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Publicado el 31 de diciembre de 2025

Síndrome metabólica

Existe associação entre resistência à insulina e hipertensão?

Estudo revelou forte associação entre Metabolic Score for Insulin Resistance (METS-IR) e hipertensão, destacando seu papel na avaliação do risco cardiovascular e na prevenção em pacientes com distúrbios metabólicos.

Introdução

A resistência à insulina (RI) é um estado em que a insulina perde sua eficácia nos tecidos periféricos, levando à hiperinsulinemia e à desregulação dos metabolismos glicídico e lipídico. Esse mecanismo está presente na síndrome metabólica e no diabetes mellitus, sendo reconhecido como um importante preditor de complicações cardiovasculares, como doença arterial coronariana, cardiomiopatia diabética e disfunção autonômica cardíaca.

Estudos demonstraram que tanto a síndrome metabólica quanto o Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance (HOMA-IR) são preditores independentes de doença cardiovascular, e a introdução do Metabolic Score for Insulin Resistance (METS-IR) tem aprimorado a capacidade de prever eventos cardiovasculares.

A hipertensão tem aumentado sua prevalência e está associada não apenas a fatores tradicionais, mas também a alterações metabólicas, como obesidade e RI. A hiperinsulinemia contribui para hipertensão por mecanismos que incluem rigidez vascular, maior estresse oxidativo proliferação de células musculares lisas. Nesse contexto, o METS-IR surge como ferramenta prática para estimar a ação da insulina sem dosagem de insulina, utilizando parâmetros simples como Índice de Massa Corporal (IMC), triglicerídeos, HDL-C e glicemia de jejum.

Pesquisas anteriores que investigaram essa relação concentraram-se principalmente em populações asiáticas. Por isso, Guo e colaboradores (2025) buscaram ampliar a compreensão entre METS-IR e hipertensão em diferentes populações, reforçando a importância de indicadores metabólicos na abordagem diagnóstica e terapêutica multidimensional.

Métodos

O estudo utilizou dados do NHANES (2007–2018), uma pesquisa nacional que avalia condições de saúde e nutrição nos Estados Unidos. Foram incluídos participantes com informações completas sobre hipertensão e variáveis necessárias para calcular o METS-IR (IMC, triglicerídeos, HDL-C e glicemia de jejum), divididos em quartis (Q1 a Q4) para análise comparativa.

A hipertensão foi definida pela média de três medidas de pressão arterial e pela confirmação de diagnóstico médico, considerando PAS ≥130 mmHg e/ou PAD ≥80 mmHg.

Foram avaliadas diversas covariáveis, incluindo sexo, idade, raça, escolaridade, perfil lipídico, creatinina, diabetes, DAC, AVC, tabagismo e consumo de álcool, obtidas por entrevistas domiciliares e exames laboratoriais conforme protocolos do NHANES.

Resultados

A análise incluiu 8.902 participantes, dos quais 1.846 eram hipertensos. A idade média foi de 45 anos, com predominância masculina de 52,1%. A pontuação média de METS-IR foi 42,4, sendo significativamente maior no grupo hipertenso. Indivíduos mais velhos, fumantes, com IMC elevado, triglicerídeos altos, glicemia aumentada, diabetes, DAC ou AVC apresentaram maior risco de hipertensão.

Cada aumento de 1 unidade no METS-IR esteve associado a um risco 3% maior de hipertensão. Além disso, indivíduos no quartil mais alto tiveram até 3,31 vezes mais chance de hipertensão em comparação ao nível mais baixo. A análise revelou que a relação se mostrou não linear, com aumento do risco até aproximadamente 65,13 e tendência à estabilização em níveis mais altos, indicando utilidade do índice para estimar risco na fase pré-clínica.

Conclusão

O estudo encontrou uma forte relação positiva entre hipertensão e METS-IR. Esses resultados destacaram a importância de monitorar e manejar os componentes do METS-IR, incluindo IMC, HDL-C, triglicerídeos e glicemia de jejum, para aprimorar a avaliação do risco de hipertensão e otimizar intervenções. Isso pode orientar estratégias precoces de mudança de estilo de vida, como modificações dietéticas e prática de atividade física, além de contribuir para o desenvolvimento de medidas preventivas em populações com distúrbios metabólicos e resistência à insulina, visando evitar a progressão da hipertensão.