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Publicado el 18 de octubre de 2026

Doenças alérgicas

Marcha atópica e doenças alérgicas: a influência da genética, da história familiar e do ambiente

Revisão de Costa e colaboradores (2026) explorou como fatores hereditários e exposições precoces moldam o risco e a progressão da asma, rinite alérgica, dermatite atópica e alergia alimentar ao longo da vida.

As doenças atópicas, como asma, rinite alérgica (RA), dermatite atópica (DA) e alergia alimentar (AA), representam um importante problema de saúde pública global, especialmente na infância. Essas condições compartilham mecanismos fisiopatológicos semelhantes, incluindo respostas imunológicas mediadas por IgE, alterações da barreira epitelial e desregulação imunológica, e frequentemente se manifestam nos primeiros anos de vida.

Embora apresentem características clínicas distintas, essas doenças estão intimamente relacionadas e costumam integrar a chamada marcha atópica, processo em que DA e AA surgem precocemente e podem preceder o desenvolvimento de asma e RA. Nas últimas décadas, a prevalência das doenças alérgicas aumentou de forma expressiva em todo o mundo, afetando atualmente cerca de 30% a 40% da população.

Evidências sugeriram que esse aumento resulta da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, uma vez que a herança familiar isoladamente não explica a rápida expansão dessas condições. Exposições durante a gestação e a infância, hábitos alimentares, composição do microbioma e outros fatores ambientais parecem desempenhar papel relevante no risco e na expressão clínica das doenças atópicas.

Nesse contexto, Costa e colaboradores (2026) realizaram uma revisão narrativa com o objetivo de sintetizar as evidências sobre o papel da história familiar, dos mecanismos genéticos e dos fatores ambientais no desenvolvimento da asma, da RA, da DA e da AA, além de discutir a influência desses fatores na progressão da marcha atópica.

Diversos fatores presentes desde a gestação e os primeiros anos de vida influenciam o risco de desenvolvimento dessas doenças. Entre eles estão tabagismo materno, prematuridade, baixo peso ao nascer, obesidade materna, parto cesáreo, ausência de aleitamento materno exclusivo e exposição a ambientes urbanizados. Por outro lado, padrões alimentares mais saudáveis, especialmente com maior consumo de frutas e vegetais, têm sido associados a menor ocorrência de manifestações alérgicas.

A história familiar permanece como um dos principais preditores de atopia. Estudos demonstraram que o risco de desenvolvimento de doenças alérgicas varia entre 30% e 50% quando apenas um dos pais é afetado e pode alcançar 60% a 80% quando ambos apresentam alguma condição atópica. Evidências também sugeriram uma influência materna mais pronunciada, embora ainda não esteja totalmente esclarecida a contribuição relativa da herança genética e do ambiente compartilhado.

Entre as doenças analisadas, a AA tem recebido atenção crescente devido ao aumento de sua prevalência nas últimas décadas, particularmente em países com estilo de vida ocidentalizado. A condição resulta de respostas imunológicas inadequadas a proteínas alimentares e pode envolver mecanismos mediados ou não por IgE. Fatores genéticos contribuem para sua ocorrência, mas o rápido crescimento observado mundialmente sugere participação importante de fatores ambientais, incluindo dieta, uso de antibióticos, modo de nascimento, urbanização e alterações do microbioma intestinal. Crianças com um dos pais alérgicos apresentam aproximadamente o dobro do risco de desenvolver AA, enquanto a presença de alergias em ambos os pais pode elevar esse risco em até três vezes.

A asma, por sua vez, resulta de uma interação complexa entre predisposição genética e exposições ambientais. Urbanização, poluição atmosférica e mudanças no estilo de vida estão entre os fatores associados ao aumento de sua incidência. Além disso, a doença apresenta forte relação com a alergia alimentar, sendo mais frequente em crianças com histórico de sensibilização alimentar, especialmente nos casos mais graves.

A RA e a DA também possuem importante componente hereditário e frequentemente coexistem com outras doenças atópicas. Na segunda condição, alterações da barreira cutânea desempenham papel central na fisiopatologia e podem favorecer o desenvolvimento subsequente de outras manifestações alérgicas.

Os autores destacaram que a expressão clínica das doenças atópicas depende da interação entre predisposição genética, mecanismos epigenéticos, integridade das barreiras epiteliais, desenvolvimento do microbioma e fatores ambientais. Avanços recentes em tecnologias genômicas têm ampliado a compreensão desses processos e podem contribuir futuramente para estratégias de medicina de precisão voltadas à identificação precoce de indivíduos suscetíveis.

Em síntese, a revisão reforçou que asma, RA, DA e AA não devem ser consideradas enfermidades isoladas, mas manifestações inter-relacionadas de um mesmo espectro de doenças. Nesse cenário, a história familiar constitui um importante marcador de risco, enquanto o reconhecimento precoce de fatores genéticos e ambientais pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias preventivas e abordagens mais individualizadas ao longo da vida. Além disso, a presença de uma doença atópica aumenta a probabilidade de desenvolvimento de outras manifestações alérgicas, reforçando a importância do acompanhamento longitudinal de crianças com DA, AA ou histórico familiar significativo. Estratégias preventivas devem priorizar a promoção da tolerância imunológica, e não apenas a evitação de alérgenos.