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Publicado el 25 de septiembre de 2026

Doenças Inflamatórias Intestinais crescem cinco vezes no Brasil em 13 anos

Novo estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Coloproctologia revelou avanço das doenças inflamatórias intestinais no Brasil e projetou aumento expressivo de casos nas próximas décadas.

A prevalência das doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou expressivamente no Brasil entre 2012 e 2025. Dados apresentados no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia mostraram que o número de casos passou de 30 para 158 por 100 mil habitantes no período, representando um crescimento de mais de cinco vezes.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), em colaboração com instituições brasileiras e internacionais, com base em registros do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além do aumento da prevalência, os pesquisadores observaram crescimento no número de novos diagnósticos anuais. A incidência passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025, indicando uma expansão contínua dessas enfermidades no país.

As doenças inflamatórias intestinais incluem principalmente a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições crônicas caracterizadas por inflamação do trato gastrointestinal decorrente de um desequilíbrio da resposta imunológica. Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, especialistas destacaram que a origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Entre os possíveis fatores relacionados ao crescimento dos casos estão mudanças no estilo de vida e nos padrões alimentares observadas nas últimas décadas. Estudos vêm apontando que o consumo crescente de alimentos ultraprocessados e de aditivos alimentares pode contribuir para alterações na microbiota intestinal e para o desenvolvimento de processos inflamatórios.

As projeções do estudo indicam que a incidência pode alcançar 22,7 novos casos por 100 mil habitantes até 2035. Caso essa tendência se confirme, a prevalência poderá atingir 264 casos por 100 mil habitantes, um aumento de aproximadamente 67% em relação aos números registrados em 2025.

Especialistas alertaram que o avanço das doenças inflamatórias intestinais representa um desafio crescente para os sistemas de saúde. Além de não possuírem cura definitiva, essas condições exigem acompanhamento contínuo e, em muitos casos, tratamento prolongado com terapias de alto custo.

Como o diagnóstico frequentemente ocorre em pacientes jovens, o impacto clínico, social e econômico tende a se estender por décadas, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento especializado e de estratégias voltadas à prevenção de fatores de risco modificáveis.