Pacientes com síndrome do intestino irritável (SII) frequentemente buscam orientações alimentares; entretanto, ainda existem poucas opções sustentadas por evidências científicas robustas. As principais diretrizes recomendam a orientação dietética tradicional (ODT) como terapia de primeira linha, enquanto a dieta pobre em oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (dieta FODMAP), considerada complexa e demandante de recursos, é indicada como segunda linha.
Evidências recentes sugeriram que a dieta mediterrânea (DM), amplamente reconhecida por seus benefícios à saúde geral, pode contribuir para a melhora dos sintomas da SII. Contudo, permanece incerto se essa abordagem pode ser considerada uma alternativa de primeira linha. Diante disso, Bamidele e colaboradores (2025) compararam a dieta mediterrânea com a orientação dietética tradicional no manejo dos sintomas da SII.
O estudo clínico randomizado avaliou 139 pessoas com SII provenientes de diferentes regiões do Reino Unido durante seis semanas de dieta mediterrânea (n = 68) ou orientação dietética tradicional (n = 71).
O desfecho primário foi a proporção de participantes que atingiram resposta clínica, definida como redução de 50 pontos ou mais na Escala de Gravidade dos Sintomas da Síndrome do Intestino Irritável (IBS-SSS). Os secundários incluíram mudanças nas pontuações do IBS-SSS, saúde psicológica, relato de sintomas somáticos, qualidade de vida, satisfação e adesão à dieta mediterrânea avaliada pelo Mediterranean Diet Adherence Screener (MEDAS).
As características basais (idade média de 40,4 anos; 80% mulheres) e as pontuações iniciais do IBS-SSS (média de 309) foram semelhantes entre os grupos. Na análise por intenção de tratar modificada, o desfecho primário foi alcançado por 62% dos participantes no grupo da dieta mediterrânea, em comparação com 42% no de orientação dietética tradicional. A diferença na resposta clínica favoreceu a dieta mediterrânea, demonstrando não inferioridade e superioridade.
Além disso, houve maior redução média do IBS-SSS no grupo da dieta mediterrânea em relação ao da orientação tradicional (−101,2 vs. −64,5). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto às mudanças no humor, sintomas somáticos, qualidade de vida ou satisfação com a dieta. Em relação a pontuação do MEDAS, houve um aumento significativamente após a dieta mediterrânea em comparação com a orientação tradicional.
Em suma, a dieta mediterrânea demonstrou não inferioridade e superioridade em relação à orientação dietética tradicional no manejo dos sintomas da SII, representando uma alternativa viável para essa condição.