A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, com o crescimento mais rápido em termos de prevalência e incapacidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, juntamente com a doença de Alzheimer, essa enfermidade será a segunda principal causa de morte global até 2040, superando o câncer.
Embora previsões abrangentes sejam essenciais para orientar intervenções e políticas públicas, até o momento apenas um estudo projetou o número global de pacientes com DP até 2040, sem estimar sua prevalência mundial. As variações temporais e regionais observadas reforçaram a necessidade de uma análise quantitativa global que incorpore status socioeconômico, idade e sexo. Nesse cenário, Su e colaboradores (2025) propuseram prever a prevalência global, regional e nacional da doença por esses fatores até 2050, além de quantificar os determinantes do aumento dos casos.
Para isso, os autores utilizaram os dados do Global Burden of Disease (GBD) 2021, por idade, sexo e ano em 195 países, para o período de 2022 a 2050. Evidências indicaram que o envelhecimento é o principal fator de risco – com a prevalência total crescendo mais rapidamente que a padronizada por idade – e que alterações nos estilos de vida, fatores ambientais e avanços socioeconômicos (avaliados pelo Índice Sociodemográfico (SDI)) também contribuíram para essa tendência.
Em 2050, o estudo estimou que 25,2 milhões de pessoas viverão com a DP, o que representa um aumento de 112% em relação a 2021. A prevalência total deverá atingir 267 casos por 100.000 habitantes, enquanto a padronizada por idade será de 216 por 100.000, com elevação média anual de 2,74% nos casos e 2,10% na prevalência geral.
Todas as 21 regiões do Global Burden of Disease apresentarão crescimento na prevalência, sendo o Leste Asiático o mais afetado, com 10,9 milhões de casos projetados. A relação entre o Índice Sociodemográfico e a prevalência mantém-se evidente: países de SDI médio-alto atingirão até 518 casos por 100.000 habitantes, enquanto os de menor registrarão os menores números absolutos, mas o maior crescimento percentual. A prevalência aumentará com a idade, atingindo pico entre 85 e 89 anos com 2.087 casos por 100.000 entre maiores de 80 anos, enquanto jovens de 20 a 40 anos, especialmente em países com SDI baixo e médio-baixo, apresentarão os maiores aumentos percentuais. Homens terão prevalência superior às mulheres, com relação homem/mulher passando de 1,46 em 2021 para 1,64 em 2050. Diferenças nos estilos de vida, na exposição a fatores ambientais, nos níveis hormonais e na prevalência de doenças metabólicas podem ser algum dos fatores para explicar essa maior suscetibilidade masculina.
A análise de decomposição indicou que o envelhecimento populacional contribuirá com 89% do aumento no número de casos, seguido pelo crescimento demográfico (20%) e mudanças na prevalência (3%). Regiões de baixo SDI terão impacto significativo do crescimento populacional, enquanto países de médio a alto mostrarão efeitos expressivos das mudanças na prevalência. Medidas modificáveis também influenciarão a progressão da doença: a prática regular de atividade física pode reduzir os casos em até 4,9% em 2050. Ademais, alterações na prevalência do tabagismo e a exposição a poluentes ambientais e pesticidas— mais comum entre os jovens do que nos idosos — podem modificar o desenvolvimento da doença. Assim, a implementação de medidas preventivas é essencial.
Por outro lado, o grupo de idosos (≥60 anos) deverá manter a maior prevalência e impulsionar o aumento dos casos, devido à maior expectativa de vida e ao envelhecimento populacional, exigindo aprimoramento dos serviços de saúde, suporte, intervenções terapêuticas e diretrizes específicas para seu manejo.
Em síntese, as projeções de Su e colaboradores (2025) indicaram que a prevalência global da doença de Parkinson continuará a crescer significativamente até 2050, sendo esse aumento mais acentuado entre os homens, no Leste Asiático e em países com Índice Socioeconômico Médio. O envelhecimento populacional se destaca como o principal fator para esse incremento, enquanto as diferentes tendências por faixas etárias, sexos e regiões ressaltaram a necessidade de estratégias preventivas customizadas para enfrentar as desigualdades estruturais. Tais projeções orientam o planejamento de medidas de controle e evidenciam a urgência de ações que atendam às crescentes demandas de saúde, destacando também o potencial das intervenções em saúde pública para modificar fatores de risco e proteger os pacientes. Dessa forma, é essencial que futuras pesquisas se concentrem no desenvolvimento de novas drogas, técnicas de engenharia genética e terapias de substituição celular, além de aprimorar as previsões por meio da incorporação de outros fatores de risco e da ampliação dos dados de regiões sub-representadas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com essa doença.