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Publicado el 16 de agosto de 2026

Dermatite atópica

Probióticos como terapia adjuvante na dermatite atópica infantil

Suplementação com probióticos demonstrou benefícios clínicos na dermatite atópica infantil, com redução significativa das pontuações de gravidade da doença e melhora de desfechos clínicos relacionados à qualidade de vida.

Autor/a: Arif, M. et al.

Fuente: Journal of Allergy and Clinical Immunology: Global, 2026; 5 Probiotics for pediatric atopic dermatitis: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials

A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica e recorrente da pele, caracterizada por prurido intenso e lesões eczematosas, com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Geralmente se desenvolve na primeira infância e está associada a outras doenças atópicas, como a asma.

Sua fisiopatologia envolve alterações da barreira cutânea, desregulação imunológica e fatores ambientais. Embora o tratamento convencional inclua emolientes, corticosteroides tópicos e imunomoduladores, os probióticos têm despertado interesse como terapia adjuvante devido ao seu potencial de modular a microbiota, fortalecer a barreira epitelial e reduzir a inflamação.

Apesar de estudos prévios sugerirem benefícios na prevenção e no tratamento da DA, os resultados permanecem inconsistentes em razão da heterogeneidade metodológica e das diferentes cepas avaliadas. Diante desse cenário, Arif e colaboradores (2025) realizaram uma atualização das evidências disponíveis para avaliar a eficácia clínica dos probióticos, em comparação ao placebo, no manejo terapêutico da dermatite atópica em crianças.

A revisão sistemática com meta-análise, registrada no PROSPERO e conduzida conforme as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), analisou 13 ensaios clínicos randomizados, identificados nas bases PubMed/MEDLINE, Google Scholar e Cochrane Library, totalizando 1.133 crianças e adolescentes com DA. A maioria dos participantes apresentava formas leves a moderadas da condição, embora alguns estudos também tenham incluído casos graves.

A seleção dos artigos, a extração dos dados e a avaliação da qualidade metodológica foram realizadas por revisores independentes, enquanto as análises estatísticas contemplaram medidas de efeito agrupadas, avaliação da heterogeneidade, análise de sensibilidade e investigação de viés de publicação.

As cepas probióticas mais frequentemente avaliadas foram Lactobacillus rhamnosus, Lactobacillus fermentum e Bifidobacterium lactis, além de formulações multicepas. A análise não identificou viés de publicação e os estudos apresentaram, em geral, baixo risco de viés.

Em tratamentos com duração superior a dois meses, os probióticos promoveram redução significativa das pontuações de gravidade da dermatite atópica, avaliado pelo índice SCORing Atopic Dermatitis (SCORAD), em comparação ao placebo. Por outro lado, não foram observados benefícios significativos nos estudos de menor duração.

Os eventos adversos relacionados ao tratamento foram mínimos, consistindo principalmente em sintomas gastrointestinais leves, como alterações na consistência das fezes, cólicas, vômitos e dor abdominal.

Alguns estudos também avaliaram biomarcadores imunológicos, incluindo IgE, eosinófilos e citocinas inflamatórias. Embora não tenham sido observadas diferenças consistentes entre os grupos, um estudo identificou aumento significativo dos níveis de IgE no grupo placebo após um ano de seguimento, enquanto outro demonstrou aumento significativo de IFN-γ e TNF-α entre os participantes que receberam probióticos.

Além disso, foram relatadas melhoras de sintomas como prurido, evolução clínica global e qualidade de vida, sugerindo benefício clínico dos probióticos, especialmente em curto prazo. Não foram observadas diferenças relevantes no uso concomitante de corticosteroides.

Em síntese, a revisão sistemática com meta-análise sugeriu que os probióticos podem representar uma terapia adjuvante benéfica para crianças com DA, especialmente na redução da gravidade da doença e na melhora da qualidade de vida em tratamentos de curto prazo. No entanto, a heterogeneidade dos estudos e das cepas avaliadas reforçou a necessidade de pesquisas adicionais para definir seu impacto clínico em longo prazo e identificar as formulações mais eficazes.