A dor crônica (DC), definida como dor que persiste por mais de três meses, é uma condição comum e debilitante que afeta cerca de 21% dos adultos. Ela está frequentemente associada a depressão e ansiedade, condições que impactam negativamente a qualidade e a expectativa de vida.
Estudos indicaram que 20% a 40% das pessoas com DC apresentam esses transtornos, mas as taxas de prevalência variaram amplamente. Além disso, há poucos tratamentos eficazes disponíveis, e indivíduos com comorbidades psicológicas frequentemente enfrentam barreiras no acesso ao cuidado especializado.
Por isso, Aaron e colaboradores (2025) avaliaram a frequência dos transtornos de ansiedade e depressão em adultos com DC, levando em consideração fatores como tipo de dor, localização geográfica, ambiente de recrutamento, idade, gênero e duração da dor. Além disso, compararam as taxas de prevalência entre pessoas com e sem a doença.
Para isso, eles fizeram uma revisão sistemática. Eles revisaram revisou artigos publicados entre 2013 e 2023 que avaliaram a prevalência de depressão e ansiedade em adultos com dor crônica (excluindo casos de cefaleia). Foram identificados 31.159 registros dos quais 5.177 textos completos foram analisados, culminando na inclusão de 376 estudos (415 amostras) que envolveram 347.468 adultos com dor crônica e 160.564 controles. Dois revisores independentes realizaram a seleção e extração dos dados, e modelos de efeitos aleatórios foram empregados para estimar a prevalência e identificar fatores como tipo de dor, local de recrutamento, idade, gênero e duração da condição. Os estudos reuniram dados de 50 países, com maior representatividade dos Estados Unidos. A idade média dos participantes foi de 51,3 anos, sendo 70% mulheres, e as condições mais frequentes foram dor crônica mista, fibromialgia, dor lombar crônica e artrite reumatoide.
Para sintomas clínicos de depressão a prevalência agrupada da DC foi de 39,3% enquanto de ansiedade, 40,2%, ambos apresentando alta heterogeneidade. Os resultados indicaram que essa prevalência foi maior em indivíduos com fibromialgia (54,0% para depressão e 55,5% para ansiedade) e em ambientes clínicos, e menor em condições como osteoartrite (29,1% e 17,5%, respectivamente). Nos grupos controle, observou-se prevalências de 13,9% para depressão e 16,4% para ansiedade, indicando uma associação moderada a significativa com a dor crônica. Quanto aos diagnósticos, 36,7% dos pacientes apresentaram transtorno depressivo maior e 16,7% para transtorno de ansiedade generalizada. Adicionalmente, prevalências menores foram observadas para o transtorno do pânico (7,5%), transtorno de ansiedade social (2,2%) e depressão persistente (6,3%). As análises também indicaram que os índices de sintomas foram mais elevados em amostras de adultos mais jovens, do sexo feminino e, no caso da ansiedade, com maior duração da dor.
Em resumo, Aaron e colaboradores (2025) demonstraram que cerca de 40% dos adultos com dor crônica apresentam sintomas clínicos significativos de depressão e ansiedade. Essa prevalência foi maior em pacientes mais jovens, do sexo feminino e em casos de dor nociplástica (como fibromialgia, síndrome da dor regional complexa e distúrbios temporomandibulares) do que em condições com maior envolvimento nociceptivo ou neuropático, como alguns tipos de artrite. Esses resultados ressaltaram a urgência de intervenções terapêuticas inovadoras. Além disso, é fundamental implementar triagens sistemáticas para identificar transtornos psiquiátricos em pacientes com DC e garantir acesso equitativo à saúde mental e à participação em ensaios clínicos, visando melhorar os desfechos clínicos desses pacientes.