O molusco contagioso (MC) é uma infecção viral da pele, causada pelo Poxvírus, que provoca lesões pequenas, arredondadas e brilhantes, sendo altamente transmissível e mais comum em crianças. Existem diversas opções disponíveis para tratamento, incluindo métodos físicos (eletrocauterização, curetagem, crioterapia), químicos (hidróxido de potássio, imiquimode [IMQ]) e a espera pela resolução espontânea.
O IMQ é um imunomodulador tópico aprovado para verrugas anogenitais, ceratose actínica e carcinoma basocelular superficial, com uso off-label em doenças dermatológicas benignas e malignas devido aos seus efeitos antivirais, antitumorais e imunorreguladores.
Um estudo retrospectivo realizado em São Paulo entre março de 2016 e março de 2024, analisou prontuários de pacientes com MC tratados com IMQ, sua resposta terapêutica e os efeitos colaterais apresentados. Dos 1.256 pacientes atendidos, apenas 21 receberam IMQ. A maioria das lesões estava localizada na face (38,09%) ou região anogenital (61,91%) e todos os pacientes utilizaram o medicamento três vezes por semana, por quatro a 33 semanas.
Quanto à resposta terapêutica, quinze pacientes apresentaram resolução completa, três tiveram resposta parcial e outros três não responderam ao tratamento. Todos os pacientes com resposta completa usaram o produto por oito semanas ou mais.
O IMQ foi pouco utilizado no tratamento da infecção, mesmo diante de número expressivo de pacientes analisados. Isso se deve à indisponibilidade do medicamento no hospital público e ao seu alto custo, além de sua prescrição restrita a pacientes imunocompetentes e sem comorbidade.
A remoção de MC na face ou na região anogenital, baseada em métodos físicos como a curetagem, também é desafiadora. Esses procedimentos podem causar impacto físico e emocional, principalmente em pacientes menores de idade. Assim, uma opção terapêutica tópica domiciliar, como o uso do IMQ, torna-se valiosa tanto para pacientes quanto para médicos.
Apesar da controvérsia na literatura sobre a eficácia desse imunomodulador, o estudo de Veasey e colaboradores (2025) observou taxas de cura superiores em lesões localizadas em áreas de pele fina. A escolha criteriosa dos pacientes e das lesões tratadas foi determinante para o sucesso terapêutico.
Em relação à segurança, cinco dos 21 pacientes apresentaram efeitos colaterais leves, como eritema e impetigo, todos resolvidos com suspensão temporária do tratamento e cuidados tópicos. Eventos adversos graves não foram observados.
Embora o IMQ não seja a primeira escolha terapêutica para MC, seu uso pode ser benéfico em casos selecionados, especialmente em áreas sensíveis como face e região anogenital, oferecendo uma alternativa tópica domiciliar com perfil de segurança favorável.
Publicado el 25 de noviembre de 2025
Tratamento tópico
Imiquimode no tratamento do molusco contagioso
Uma análise retrospectiva em um hospital público terciário de São Paulo analisou a eficácia e segurança do imiquimode em lesões localizadas de molusco contagioso.
Autor/a: Veasey, J.V. et al.
Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia, V. 100, N. 4, 2025 Uso de imiquimode no tratamento de 21 pacientes com molusco contagioso: melhores resultados em áreas selecionadas
O molusco contagioso (MC) é uma infecção viral da pele, causada pelo Poxvírus, que provoca lesões pequenas, arredondadas e brilhantes, sendo altamente transmissível e mais comum em crianças. Existem diversas opções disponíveis para tratamento, incluindo métodos físicos (eletrocauterização, curetagem, crioterapia), químicos (hidróxido de potássio, imiquimode [IMQ]) e a espera pela resolução espontânea.
O IMQ é um imunomodulador tópico aprovado para verrugas anogenitais, ceratose actínica e carcinoma basocelular superficial, com uso off-label em doenças dermatológicas benignas e malignas devido aos seus efeitos antivirais, antitumorais e imunorreguladores.
Um estudo retrospectivo realizado em São Paulo entre março de 2016 e março de 2024, analisou prontuários de pacientes com MC tratados com IMQ, sua resposta terapêutica e os efeitos colaterais apresentados. Dos 1.256 pacientes atendidos, apenas 21 receberam IMQ. A maioria das lesões estava localizada na face (38,09%) ou região anogenital (61,91%) e todos os pacientes utilizaram o medicamento três vezes por semana, por quatro a 33 semanas.
Quanto à resposta terapêutica, quinze pacientes apresentaram resolução completa, três tiveram resposta parcial e outros três não responderam ao tratamento. Todos os pacientes com resposta completa usaram o produto por oito semanas ou mais.
O IMQ foi pouco utilizado no tratamento da infecção, mesmo diante de número expressivo de pacientes analisados. Isso se deve à indisponibilidade do medicamento no hospital público e ao seu alto custo, além de sua prescrição restrita a pacientes imunocompetentes e sem comorbidade.
A remoção de MC na face ou na região anogenital, baseada em métodos físicos como a curetagem, também é desafiadora. Esses procedimentos podem causar impacto físico e emocional, principalmente em pacientes menores de idade. Assim, uma opção terapêutica tópica domiciliar, como o uso do IMQ, torna-se valiosa tanto para pacientes quanto para médicos.
Apesar da controvérsia na literatura sobre a eficácia desse imunomodulador, o estudo de Veasey e colaboradores (2025) observou taxas de cura superiores em lesões localizadas em áreas de pele fina. A escolha criteriosa dos pacientes e das lesões tratadas foi determinante para o sucesso terapêutico.
Em relação à segurança, cinco dos 21 pacientes apresentaram efeitos colaterais leves, como eritema e impetigo, todos resolvidos com suspensão temporária do tratamento e cuidados tópicos. Eventos adversos graves não foram observados.
Embora o IMQ não seja a primeira escolha terapêutica para MC, seu uso pode ser benéfico em casos selecionados, especialmente em áreas sensíveis como face e região anogenital, oferecendo uma alternativa tópica domiciliar com perfil de segurança favorável.