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/ Publicado el 26 de enero de 2026

Avaliação objetiva nasal

Medidas objetivas na obstrução nasal

Estudo comparou achados do exame clínico com medidas objetivas de patência nasal para avaliar sua utilidade na seleção de pacientes para septoplastia.

A obstrução nasal pode resultar de deformidades estruturais ou processos inflamatórios da mucosa nasal, sendo o desvio do septo uma das causas mais comuns. A septoplastia é amplamente realizada para corrigir essa condição, com milhares de procedimentos anuais no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Embora a cirurgia proporcione benefícios funcionais e melhore o fluxo aéreo, a seleção adequada de pacientes ainda não está bem definida. O diagnóstico baseia-se principalmente na história clínica e no exame físico, enquanto ferramentas subjetivas, como os questionários NOSE e SNOT-20, são pouco utilizadas na prática.

Medidas objetivas de patência nasal, como rinometria acústica, rinomanometria, rinospirometria e pico do fluco inspiratório nasal (PFIN), também estão disponíveis para avaliar o grau de obstrução, mas sua aplicabilidade para indicar septoplastia ainda é incerta.

 Diante disso, o artigo de Maniam e colaboradores (2025) revisou as evidências sobre a relação entre achados do exame clínico em obstruções nasais estruturais e essas medidas objetivas, buscando esclarecer se elas podem complementar a avaliação clínica na seleção de pacientes para cirurgia.

Os métodos objetivos de avaliação da permeabilidade nasal incluem diferentes parâmetros. Na rinometria acústica, os gráficos apresentam “vales” que indicam reduções na área de secção transversal em pontos específicos da cavidade nasal, correspondendo a estruturas anatômicas definidas: CSA1 refere-se à válvula nasal, CSA2 ao corneto inferior e/ou médio, e CSA3 à extremidade médio-posterior do corneto médio. A rinomanometria mede o fluxo aéreo transnasal e a pressão para determinar a resistência das vias aéreas durante a inspiração, utilizando pressões de referência de 75 e 150 Pascal. Já a rinospirometria avalia diferenças de volume, fluxo médio, pico e a repartição do fluxo entre as cavidades nasais; sua razão de repartição nasal (NPR) indica assimetria do fluxo, variando de -1 (obstrução completa à esquerda) a +1 (obstrução completa à direita), sendo 0 indicativo de fluxo simétrico. Por fim, o PFIN mede o fluxo máximo durante a inspiração nasal forçada pelas duas narinas.

O estudo foi uma revisão sistemática registrada no PROSPERO e conduzida conforme as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020). A busca foi realizada em bases como PubMed, Medline, Embase, SCOPUS, Web of Science, CINAHL, Cochrane Library e Google Scholar e incluiu 17 estudos que avaliaram a correlação entre achados clínicos e medidas objetivas de permeabilidade nasal.

Para a rinometria acústica, houve evidência de correlação moderada a forte entre as três primeiras constrições anatômicas (válvula nasal, cabeça do corneto inferior e cabeça do corneto médio) e os três primeiros vales do exame, embora sem correspondência exata ponto a ponto. Pacientes com desvio septal apresentaram áreas mínimas menores e volumes nasais reduzidos, sendo a rinometria mais sensível para desvios anteriores. Em casos leves, a rinometria mostrou-se útil para prever satisfação pós-septoplastia, enquanto para desvios muito severos a rinoscopia foi suficiente.

Quanto à rinomanometria, os estudos indicaram utilidade limitada para desvios médios ou posteriores, mas boa sensibilidade para desvios anteriores. A resistência nasal pré-operatória e a razão de fluxo entre as cavidades foram preditores relevantes de satisfação pós-operatória, especialmente em casos leves, reforçando o papel complementar da rinomanometria à avaliação clínica. Em geral, ambas as técnicas mostraram potencial para melhorar a seleção de pacientes para septoplastia, principalmente quando associadas ao exame físico.

O PNIF apresenta alta sensibilidade para identificar doença nasossinusal em valores abaixo de 90 L/min, mas baixa especificidade, o que reduz sua utilidade isolada, especialmente em indivíduos assintomáticos, sendo preferível seu uso como triagem.

Por outro lado, a rinospirometria mostrou melhor desempenho em casos de desvio septal significativo, especialmente quando a razão de repartição nasal está fora da faixa normal, complementando o exame clínico em casos menos severos.

Em resumo, nenhuma medida objetiva substitui o exame físico, mas pode atuar como ferramenta complementar na seleção de pacientes para septoplastia. Entre os métodos avaliados, a rinometria acústica e a rinomanometria se destacaram como as mais úteis, especialmente para confirmar achados clínicos e prever satisfação pós-operatória. PFIN e rinospirometria apresentaram papel secundário, podendo contribuir em situações específicas, como triagem ou avaliação de desvios menos severos. A integração entre exame clínico detalhado e testes objetivos é a abordagem mais eficaz para aumentar a precisão diagnóstica e otimizar os resultados cirúrgicos.