Com o aumento da busca por alternativas que vão além do protetor solar, novas pesquisas sobre abordagens integrativas estão emergindo rapidamente. Nesse contexto, profissionais de saúde precisam de orientações rápidas, baseadas em evidências, que se alinhem tanto a estratégias convencionais quanto complementares.
Por isso, abaixo são discutidas cinco estratégias que podem ser integradas à rotina dos pacientes para reforçar a proteção contra os efeitos da radiação solar e promover a saúde geral, de maneira complementar ao uso de protetor solar.
| 1) Atividade física regular |
A prática regular de atividade física reduz o risco de câncer de pele, incluindo o melanoma, ao promover adaptações metabólicas que limitam a disponibilidade de nutrientes para células cancerígenas, dificultando seu crescimento e disseminação. Essas adaptações envolvem aumento da captação de glicose e da atividade mitocondrial em tecidos saudáveis, além da modulação de vias celulares que impactam diretamente a progressão tumoral. Ademais, o exercício fortalece a resposta imunológica e reduz a inflamação sistêmica, contribuindo para um ambiente menos favorável ao desenvolvimento de neoplasias cutâneas.
As diretrizes atuais recomendaram pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada por semana — como 30 minutos por dia, cinco vezes por semana — somados a dois dias de atividades de fortalecimento muscular.
| 2) Sulpementação |
A vitamina C estimula a síntese de colágeno e neutraliza radicais livres, atuando de forma sinérgica com a vitamina E, um antioxidante lipossolúvel que protege contra o estresse oxidativo, neutraliza radicais livres e inibe a colaginase. Além disso, a vitamina C regenera a vitamina E em sua forma ativa, potencializando seus efeitos protetores.
Estudos mostraram que a suplementação diária com 2 g de vitamina C e 1000 UI de vitamina E aumenta a dose mínima de eritema (MED) em 21% após uma semana e 41% após três meses, reduzindo a vermelhidão da pele e os danos cutâneos induzidos por raios ultravioletas (UV). Fontes alimentares ricas nesses nutrientes incluem frutas cítricas e vermelhas, pimentões, espinafre, oleaginosas, azeite de oliva e óleo de girassol.
Além disso, a nicotinamida (niacinamida) também é um composto promissor na fotoproteção sistêmica, atuando na preservação do ATP celular, na reparação do DNA e na modulação da imunossupressão induzida por radiação UV. A suplementação de 500 mg uma ou duas vezes ao dia por até 12 meses pode reduzir em até 23% os carcinomas basocelulares e espinocelulares e em 11% as ceratoses actínicas, especialmente em indivíduos de alto risco.
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Pesquisas Emergentes: “Proteção Solar Sensível ao Microbioma” Pesquisas indicaram que bactérias cutâneas positivas para urocanase, como Staphylococcus epidermidis, podem degradar o ácido cis-urocânico — molécula imunossupressora induzida por UVB — reduzindo seus efeitos na pele. Essa descoberta estabeleceu a microbiota cutânea como um modulador ativo da resposta imunológica à radiação UV, com potencial para melhorar a fototerapia e prevenir o câncer de pele. Estratégias futuras incluem o uso de probióticos, inibidores tópicos ou filtros solares enriquecidos com urocanase, embora ainda em fase experimental. |
| 3) Dieta mediterrânea |
Essa alimentação favorece a saúde dermatológica por ser rica em polifenóis, antioxidantes e ácidos graxos anti-inflamatórios, que ajudam a neutralizar os danos oxidativos induzidos pela radiação solar, reduzindo os danos foto-oxidativos e fortalecendo as defesas naturais da pele.
Alimentos que contribuem para esse efeito protetor incluem azeite de oliva, peixes, folhas verdes, tomates, leguminosas e bebidas ricas em antioxidantes, como chá e café. Pesquisas sugeriram que uma maior adesão à dieta mediterrânea está associada à redução do risco de melanoma e carcinoma basocelular, destacando seu potencial como uma abordagem complementar à proteção solar externa.
| 4) Carotenoides |
Compostos como betacaroteno, licopeno e astaxantina oferecem fotoproteção sistêmica ao neutralizar radicais livres, reduzir os danos induzidos por UV e promover a saúde da pele. O primeiro, precursor da vitamina A, demonstrou eficácia na prevenção do eritema solar e pode retardar o desenvolvimento de câncer de pele com doses de 10 a 30 mg/dia por 10 semanas, embora seu uso em fumantes exija cautela.
O licopeno, presente em tomates, melancia e pimentões vermelhos, possui ação antioxidante e, em estudo com 16 mg por 10 semanas, reduziu em 40% o eritema induzido por UVB.
A astaxantina, encontrada em salmão, camarão e microalgas, protege contra o UVA, preserva o colágeno e reduz a inflamação, com doses de 4 a 6 mg/dia associadas à melhora da elasticidade e redução do fotoenvelhecimento.
| 5) Polypodium leucotomos |
Essa samambaia tropical rica em polifenóis, oferece benefícios antioxidantes, anti-inflamatórios e imunomoduladores que ajudam a proteger contra os danos causados pela radiação UV. A suplementação oral (240–480 mg/dia) demonstrou reduzir o eritema, aumentar a dose mínima de eritema (MED) e atenuar alterações cutâneas como pigmentação, inflamação e danos ao DNA induzidos por UV.