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Publicado el 16 de agosto de 2026

Estradiol bioabsorvível

Implantes subcutâneos de estradiol podem otimizar a terapia hormonal na menopausa?

Estudo prospectivo demonstrou manutenção de níveis terapêuticos de estradiol por 24 semanas, boa tolerabilidade e melhora significativa dos sintomas vasomotores e psicológicos em mulheres na pós-menopausa.

Introdução

O aumento da expectativa de vida tem ampliado o número de mulheres que vivenciam a menopausa, uma fase frequentemente acompanhada por sintomas vasomotores, alterações do sono, do humor e sintomas geniturinários capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida.

A terapia hormonal (TH) permanece como uma das principais estratégias para o manejo desses sintomas, estando disponível por diferentes vias de administração. No entanto, as formulações orais e transdérmicas apresentam limitações relacionadas à farmacocinética, à tolerabilidade e aos efeitos metabólicos. Nesse cenário, os implantes subcutâneos de estradiol surgem como uma alternativa potencialmente capaz de proporcionar liberação hormonal mais estável e sustentada.

Diante da escassez de evidências sobre essa modalidade terapêutica, Malavasi e colaboradores (2026) avaliaram o perfil farmacocinético de um implante subcutâneo bioabsorvível contendo 25 mg de estradiol, buscando ampliar o conhecimento sobre sua eficácia e segurança no tratamento de mulheres na pós-menopausa.

Métodos

O estudo Climacteric Women Comprehensive Longitudinal Assessment of Release With Estradiol Pellet Analysis (CLARA) foi conduzido entre dezembro de 2023 e outubro de 2024 e incluiu 20 mulheres histerectomizadas na pós-menopausa, com idade média de 52 anos e o índice de massa corporal (IMC) médio de 28,2 kg/m², todas com sintomas menopausais e perfil hormonal compatível com hipoestrogenismo.

As pacientes receberam um implante subcutâneo bioabsorvível de 25 mg de estradiol na região glútea e foram acompanhadas por 24 semanas para avaliação do perfil hormonal, da segurança do tratamento e da evolução dos sintomas menopausais, analisados por meio da Menopause Rating Scale (MRS) nas semanas 4, 12 e 24.

Os níveis séricos de estradiol, estrona, testosterona, hormônio folículo-estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH) e globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) foram determinados por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas e por imunoensaio de eletroquimioluminescência.

Os principais parâmetros farmacocinéticos avaliados incluíram concentração máxima (Cmax), tempo para concentração máxima (Tmax), meia-vida de eliminação (T½) e área sob a curva (AUC).

Resultados

A inserção do implante promoveu aumento rápido e sustentado dos níveis hormonais, com pico sérico de estradiol de 113,6 ± 8,9 pg/mL nas primeiras 24 horas e manutenção de concentrações próximas a 80 pg/mL entre as semanas 3 e 20, permanecendo acima dos valores basais até a semana 24. Da mesma forma, a concentração de estrona aumentou significativamente após a implantação, alcançando pico de 111,3 ± 20,0 pg/mL nas primeiras 24 horas e mantendo estabilidade ao longo do acompanhamento.

Houve redução significativa dos níveis de FSH e LH ao longo do seguimento, enquanto as concentrações de testosterona permaneceram estáveis. O SHBG apresentou discreto aumento inicial, com estabilização entre as semanas 12 e 24, além de correlação inversa com o IMC e direta com a idade. Além disso, foi observada uma elevação leve, porém significativa, dos níveis de prolactina ao final do estudo

A análise farmacocinética demonstrou uma Cmax de 116,3 pg/mL e um Tmax de 75,6 horas, com considerável variabilidade interindividual.

Do ponto de vista de segurança, não foram registrados eventos adversos graves. Dos 61 eventos adversos relatados por 18 participantes, a maioria foi de intensidade leve a moderada, sendo cefaleia (62,1%) e sensibilidade mamária (17,2%) os eventos relacionados ao tratamento mais frequentes.

Em relação à eficácia clínica, observou-se redução significativa da pontuação total da MRS, de 21,0 ± 11,4 para 8,2 ± 6,1 pontos na quarta semana de tratamento, com manutenção do benefício até a semana 24. As maiores melhoras ocorreram nos domínios somatovegetativo e psicológico, com redução expressiva dos sintomas vasomotores, incluindo fogachos e sudorese, cuja prevalência diminuiu de 95% para 30%. Houve ainda redução dos casos classificados como graves ou muito graves, de 60% para 5%, além de melhora significativa de sintomas como ansiedade, irritabilidade, humor deprimido, distúrbios do sono e exaustão física e mental.

Conclusão

O implante bioabsorvível de estradiol 25 mg proporcionou níveis séricos estáveis e sustentados de estradiol ao longo de 24 semanas, com boa tolerabilidade e melhora significativa dos sintomas menopausais. Os achados ampliaram o conhecimento sobre a farmacocinética dos implantes subcutâneos e sugeriram que essa via de administração pode representar uma alternativa promissora para a terapia hormonal, merecendo investigação adicional em estudos clínicos de maior escala.