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/ Publicado el 2 de enero de 2025

Dados de tendências

Epidemiologia das lesões autoinfligidas geniturinárias

Uma análise do banco de dados nacional de traumas

Introdução

As lesões autoinfligidas geniturinárias constituem um desafio significativo para a saúde pública e a prática clínica, frequentemente relacionadas a condições psicológicas e psiquiátricas subjacentes, como transtornos de ansiedade, depressão e comportamentos compulsivos. Em um esforço para aprofundar a compreensão sobre as características epidemiológicas e as tendências dessas lesões, Hakam e colaboradores (2024) conduziram uma análise detalhada, trazendo informações essenciais desse tipo de injúria.

Métodos

Para esta análise, os autores realizaram uma pesquisa abrangente no banco de dados do National Trauma Databank abrangendo o período de 2017 a 2020. Inicialmente, as características dos casos de lesões autoinfligidas geniturinárias (SII GU) foram descritas com base no órgão afetado. Em seguida, foram comparadas entre homens e mulheres, permitindo uma avaliação detalhada das diferenças relacionadas ao sexo.

Resultados

Foi identificado um total de 56.463 pacientes com lesões autoinfligidas, dos quais 1.508 (2,7%) apresentaram envolvimento geniturinário. A maioria dos casos era composta por homens (77,3%) e indivíduos brancos (70,6%), com uma idade média de 35 anos (IQR 26–50). Os órgãos geniturinários mais frequentemente lesionados foram o rim (43,4%), seguido pelo escroto/testículos (22,5%) e o pênis (18,2%). A maioria das lesões (89,9%) envolvia um único órgão, enquanto 10,1% apresentaram em dois ou mais. Entre os casos de lesão renal, 73 pacientes (11,2%) foram submetidos à nefrectomia.

Apenas um paciente com lesão SII GU possuía um diagnóstico de transexualismo, enquanto a maioria (82,2%) apresentava condições preexistentes, sendo que 20,5% tinham três ou mais comorbidades. Mais da metade da população (54,9%) apresentava diagnóstico prévio de transtorno mental ou de personalidade. Co-lesões não geniturinárias estavam presentes na maioria dos casos (70,8%), afetando principalmente outros órgãos abdominais (44,3%) ou resultando em fraturas (41,3%).

Além disso, a taxa de sobrevivência foi alta, embora 15,4% dos pacientes tenham falecido. Entre os casos fatais, 94% apresentaram lesões concomitantes não GU, destacando a gravidade das lesões associadas.

Conclusão

Com base nesta ampla análise retrospectiva, Hakam e colaboradores (2024) identificaram que as lesões geniturinárias corresponderam a 2,6% de todos os casos de lesões autoinfligidas. Os pacientes afetados são predominantemente homens jovens, brancos, com diagnóstico prévio de transtornos mentais ou de personalidade. Por fim, constatou-se que os rins foram os órgãos geniturinários mais frequentemente lesionados, e a mortalidade foi significativamente maior em casos que envolveram lesões renais ou de bexiga associadas a trauma multiorgânico, especialmente quando outros órgãos não GU foram simultaneamente comprometidos.