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Publicado el 10 de febrero de 2025

Ensaio randomizado

Determinação do momento ideal do parto para mulheres com hipertensão crônica ou gestacional

Uma investigação do momento adequado para o parto em gestantes que sofrem com hipertensão

Introdução

A hipertensão crônica ou gestacional afeta cerca de 7% das gestações, representando um grande desafio para a saúde materna e fetal. Atualmente, a literatura carece de dados de alta qualidade que orientem o momento ideal para o parto dessas mulheres. Dados observacionais sugeriram que o parto prematuro entre 37 e 38 semanas de gestação pode reduzir complicações maternas, como pré-eclâmpsia, aumento da taxa de cesáreas, natimortalidade e custos associados. Contudo, essa estratégia apresenta o potencial de aumentar a morbidade neonatal, evidenciando a necessidade de mais estudos para essa prática.

Diante desse cenário, o estudo WILL (When to Induce Labour to Limit Risk in Pregnancy Hypertension) buscou responder uma questão essencial: “Qual é o momento ideal para induzir o parto e limitar os riscos associados à hipertensão durante a gravidez?”. O principal objetivo do estudo foi determinar a melhor época para o parto em mulheres com hipertensão crônica ou gestacional que atingem a idade gestacional a termo, mantendo-se estáveis.

Métodos

O estudo WILL foi um ensaio clínico randomizado, multicêntrico, aberto, com dois braços de grupos paralelos, conduzido no Reino Unido. Participaram mulheres com hipertensão crônica ou gestacional entre 36 e 37 semanas de gestação, com um único feto. As participantes foram randomizadas em dois grupos: no grupo intervenção, foi planejado o parto prematuro entre 38 +0 e 38 +3 semanas; já o grupo controle recebeu os cuidados usuais no termo. Os desfechos primários avaliados incluíram o desfecho materno até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o parto (composto por hipertensão grave, morte ou morbidade), e a admissão na unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, até a alta hospitalar primária para casa ou 28 dias após o nascimento. Além disso, a taxa de cesáreas foi considerada o principal desfecho secundário.

Resultados

Entre 2019 e 2022, 403 participantes foram randomizadas, sendo 201 alocadas no grupo de intervenção e 202 no grupo controle. No grupo de intervenção, o parto ocorreu em média 0,9 semanas mais cedo, com uma mediana de 38,4 semanas (IC 95% 38,3–38,6), em comparação ao grupo controle, que apresentou uma mediana de 39,3 semanas (IC 95% 38,7–39,9). Não foi observada diferença significativa para o desfecho materno, com taxas de 13% no grupo intervenção e 12% no grupo controle (aRR 1,16; IC 95% 0,72–1,87).

Em relação à admissão em unidade de cuidados neonatais por ≥4 horas, a intervenção foi considerada não inferior ao controle, com 7% de ocorrência em ambos os grupos (aRD 0,003; IC 95% −0,05 a +0,06), respeitando a margem de não inferioridade pré-especificada de 8%. Da mesma forma, não houve diferença significativa na taxa de cesáreas, que foi de 29% no grupo intervenção e 36% no grupo controle (aRR 0,81; IC 95% 0,61–1,08). Por fim, não foram registrados eventos adversos graves durante o estudo.

Conclusão

Este estudo revelou que a maioria das mulheres com hipertensão crônica ou gestacional precisou de indução do parto, e o parto planejado entre 38 +0 e 38 +3 semanas resultou em uma antecipação média de 6 dias, sem diferenças significativas no desfecho materno ou morbidade neonatal. As descobertas de Magee e colaboradores (2024) ofereceram suporte à segurança e viabilidade do parto planejado nesse período como uma opção clínica válida para mulheres nessa condição.