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/ Published on September 3, 2024

Estudo de coorte

Imunização materna em bebês prematuros

Uma revisão sobre a imunização materna contra coqueluche e níveis de imunoglobulina G em bebês prematuros e de termo precoce a tardio

Introdução

A coqueluche, apesar da alta cobertura vacinal global, continua sendo uma doença endêmica em muitos países, afetando principalmente recém-nascidos e bebês. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2021, 81% dos bebês em todo o mundo receberam as três doses da vacina contra coqueluche. Entretanto, para oferecer uma proteção adicional nos primeiros meses de vida, a vacinação materna com a vacina contra tétano, difteria e coqueluche acelular (dTpa) tem sido uma estratégia importante. Na Holanda, desde dezembro de 2019, todas as gestantes são recomendadas a receber a vacina dTpa a partir da 20ª semana de gestação.

Durante a gestação, os anticorpos maternos de imunoglobulina G (IgG) são ativamente transferidos para o feto através da placenta. Esse processo, que começa por volta das 13 a 17 semanas de gestação, se intensifica à medida que a gravidez avança, culminando entre 33 e 36 semanas, quando os níveis de anticorpos IgG fetais ultrapassam os níveis séricos maternos, atingindo até 150% dos níveis maternos próximo ao parto. A administração da vacina dTpa no terceiro trimestre aumenta significativamente os níveis de anticorpos IgG anti coqueluche nos recém-nascidos.

No entanto, ainda não há consenso sobre o momento ideal para a vacinação materna com dTpa a fim de maximizar a transferência de anticorpos para o feto. Nesse contexto, Immink e colaboradores (2024) conduziram um estudo para avaliar a não inferioridade dos níveis de anticorpos antitoxina pertussis (anti-PT) imunoglobulina G (IgG) em bebês aos 2 meses de idade, comparando a vacinação dTpa administrada entre 20 0/7 e 24 0/7 semanas de gestação com a administração entre 30 0/7 e 33 0/7 semanas, além de considerar bebês prematuros.

Métodos

Este estudo de coorte incluiu mulheres grávidas com 18 anos ou mais, atendidas em centros de parto e hospitais na Holanda, entre agosto de 2019 e novembro de 2021, que receberam a vacina dTpa entre 20 0/7 e 24 0/7 semanas de gestação. Mulheres com risco iminente de parto prematuro também foram recrutadas, desde que tivessem recebido a vacinação dTpa dentro do mesmo período gestacional.

Para os resultados, amostras de sangue foram coletadas das mães no momento do parto, do cordão umbilical e dos bebês aos 2 meses de idade. Os dados das amostras de sangue dos bebês com 2 meses foram comparados com os de uma coorte de referência, recrutada entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2016, composta por bebês nascidos a termo cujas mães receberam a vacina dTpa entre 30 0/7 e 33 0/7 semanas de gestação.

Resultados

No estudo, foram incluídas 221 mulheres que deram à luz a um total de 239 crianças. Entre os bebês, 66 nasceram de termo inicial a tardio (mediana da idade gestacional de 40,6 semanas) e 73 eram prematuros (mediana de 32,1 semanas). Aos 2 meses de idade, a concentração média geométrica (GMC) de anticorpos antitoxina pertussis (anti-PT) foi de 14,7 IU/mL em bebês de termo inicial a tardio, após a vacinação materna com dTpa entre 20 0/7 e 24 0/7 semanas de gestação. Em comparação, no grupo de referência, a GMC foi de 27,3 IU/mL. Nos bebês prematuros do grupo de estudo, a GMC foi de 11,2 IU/mL, sem diferença estatisticamente significativa em relação aos bebês de termo inicial a tardio (P = .23).

Conclusão

Em conclusão, este estudo destaca a necessidade de pesquisas epidemiológicas adicionais para determinar se a vacinação materna com dTpa antes de 24 semanas de gestação oferece proteção adequada contra a coqueluche clínica em bebês a termo e prematuros, especialmente considerando a ausência de uma correlação estabelecida de proteção.