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Publicado el 7 de mayo de 2026

Hipertensão

Carga global da hipertensão cresce e amplia desigualdades entre países

Meta-análise com dados de 119 países demonstrou um aumento da prevalência e maior impacto em nações de baixa e média renda

Autor/a: O'Connell SS, et al.

Fuente: J Am Coll Cardiol. 2026 Mar 12:S0735-1097(26)00295-0. doi: 10.1016/j.jacc.2025.12.091. Epub ahead of print. PMID: 41879582. Global Hypertension 2000 to 2020: Trends, Disparities, and Progress in Awareness, Treatment, and Control

A hipertensão é o principal fator de risco prevenível para morte prematura em todo o mundo. Estimativas precisas de prevalência e controle são fundamentais para o desenvolvimento de prioridades em saúde pública. Por isso, O’Connell e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de examinar as variações globais na prevalência, no diagnóstico, no tratamento e no controle da hipertensão por região econômica mundial, bem como comparar as mudanças seculares de 2000 a 2020.

Para isso, os autores realizaram uma busca sistemática no MEDLINE de janeiro de 1995 a novembro de 2024, complementada por buscas manuais nas referências dos artigos. Foram incluídos inquéritos transversais de base populacional que relataram a prevalência de hipertensão por idade e sexo e utilizaram métodos padronizados de medição da pressão arterial. As prevalências específicas por sexo e idade, por país, foram aplicadas às contagens populacionais para calcular o número de pessoas com hipertensão em nível regional e mundial. As porcentagens específicas por país de conhecimento, tratamento e controle foram aplicadas ao número de adultos com hipertensão para obter estimativas regionais e globais. A hipertensão foi definida como pressão arterial sistólica média ≥140 mmHg, pressão arterial diastólica ≥90 mmHg ou uso de medicação anti-hipertensiva.

Foram incluídos 287 estudos realizados com 6.060.567 adultos de 119 países. Em 2020, um terço dos adultos tinha hipertensão, totalizando 1,71 bilhão de pessoas. A prevalência foi menor nos países de alta renda, com 30,1%, em comparação com 33,4% nos países de baixa e média renda. Esses percentuais correspondem a aproximadamente 395 milhões e 1,32 bilhão de pessoas, respectivamente.

Entre 2000 e 2020, a prevalência padronizada por idade nos países de alta renda diminuiu 2,7%, enquanto a carga absoluta de indivíduos afetados aumentou em 76 milhões. No entanto, a conscientização sobre a condição aumentou (de 57,7% para 69,2%), assim como o tratamento (de 42,9% para 66,3%) e as taxas de controle (de 16,4% para 40,2%).

Nos países de baixa e média renda, tanto a prevalência quanto a carga da doença aumentaram, em 5,8% e em 651 milhões de pessoas, respectivamente, ao longo dessas duas décadas. Também foram observadas melhorias nesses países: na conscientização (de 29,1% para 46,1%), no tratamento (de 20,7% para 30,8%) e no controle (de 6,4% para 13,6%).

A maior prevalência padronizada por idade ao final do período do estudo, em 2020, foi encontrada na América Latina e no Caribe, onde a hipertensão afetava 38,1% dos homens e 37,5% das mulheres, e na África subsaariana, onde 37,6% dos homens e 40,6% das mulheres apresentavam a doença.

Em suma, houve um aumento na carga da hipertensão, assim como as desigualdades entre países de alta e de baixa e média renda. São necessários esforços urgentes para enfrentar a hipertensão em todo o mundo com objetivo de reduzir os desfechos negativos da doença, como morte, incapacidade e eventos cardiovasculares.