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Publicado el 7 de septiembre de 2026

Fatores comportamentais e psicológicos relacionados à acne em adultos

Estudo populacional com mais de 11 mil adultos chineses mostrou que o sedentarismo prolongado e o hábito de dormir tarde estiveram associados a maior risco e gravidade da acne, enquanto a prática regular de atividade física exerceu efeito protetor.

Autor/a: He, J. et al.

Fuente: J Eur Acad Dermatol Venereol. 2026; 40: 1258–1269. Association of lifestyles and mental health with adult acne: A population- based cross- sectional study

A acne é uma doença inflamatória crônica que afeta aproximadamente 9,4% da população mundial e exerce importante impacto estético e psicossocial. Evidências sugeriram que fatores relacionados ao estilo de vida podem influenciar seu desenvolvimento por meio de mecanismos inflamatórios. Além disso, ansiedade e depressão, frequentemente associadas tanto à acne quanto a hábitos de vida inadequados, podem atuar como mediadores desse processo.

Diante da escassez de estudos populacionais sobre o tema no sul da China, He e colaboradores (2026) realizaram uma análise transversal com o objetivo de avaliar a prevalência da acne e investigar a associação entre sedentarismo, atividade física, sono, saúde mental e a ocorrência da doença.

A pesquisa incluiu 11.922 adultos da cidade de Shenzhen, com idade média de 45,7 anos e proporção homem:mulher de 1:1,14. Os participantes responderam a questionários padronizados para coleta de informações sociodemográficas, hábitos de vida e saúde mental, além de serem submetidos à avaliação dermatológica para diagnóstico e classificação da gravidade da acne.

 A associação entre comportamento sedentário, atividade física, padrões de sono e acne foi investigada por meio de modelos de regressão logística ajustados para potenciais fatores de confusão. Também foram avaliadas a relação dose-resposta entre os fatores analisados e a ocorrência da doença, bem como o possível papel mediador dos sintomas de ansiedade e depressão nessas associações.

A prevalência geral de acne foi de 14,8%, sendo mais frequente em mulheres do que em homens (15,9% vs. 13,5%). A maioria dos casos foi classificada como leve (86,8%), e as maiores taxas foram observadas na faixa etária de 18 a 29 anos, com redução progressiva com o avanço da idade.

Após ajustes para potenciais fatores de confusão, a ocorrência de acne foi associada a idade mais jovem, sexo feminino, pertencimento a grupos étnicos minoritários, estado civil solteiro e maior nível educacional.

Entre os fatores relacionados ao estilo de vida, o sedentarismo prolongado (>8 horas por dia sentado) foi associado a um aumento de aproximadamente 20% no risco de acne e a maior gravidade das lesões, com elevação progressiva do risco quando o tempo sedentário ultrapassava 4 horas diárias. De forma semelhante, dormir após as 23 horas também foi associado a maior risco e gravidade da doença. Por outro lado, a prática regular de atividade física apresentou efeito protetor, reduzindo o risco de acne em 14%.

As análises de sensibilidade confirmaram a consistência dos achados em diferentes subgrupos populacionais. Além disso, análises de mediação demonstraram que sintomas de depressão e ansiedade mediaram parcialmente a associação entre sedentarismo e acne, bem como entre o hábito de dormir tarde e a doença.

Em conjunto, os achados de He e colaboradores (2026) reforçaram a influência de fatores comportamentais e psicológicos na acne adulta, destacando a importância de considerar aspectos relacionados ao estilo de vida e à saúde mental no manejo da doença. Nesse contexto, estratégias voltadas à promoção da atividade física, à redução do tempo sedentário, à melhora dos hábitos de sono e à identificação de sintomas de ansiedade e depressão podem contribuir para uma abordagem terapêutica mais abrangente desses pacientes.