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Publicado el 2 de junio de 2025

Saúde gastrointestinal e alimentação

Dieta vegetariana: um escudo protetor contra o câncer gastrointestinal?

Análise indicou que a dieta vegetariana pode reduzir o risco de câncer gástrico e colorretal, com nuances por sexo e localização geográfica.

Autor/a: Bai, Tongtong et al.

Fuente: European journal of gastroenterology & hepatology V. 35, N. 11, 2023. Vegetarian diets and the risk of gastrointestinal cancers: a meta-analysis of observational studies

O câncer gastrointestinal está relacionado à fatores de risco modificáveis, como padrões alimentares, atividade física, tabagismo e consumo de álcool. A dieta desempenha um papel crucial na tumorigênese. Diversos estudos demonstraram que uma alta ingestão de alimentos vegetais e baixa de carne foram associados a um menor risco de malignidade. Inclusive, vegetais, frutas, cereais e legumes foram associados à efeitos preventivos. Contrariamente, uma alta ingestão de carnes vermelhas e processadas foi associada a um risco aumentado de tumorigênese gastrointestinal.

Embora essencial, a exploração baseada em evidências da associação entre dietas de alimentos puramente vegetais e o risco de vários tipos de cânceres gastrointestinais ainda é escassa. Por isso, Bai e colaboradores (2023) realizaram uma revisão sistemática com objetivo de resumir a correlação entre dietas vegetarianas e o risco de câncer gastrointestinal.

Para a revisão, os autores pesquisarem as bases de dados PubMed, Embase, Cochrane Library e Web of Science desde os seus inícios até agosto de 2022. O resultado primário foi a morbidade devido ao câncer gastrointestinal.

No total, oito estudos com 686.691 participantes foram incluídos. Os efeitos dos oito estudos foram agrupados usando um modelo de efeitos aleatórios, e os resultados mostraram que as dietas vegetarianas foram inversamente associadas ao risco de tumorigênese gastrointestinal em comparação com as dietas não vegetarianas.

Devido à heterogeneidade existente, uma análise de subgrupo foi realizada para identificar as fontes dessas diferenças. Essas podem ser baseadas no sexo do participante e as regiões geográficas. Quando os locais de câncer foram levados em consideração, a análise de subgrupo mostrou que as dietas vegetarianas foram negativamente correlacionadas com o risco de câncer gástrico em dois estudos e com o de câncer colorretal em seis, enquanto não foram associadas com o risco de câncer gastrointestinal superior (excluindo o estômago) em um estudo. Em relação ao sexo, as dietas vegetarianas foram negativamente correlacionadas com o risco de tumorigênese gastrointestinal em homens em um estudo, mas não em mulheres em duas análises. Em relação à diferentes regiões, o vegetarianismo foi negativamente correlacionado com o risco de tumorigênese gastrointestinal em populações norte-americanas e na população asiática, mas não em europeus.

A revisão sistemática e meta-análise de Bai et al., (2023) revelou que a adesão a dietas vegetarianas pode diminuir o risco de câncer gástrico e colorretal, mas não de cânceres gastrointestinais superiores (excluindo o estômago). Ademais, podem ser eficazes em homens e em populações norte-americanas e asiáticas. Os autores reconheceram limitações devido ao tamanho amostral pequeno e heterogeneidade entre os estudos incluídos, destacando a necessidade de mais pesquisas para confirmar esses achados e avaliar os efeitos de diferentes subtipos de dietas vegetarianas em diversas populações.