| Introdução |
As lesões autoinfligidas geniturinárias constituem um desafio significativo para a saúde pública e a prática clínica, frequentemente relacionadas a condições psicológicas e psiquiátricas subjacentes, como transtornos de ansiedade, depressão e comportamentos compulsivos. Em um esforço para aprofundar a compreensão sobre as características epidemiológicas e as tendências dessas lesões, Hakam e colaboradores (2024) conduziram uma análise detalhada, trazendo informações essenciais desse tipo de injúria.
| Métodos |
Para esta análise, os autores realizaram uma pesquisa abrangente no banco de dados do National Trauma Databank abrangendo o período de 2017 a 2020. Inicialmente, as características dos casos de lesões autoinfligidas geniturinárias (SII GU) foram descritas com base no órgão afetado. Em seguida, foram comparadas entre homens e mulheres, permitindo uma avaliação detalhada das diferenças relacionadas ao sexo.
| Resultados |
Foi identificado um total de 56.463 pacientes com lesões autoinfligidas, dos quais 1.508 (2,7%) apresentaram envolvimento geniturinário. A maioria dos casos era composta por homens (77,3%) e indivíduos brancos (70,6%), com uma idade média de 35 anos (IQR 26–50). Os órgãos geniturinários mais frequentemente lesionados foram o rim (43,4%), seguido pelo escroto/testículos (22,5%) e o pênis (18,2%). A maioria das lesões (89,9%) envolvia um único órgão, enquanto 10,1% apresentaram em dois ou mais. Entre os casos de lesão renal, 73 pacientes (11,2%) foram submetidos à nefrectomia.
Apenas um paciente com lesão SII GU possuía um diagnóstico de transexualismo, enquanto a maioria (82,2%) apresentava condições preexistentes, sendo que 20,5% tinham três ou mais comorbidades. Mais da metade da população (54,9%) apresentava diagnóstico prévio de transtorno mental ou de personalidade. Co-lesões não geniturinárias estavam presentes na maioria dos casos (70,8%), afetando principalmente outros órgãos abdominais (44,3%) ou resultando em fraturas (41,3%).
Além disso, a taxa de sobrevivência foi alta, embora 15,4% dos pacientes tenham falecido. Entre os casos fatais, 94% apresentaram lesões concomitantes não GU, destacando a gravidade das lesões associadas.
| Conclusão |
Com base nesta ampla análise retrospectiva, Hakam e colaboradores (2024) identificaram que as lesões geniturinárias corresponderam a 2,6% de todos os casos de lesões autoinfligidas. Os pacientes afetados são predominantemente homens jovens, brancos, com diagnóstico prévio de transtornos mentais ou de personalidade. Por fim, constatou-se que os rins foram os órgãos geniturinários mais frequentemente lesionados, e a mortalidade foi significativamente maior em casos que envolveram lesões renais ou de bexiga associadas a trauma multiorgânico, especialmente quando outros órgãos não GU foram simultaneamente comprometidos.