A variação sazonal ou climática é cada vez mais reconhecida como associada à incidência de várias condições abdominais agudas, porém seu papel na diverticulite ainda permanece incerto. Compreender tendências temporais pode fornecer insights sobre fatores de risco ambientais ou comportamentais modificáveis, além de orientar a preparação dos sistemas de saúde. Por isso, Cheng e colaboradores (2026) examinaram a presença, magnitude e direção da variação sazonal na incidência de diverticulite ou nas internações hospitalares em todo o mundo.
Para a revisão, foi realizada uma busca sistemática nas bases PubMed, Embase, Web of Science e Google Scholar, utilizando combinações dos termos diverticulitis, diverticular disease e seasonal variation. Foram incluídos estudos originais, revisados por pares, em humanos, que relatassem padrões temporais ou sazonais da diverticulite. Os dados extraídos incluíram desenho do estudo, região, tamanho da amostra, método analítico e picos e vales sazonais reportados. Devido à heterogeneidade, os achados foram sintetizados de forma qualitativa.
No total, oito estudos observacionais atenderam aos critérios de inclusão, totalizando 1.104.640 casos de diverticulite em quatro continentes entre 1997 e 2019. Destes, sete relataram uma queda no inverno, um pico no verão ou outono e uma amplitude típica entre pico e queda de 16% a 27%. Uma única série pequena relatou um pico no inverno. A análise multicêntrica demonstrou inversão de fase entre hemisférios, confirmando uma sazonalidade observável. Os mecanismos propostos incluíram desidratação, mudanças na dieta, modulação microbiana e imunológica e exposição à vitamina D. Nenhum estudo encontrou variação sazonal significativa na gravidade da doença.
Em suma, Cheng e colaboradores (2026) demonstraram que a diverticulite apresentou um padrão sazonal reprodutível, com maior incidência nos meses mais quentes e inversão consistente de fase entre hemisférios. Os achados sugeriram a presença de gatilhos ambientais ou comportamentais, em vez de variação aleatória. Estudos prospectivos futuros, que integrem exposições em nível individual, são necessários para esclarecer os mecanismos e identificar estratégias preventivas.