| Introdução |
A radiação ultravioleta (UV) é o principal fator responsável pelo fotoenvelhecimento da pele e pelo desenvolvimento das queratoses actínicas (QAs), pois causa tanto danos diretos ao DNA quanto estresse oxidativo nas células da pele. Essas lesões podem evoluir para carcinoma espinocelular e geralmente aparecem em áreas com dano solar crônico, caracterizando o campo de cancerização cutâneo.
Nesse contexto, a fotoliase surge como uma opção terapêutica promissora por sua capacidade de reparar danos no DNA induzidos pela radiação UV. Além disso, antioxidantes como as vitaminas C e E ajudam a neutralizar radicais livres e reduzir o estresse oxidativo, podendo reduzir danos celulares induzidos pelo sol. Apesar de evidências sobre seu efeito fotoprotetor, ainda há poucos estudos sobre seu uso no tratamento das QAs, especialmente em combinação com a fotoliase.
Nesse contexto, o estudo de Alvares e colaboradores (2022) avaliou a eficácia do uso de protetor solar com fotoliase em comparação ao protetor convencional, isolado ou combinado com antioxidantes, no tratamento do fotodano avançado.
| Métodos |
O ensaio clínico randomizado teve duração de oito semanas e incluiu 40 participantes entre 60 e 90 anos com QAs nos antebraços. Os pacientes foram divididos para usar protetor solar comum ou protetor solar com fotoliase, ambos com FPS 99 e aplicados duas vezes ao dia. Além disso, cada antebraço recebeu, de forma randomizada e duplo-cega, creme com antioxidantes (15% de ácido L-ascórbico, 1% de alfa-tocoferol e 0,5% de ácido ferúlico) ou placebo, aplicado uma vez ao dia, formando quatro combinações de tratamento.
Os principais desfechos avaliados foram a eliminação completa das lesões, redução da gravidade das QAs e melhora do fotodano, medidos pela melhora na escala de fotoenvelhecimento do antebraço (FPS) e redução nas pontuações de gravidade de QAs (AKSS). Também foram analisados desfechos secundários, como redução do número de lesões, taxa de eliminação parcial (redução de 50% ou mais), efeitos adversos, tolerabilidade e aparecimento de tumores cutâneos não melanomas. As avaliações ocorreram no início e ao final do estudo, sendo realizadas por um pesquisador cego para o uso de antioxidantes ou placebo.
| Resultados |
Ao longo do acompanhamento, não foram observadas diferenças significativas entre o uso de protetor solar comum e o contendo fotoliase nos desfechos principais e secundários.
A eliminação total das QAs foi pouco frequente, ocorrendo em três antebraços tratados com antioxidante tópico e em um tratado com placebo, sem diferença estatística. Por outro lado, a eliminação parcial das lesões foi significativamente maior nos grupos tratados com antioxidantes tópicos em comparação ao placebo.
Observou-se também redução no número de lesões em todos os grupos ao longo do tempo, com melhora nas pontuações de fotoenvelhecimento (FPS) e de gravidade das lesões (AKSS), sem superioridade consistente entre as intervenções.
A análise do tamanho de efeito demonstrou maior benefício em alguns desfechos para a combinação de protetor solar com fotoliase e antioxidantes, especialmente na redução da gravidade das queratoses actínicas e no aumento da taxa de eliminação parcial das lesões.
Quanto à segurança, todos os tratamentos foram bem tolerados. Foram relatados poucos efeitos adversos leves, como prurido, sem ocorrência de reações graves. Durante o estudo, foram diagnosticados dois casos de câncer de pele, um carcinoma basocelular e um carcinoma espinocelular, em áreas tratadas com diferentes combinações, sem evidência de relação direta com os tratamentos.
| Conclusão |
O protetor solar contendo fotoliase não foi superior ao protetor solar comum nos desfechos estudados, após oito semanas. O uso da fórmula antioxidante tópica é seguro, tolerável e também demonstrou maior eficácia na redução da contagem de QAs em antebraços quando associada ao protetor solar comum ou protetor solar com fotoliase.