A hipertensão crônica ou gestacional afeta cerca de 7% das gestações, representando um grande desafio para a saúde materna e fetal. Atualmente, a literatura carece de dados de alta qualidade que orientem o momento ideal para o parto dessas mulheres. Dados observacionais sugeriram que o parto prematuro entre 37 e 38 semanas de gestação pode reduzir complicações maternas, como pré-eclâmpsia, aumento da taxa de cesáreas, natimortalidade e custos associados. Contudo, essa estratégia apresenta o potencial de aumentar a morbidade neonatal, evidenciando a necessidade de mais estudos para essa prática.
Diante desse cenário, o estudo WILL (When to Induce Labour to Limit Risk in Pregnancy Hypertension) buscou responder uma questão essencial: “Qual é o momento ideal para induzir o parto e limitar os riscos associados à hipertensão durante a gravidez?”. O principal objetivo do estudo foi determinar a melhor época para o parto em mulheres com hipertensão crônica ou gestacional que atingem a idade gestacional a termo, mantendo-se estáveis.
O estudo WILL foi um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, aberto, com dois braços de grupos paralelos, conduzido no Reino Unido. Participaram mulheres com hipertensão crônica ou gestacional entre 36 e 37 semanas de gestação, com um único feto. As participantes foram randomizadas em dois grupos: no grupo intervenção, foi planejado o parto prematuro entre 38 +0 e 38 +3 semanas; já o grupo controle recebeu os cuidados usuais no termo. Os desfechos primários avaliados incluíram o desfecho materno até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o parto (composto por hipertensão grave, morte ou morbidade), e a admissão na unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o nascimento. Além disso, a taxa de cesáreas foi considerada o principal desfecho secundário.
Entre 2019 e 2022, 403 participantes foram randomizadas, sendo 201 alocadas no grupo de intervenção e 202 no grupo controle. No grupo de intervenção, o parto ocorreu em média 0,9 semanas mais cedo, com uma mediana de 38,4 semanas (IC 95% 38,3–38,6), em comparação ao grupo controle, que apresentou uma mediana de 39,3 semanas (IC 95% 38,7–39,9). Não foi observada diferença significativa para o desfecho materno, com taxas de 13% no grupo intervenção e 12% no grupo controle (aRR 1,16; IC 95% 0,72–1,87).
Em relação à admissão em unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, a intervenção foi considerada não inferior ao controle, com 7% de ocorrência em ambos os grupos (aRD 0,003; IC 95% −0,05 a +0,06), respeitando a margem de não inferioridade pré-especificada de 8%. Da mesma forma, não houve diferença significativa na taxa de cesáreas, que foi de 29% no grupo intervenção e 36% no grupo controle (aRR 0,81; IC 95% 0,61–1,08). Por fim, não foram registrados eventos adversos graves durante o estudo.
Este estudo revelou que a maioria das mulheres com hipertensão crônica ou gestacional precisou de indução do parto, e o parto planejado entre 38 +0 e 38 +3 semanas resultou em uma antecipação média de 6 dias, sem diferenças significativas no desfecho materno ou morbidade neonatal. As descobertas de Magee e colaboradores (2024) ofereceram suporte à segurança e viabilidade do parto planejado nesse período como uma opção clínica válida para mulheres nessa condição.
Publicado el 10 de febrero de 2025
Ensaio randomizado
Determinação do momento ideal do parto para mulheres com hipertensão crônica ou gestacional
Uma investigação do momento adequado para o parto em gestantes que sofrem com hipertensão
Autor/a: Magee, L. et al. 2024
Fuente: PLOS Medicine Journal Determining optimal timing of birth for women with chronic or gestational hypertension at term: The WILL (When to Induce Labour to Limit risk in pregnancy hypertension) randomised trial
A hipertensão crônica ou gestacional afeta cerca de 7% das gestações, representando um grande desafio para a saúde materna e fetal. Atualmente, a literatura carece de dados de alta qualidade que orientem o momento ideal para o parto dessas mulheres. Dados observacionais sugeriram que o parto prematuro entre 37 e 38 semanas de gestação pode reduzir complicações maternas, como pré-eclâmpsia, aumento da taxa de cesáreas, natimortalidade e custos associados. Contudo, essa estratégia apresenta o potencial de aumentar a morbidade neonatal, evidenciando a necessidade de mais estudos para essa prática.
Diante desse cenário, o estudo WILL (When to Induce Labour to Limit Risk in Pregnancy Hypertension) buscou responder uma questão essencial: “Qual é o momento ideal para induzir o parto e limitar os riscos associados à hipertensão durante a gravidez?”. O principal objetivo do estudo foi determinar a melhor época para o parto em mulheres com hipertensão crônica ou gestacional que atingem a idade gestacional a termo, mantendo-se estáveis.
O estudo WILL foi um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, aberto, com dois braços de grupos paralelos, conduzido no Reino Unido. Participaram mulheres com hipertensão crônica ou gestacional entre 36 e 37 semanas de gestação, com um único feto. As participantes foram randomizadas em dois grupos: no grupo intervenção, foi planejado o parto prematuro entre 38 +0 e 38 +3 semanas; já o grupo controle recebeu os cuidados usuais no termo. Os desfechos primários avaliados incluíram o desfecho materno até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o parto (composto por hipertensão grave, morte ou morbidade), e a admissão na unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o nascimento. Além disso, a taxa de cesáreas foi considerada o principal desfecho secundário.
Entre 2019 e 2022, 403 participantes foram randomizadas, sendo 201 alocadas no grupo de intervenção e 202 no grupo controle. No grupo de intervenção, o parto ocorreu em média 0,9 semanas mais cedo, com uma mediana de 38,4 semanas (IC 95% 38,3–38,6), em comparação ao grupo controle, que apresentou uma mediana de 39,3 semanas (IC 95% 38,7–39,9). Não foi observada diferença significativa para o desfecho materno, com taxas de 13% no grupo intervenção e 12% no grupo controle (aRR 1,16; IC 95% 0,72–1,87).
Em relação à admissão em unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, a intervenção foi considerada não inferior ao controle, com 7% de ocorrência em ambos os grupos (aRD 0,003; IC 95% −0,05 a +0,06), respeitando a margem de não inferioridade pré-especificada de 8%. Da mesma forma, não houve diferença significativa na taxa de cesáreas, que foi de 29% no grupo intervenção e 36% no grupo controle (aRR 0,81; IC 95% 0,61–1,08). Por fim, não foram registrados eventos adversos graves durante o estudo.
Este estudo revelou que a maioria das mulheres com hipertensão crônica ou gestacional precisou de indução do parto, e o parto planejado entre 38 +0 e 38 +3 semanas resultou em uma antecipação média de 6 dias, sem diferenças significativas no desfecho
materno ou morbidade neonatal. As descobertas de Magee e colaboradores (2024) ofereceram suporte à segurança e viabilidade do parto planejado nesse período como uma opção clínica válida para mulheres nessa condição.