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/ Publicado el 26 de febrero de 2026

Extensão do uso

Implante de etonogestrel: evidências de 5 anos de eficácia

FDA (agência reguladora dos EUA) aprovou em janeiro de 2026 a extensão do uso do implante de etonogestrel (Nexplanon/Implanon) de 3 para 5 anos. A decisão baseou-se em estudos que confirmaram alta eficácia contraceptiva, inclusive em mulheres com IMC elevado, sem novos riscos de segurança no 4º e 5º ano.

O implante subdérmico de etonogestrel (ENG), aprovado para uso por até três anos, apresenta dados farmacocinéticos que mostram que mulheres com peso normal mantêm concentrações séricas significativamente superiores ao limiar de 90 pg/ml, nível necessário para inibição da ovulação ao longo de todo esse período. Embora a taxa de liberação diminua gradualmente com o tempo, a biodisponibilidade permanece constante e a meia-vida de eliminação, de aproximadamente 25 horas, garante níveis séricos adequados até o final dos três anos.

Apesar da indicação de tempo formal, evidências clínicas mostraram ausência de gestações no quarto ano de uso em diferentes estudos, sugerindo eficácia sustentada. A ampliação do período de uso pode reduzir a necessidade de procedimentos de remoção e reinserção, aumentar a conveniência para as usuárias e melhorar a relação custo-efetividade, especialmente em países de baixa renda, onde o uso de implantes cresceu substancialmente na última década.

Diante disso, o artigo de Ali e colaboradores (2016) relatou resultados de até 5 anos após a inserção do implante de ENG e comparou os resultados com o implante de levonorgestrel (LNG) de 5 anos, com foco no desempenho contraceptivo, efeitos colaterais e motivos para descontinuação do método. Além disso, os autores compararam o desempenho com um grupo não randomizado de mulheres que receberam o dispositivo intrauterino (DIU) TCu380A como opção não hormonal.

O ensaio clínico randomizado, multicêntrico e aberto foi conduzido em sete centros internacionais de planejamento familiar e incluiu 1328 mulheres saudáveis entre 18 e 45 anos, com ciclos regulares e aptas ao seguimento semestral: 390 no grupo do implante de ENG, 522 no grupo do implante de LNG e 416 no grupo do DIU.

As participantes foram avaliadas a cada seis meses quanto a padrões de sangramento, sintomas clínicos e possíveis gestações. Os principais desfechos da extensão incluíram eficácia contraceptiva anual e cumulativa, taxas de continuidade e efeitos adversos nos anos 4 e 5, além do tempo necessário para remoção dos implantes.

As usuárias de LNG e ENG apresentaram características sociodemográficas semelhantes, enquanto as que usavam DIU eram mais velhas e tinham mais filhos. No total, as perdas durante os 2 anos adicionais foram mínimas (1–2%) e 204 usuárias de ENG completaram cinco anos com o dispositivo in situ.

Durante o período estendido, nenhuma gravidez ocorreu entre as usuárias de implantes ENG ou LNG, totalizando 7060 e 10.883 mulheres-mês de observação, respectivamente. As taxas cumulativas de gravidez após cinco anos foram muito baixas e estatisticamente equivalentes entre os grupos.

A solicitação de remoção foi mais frequente entre usuárias de ENG, devido ao tempo de uso aprovado ser menor que o do LNG, embora motivos pessoais tenham sido o principal fator de descontinuação em ambos os grupos. A incidência de efeitos adversos foi semelhante entre ENG e LNG, com exceção de maior relato de sangramento menstrual subjetivamente intenso no grupo ENG, ainda que em frequência baixa (12%). O tempo mediano de remoção foi curto (1 minuto para ENG e 2 minutos para LNG), com poucos procedimentos considerados difíceis (2% e 9%, respectivamente).

Em resumo, o estudo mostrou que os implantes subdérmicos de ENG e LNG mantêm eficácia equivalente por até cinco anos, sem aumento relevante de efeitos adversos, apoiando a segurança do uso estendido do ENG além dos três anos aprovados A extensão do uso traz benefícios importantes para sistemas de saúde e para as usuárias, reduzindo procedimentos, riscos associados, transições contraceptivas que podem levar a gestações não planejadas e custos por ano de proteção. Como primeiro estudo a avaliar o ENG por cinco anos, o artigo de Ali e colaboradores (2016) sugeriu que a OMS avaliasse recomendações formais para uso prolongado do método contraceptivo em questão.