menores índices de Breslow. Histologicamente, o subtipo mais comum foi o melanoma lentiginoso acral (86,1%). Mais da metade das lesões eram in situ (52,8%), enquanto as invasoras apresentaram Breslow médio de 3,84 mm. Ulceração e índice mitótico elevado associaram-se a maior espessura tumoral. Não houve correlação significativa entre PCP e Breslow, nem entre localização em áreas de apoio plantar e profundidade. Tumores menores (<2 cm) tenderam a ser mais finos, mas quase metade dos tumores >2 cm ainda era in situ, sugerindo fase radial prolongada.

Em resumo, os melanomas acral plantares da amostra apresentaram perfil epidemiológico semelhante ao descrito na literatura: acometimento predominante aos 60 anos, predominância feminina e maior frequência em indivíduos pardos e negros. Clinicamente, houve predominância de tumores grandes e tendência para localização no calcâneo, sem associação significativa com áreas de trauma. O estudo contribuiu para ampliar o conhecimento sobre MA plantar em população brasileira, reforçando