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Publicado el 20 de agosto de 2026

Eventos adversos cutâneos

Eventos adversos cutâneos associados aos agonistas do receptor de GLP-1

Estudo baseado no banco de dados FDA Adverse Event Reporting System avaliou a frequência de reações dermatológicas associadas aos principais agonistas do receptor de GLP-1 e identificou diferenças relevantes entre os fármacos da classe.

Os agonistas do receptor de GLP-1 vêm ganhando espaço não apenas no tratamento do diabetes tipo 2, mas também em algumas condições dermatológicas, como psoríase e hidradenite supurativa. Apesar de eventos adversos gastrointestinais serem bem conhecidos, os possíveis efeitos cutâneos desses medicamentos permanecem pouco caracterizados e provavelmente subnotificados na prática clínica.

Com o rápido aumento do uso off-label desses fármacos, torna-se cada vez mais importante compreender seu perfil de segurança dermatológica. Reações como prurido, urticária, erupções cutâneas, angioedema e alopecia têm sido relatadas em alguns estudos, mas ainda há escassez de dados sobre sua frequência e relevância clínica.

Para preencher essa lacuna, Fat e colaboradores (2026) analisaram os dados do FDA Adverse Event Reporting System (FAERS) entre 2018 e 2024 para investigar a frequência desses eventos adversos cutâneos e comparar o perfil de segurança dermatológica dos principais agonistas do receptor de GLP-1, incluindo semaglutida, liraglutida, exenatida e dulaglutida.

As razões proporcionais de relato (PRRs) foram calculadas utilizando os inibidores da DPP-4 como grupo comparador, enquanto modelos de regressão logística avaliaram fatores associados à ocorrência desses eventos, considerando sexo, idade e o tipo de agonista do receptor de GLP-1.

Os resultados mostraram que os eventos adversos cutâneos foram incomuns, ocorrendo em até 8,16% dos relatos, sendo mais frequentes em mulheres com idade média de aproximadamente 60 anos e variando conforme o medicamento utilizado, com maior proporção de notificações associada à semaglutida e menor à dulaglutida.

Quando comparados aos inibidores de DPP-4, os agonistas do receptor de GLP-1 apresentaram, de forma geral, menor frequência proporcional de relatos de eventos adversos cutâneos. Entretanto, diferenças entre os fármacos foram identificadas, com a exenatida associada a um aumento da probabilidade de eventos cutâneos em comparação à dulaglutida, enquanto liraglutida e semaglutida demonstraram menores chances relativas.

Em resumo, os autores destacaram que, apesar de raros, esses efeitos adversos podem interferir na adesão ao tratamento e merecem atenção de dermatologistas, endocrinologistas e médicos da atenção primária. O estudo reforçou a importância da vigilância farmacológica e da orientação adequada aos pacientes, especialmente à medida que as indicações dos agonistas de GLP-1 continuam a se expandir.