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/ Publicado el 25 de mayo de 2025

Gastroenterologia

Disfunção esofágica em distúrbios imunes e infecciosos

Atualizações da AGA e orientações para identificação e manejo

Autor/a: Reddy CA, McGowan E, Yadlapati R, Peterson K.

Fuente: Clin Gastroenterol Hepatol. N. 22, V. 12, Pg 378-2387, 2024. doi: 10.1016/j.cgh.2024.08.027. AGA Clinical Practice Update on Esophageal Dysfunction Due to Disordered Immunity and Infection: Expert Review

A disfunção esofágica é caracterizada por sintomas como dor torácica, azia, disfagia e odinofagia. Esses podem ser causados por condições imunológicas ou infecciosas e podem ser localizados no esôfago ou parte de um processo sistêmico maior. No entanto, devido à dificuldade do diagnóstico, essa condição pode ser negligenciada, levando a procedimentos desnecessários. Com o objetivo de ajudar aos profissionais de saúde a reconhecerem mais facilmente essas condições, a Associação Americana de Gastroenterologia (AGA) lançou uma atualização de prática clínica focada na disfunção esofágica causada por distúrbios imunes e infecciosos.

Orientações de boas práticas:

1.      Gastroenterologistas devem estar cientes das manifestações esofágicas de doenças imunológicas e infecciosas sistêmicas para reduzir atrasos no diagnóstico. Os clínicos devem identificar se há riscos de possibilidades inflamatórias ou infecciosas para os sintomas esofágicos de um paciente e investigar esses distúrbios como uma possível causa de disfunção esofágica.

2.      Uma vez identificada a infecção esofágica, os clínicos devem identificar se sinais/sintomas concomitantes sugerem imunodeficiência, levando a uma infecção mais sistêmica. A consulta com um especialista em doenças infecciosas ajudará a orientar o tratamento apropriado.

3.      Se os sintomas não melhorarem após a terapia para esofagite infecciosa, deve ser realizada uma avaliação para infecção refratária ou fontes subjacentes adicionais de disfunção esofágica e imunológica.

4.      Em indivíduos com esofagite eosinofílica (EoE) que continuam a apresentar sintomas de disfunção esofágica apesar da remissão histológica e endoscópica da doença, os clínicos devem estar cientes de que alguns pacientes podem desenvolver distúrbios de motilidade.

5.      Em indivíduos com características histológicas e endoscópicas de esofagite linfocítica, os médicos devem considerar o tratamento da inflamação relacionada a linfócitos com terapia com inibidores da bomba de prótons ou corticosteroides tópicos deglutidos e, conforme necessário, dilatação esofágica.

6.      Em pacientes que apresentam sintomas esofágicos no contexto de hipereosinofilia (contagem absoluta de eosinófilos [CAE] > 1500 células/µL), considere investigar doenças gastrointestinais (GI) eosinofílicas não-EoE, síndrome hipereosinofílica e granulomatose eosinofílica com poliangeíte (EGPA).  A consulta com um alergista/imunologista pode auxiliar na orientação dos exames diagnósticos e do tratamento.

7.      Em indivíduos com doenças reumatológicas como esclerose sistêmica (SSc), doença mista do tecido conjuntivo (MCTD), lúpus eritematoso sistêmico (LES) ou doença de Sjögren, os médicos devem estar cientes de que sintomas esofágicos podem ocorrer devido ao comprometimento da camada muscular esofágica, resultando em dismotilidade e/ou incompetência do esfíncter esofágico inferior.

8.      Em indivíduos com doença de Crohn, os médicos devem estar cientes de que uma minoria pode desenvolver comprometimento esofágico por alterações inflamatórias, estenosantes ou fistulizantes, com granulomas observados histologicamente. As manifestações esofágicas tendem a ocorrer naqueles com doença intestinal ativa.

9.      Em indivíduos com doenças dermatológicas como líquen plano ou distúrbios bolhosos, os médicos devem estar cientes de que a disfagia pode ocorrer devido ao comprometimento da mucosa esofágica visível endoscopicamente. O líquen plano esofágico, em particular, pode ocorrer sem comprometimento da pele e pode ser difícil de definir na histopatologia esofágica.

10. Os médicos devem considerar causas infecciosas e inflamatórias de acalasia secundária durante a avaliação inicial. Deve-se questionar sobre qualquer histórico de infecções recentes pela COVID-19, riscos de doença de Chagas e sintomas ou sinais de doença eosinofílica.