| Introdução |
A dermatite atópica (DA) é uma das doenças cutâneas crônicas e redicivantes mais prevalentes no mundo, com potencial para contribuir com sintomas debilitantes e redução significativa da qualidade de vida dos pacientes. Clinicamente, a DA é caracterizada por distúrbios na diferenciação epidérmica e pela redução da integridade da barreira cutânea.
Atualmente, o tratamento da DA baseia-se inicialmente na aplicação tópica de emolientes e agentes anti-inflamatórios. Contudo, essa abordagem apresenta eficácia limitada em pacientes com formas moderadas a graves da doença, frequentemente resultando em consequências psicológicas adversas. Além disso, estudos indicaram que fatores psicológicos podem exacerbar os sintomas cutâneos, destacando a relevância de intervenções psicológicas como parte de uma abordagem multidisciplinar no manejo da DA.
Entre as intervenções psicológicas, destaca-se a terapia comportamental, que utiliza princípios de aprendizagem e condicionamento para tratar transtornos comportamentais. Exemplos incluem a terapia de reversão de hábitos e a terapia cognitivo-comportamental, amplamente aplicadas no campo da dermatologia. Nesse contexto, Zhong e colaboradores (2024) conduziram uma metanálise para avaliar os efeitos de intervenções comportamentais isoladas no controle clínico da DA, trazendo novas perspectivas para o manejo multidisciplinar dessa condição.
| Métodos |
Nesta metanálise, os autores conduziram uma ampla pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, EMBASE e Cochrane Central, buscando ensaios controlados randomizados (ECRs) relevantes publicados até fevereiro de 2022. Para avaliar a heterogeneidade dos estudos incluídos, foram aplicadas as estatísticas Cochrane Q e I², proporcionando uma análise robusta da consistência entre as seleções.
| Resultados |
No total, foram incluídos seis ECRs abrangendo sete artigos, com um total de 246 participantes. Os resultados indicaram que as intervenções comportamentais reduziram significativamente a gravidade do eczema (coeficiente de correlação [r = −0,39]; p < 0,001) e a gravidade da escoriação (r = −0,19; p = 0,017). No entanto, não foi observada influência significativa na intensidade do prurido (r = −0,02; p = 0,840). Além disso, a análise de sensibilidade realizada posteriormente confirmou a robustez dos achados.
| Conclusão |
Com base nas evidências analisadas, esta metanálise demonstrou que as intervenções comportamentais podem ser eficazes na redução da gravidade do eczema e das escoriações em pacientes com dermatite atópica. Em particular, a terapia comportamental de reversão de hábitos mostrou-se uma abordagem promissora no manejo da DA. Por fim, os achados deste estudo abrem caminhos para pesquisas futuras que visem validar essas intervenções a partir de uma perspectiva clinicamente relevante, contribuindo para avanços no tratamento multidisciplinar da DA.