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Publicado el 28 de junio de 2026

Saúde

Hospital universitário do Rio inaugura primeira UTI Inteligente do SUS

Tecnologia com inteligência artificial e integração de dados promove monitoramento avançado, reduz tempo de internação e inaugura nova fase na gestão de leitos no SUS.

Autor/a: Bruno de Freitas Moura

Fuente: Agência Brasil Hospital universitário no Rio inaugura era de UTIs Inteligentes no SUS

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), conhecido como Hospital do Fundão, no Rio de Janeiro, deu um passo importante na modernização da assistência à saúde ao inaugurar, no dia 27 de junho,, a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova estrutura incorpora tecnologias avançadas que ampliam a capacidade de monitoramento dos pacientes críticos. Por meio de sistemas integrados e conectividade, os equipamentos realizam o cruzamento de dados clínicos em tempo real, possibilitando a identificação precoce de riscos, a priorização de atendimentos e a apresentação automática de informações essenciais diretamente nos prontuários eletrônicos.

Há ainda a integração com ambulâncias equipadas com tecnologia 5G, que permite a transmissão contínua de sinais vitais ainda no atendimento pré-hospitalar, contribuindo para maior agilidade na tomada de decisões antes mesmo da chegada do paciente à unidade.

Durante a cerimônia de inauguração, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou o papel estratégico da Inteligência Artificial (IA) no funcionamento das UTIs inteligentes. Segundo ele, os sistemas são capazes de gerar alertas precoces sobre a evolução clínica dos pacientes com base na análise dos dados monitorados.

De acordo com o ministro, a utilização dessas tecnologias tende a reduzir o tempo de internação e melhorar o fluxo de leitos. “A identificação antecipada de sinais de piora ou melhora permite intervenções mais rápidas, o que aumenta as chances de recuperação e reduz o tempo de permanência na UTI, beneficiando também quem está na fila de espera”, explicou.

O Ministério da Saúde estima que o uso de ferramentas como inteligência artificial e big data poderá reduzir em até cinco vezes o tempo de espera por atendimentos de emergência.

A iniciativa integra o projeto de criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão do SUS, lançado em novembro de 2025. O plano prevê a implantação de 14 UTIs inteligentes em diferentes estados brasileiros, totalizando 280 leitos e um investimento de aproximadamente R$ 180 milhões. Entre as instituições contempladas estão hospitais universitários, centros de referência e unidades estratégicas em capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre, Manaus, entre outras.

Na fase inicial, cada unidade deverá contar com cerca de dez leitos inteligentes. Os próximos locais a receber as UTIs Inteligentes são Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. 

Além das UTIs, a rede também prevê a incorporação de outras tecnologias de ponta, como cirurgia robótica, medicina de precisão e sistemas avançados de análise de dados, com o objetivo de elevar a eficiência assistencial e os desfechos clínicos.

Outro destaque do programa é a criação do primeiro hospital inteligente do Brasil, o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que será instalado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Com investimento estimado em R$ 4,8 bilhões, o ITMI deverá contar com 800 leitos e capacidade para atender cerca de 20 mil pacientes por ano, abrangendo áreas como neurologia, neurocirurgia, cardiologia e terapia intensiva, entre outras especialidades. A previsão de início das operações é 2027.

O projeto contará com financiamento internacional de R$ 1,7 bilhão obtido junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ligado ao Brics, com prazo de pagamento de 30 anos.

Além da UTI inteligente, o Hospital do Fundão também inaugurou seu primeiro acelerador linear para radioterapia, equipamento de alta precisão que permite tratamentos mais rápidos e com maior preservação dos tecidos saudáveis ao redor dos tumores.

Segundo especialistas da unidade, a nova tecnologia dobra a capacidade de atendimento diário, de cerca de 20 para 40 pacientes , contribuindo para reduzir filas no tratamento oncológico.

O Ministério da Saúde prevê a aquisição de aproximadamente 70 aceleradores lineares para o SUS ao longo de 2026, fortalecendo a rede de assistência oncológica no país.

Para o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, os investimentos representam um resgate do papel histórico dos hospitais universitários como polos de inovação e desenvolvimento tecnológico na saúde.

A incorporação de soluções digitais, inteligência artificial e equipamentos avançados reforça não apenas a assistência ao paciente, mas também a formação médica e a produção científica, consolidando o ambiente como referência para a educação médica continuada e a atualização dos profissionais de saúde.