| Curvatura peniana congênita |
A curvatura congênita é rara e resulta de um desenvolvimento desproporcional da túnica albugínea dos corpos cavernosos e não está associada a malformações uretrais. Na maioria dos casos, a curvatura é ventral, mas também pode ser lateral e, raramente, dorsal.
A coleta de histórico médico e sexual geralmente é suficiente para estabelecer o diagnóstico de curvatura peniana congênita. Os pacientes geralmente se apresentam após a puberdade, pois a curvatura se torna mais aparente. O exame físico durante a ereção (fotografia autônoma ou após injeção intracavernosa de medicamentos vasoativos) é útil para documentar a curvatura e excluir outras patologias.
O tratamento desse distúrbio é a correção cirúrgica, geralmente adiada até após a puberdade. Essa geralmente segue os mesmos princípios da doença de Peyronie. O procedimento de Nesbit, com excisão de uma elipse da túnica albugínea, é o padrão-ouro do tratamento. Técnicas de plicatura são amplamente utilizadas, incluindo as que produzem uma des-rotação dos corpos cavernosos. Uma nova modificação desta última técnica foi sugerida; a rotação corporal de Shaeer permite a correção da curvatura peniana congênita ventral, com mínima redução de calibre e encurtamento.
| Doença de Peyronie |
Os dados epidemiológicos sobre a doença de Peyronie (DP) foram limitados, no entanto, há uma maior prevalência em pacientes com disfunção erétil (DE), hipertensão, anormalidades lipídicas, cardiopatia isquêmica, diabetes, tabagismo e consumo excessivo de álcool. A faixa etária típica do paciente é de 55 a 60 anos.
A sua etiologia é desconhecida. No entanto, a lesão à túnica albugínea é a hipótese mais amplamente aceita. Uma resposta inflamatória prolongada resultará no remodelamento do tecido conjuntivo em uma placa fibrosa, que pode gerar uma curvatura que, se grave, pode impedir a relação sexual penetrativa.
No diagnóstico, o objetivo da avaliação inicial é fornecer informações sobre os sintomas apresentados e sua duração (dor erétil, nódulos palpáveis, curvatura, comprimento, rigidez e circunferência) e o status da função erétil. Deve-se obter informações sobre o desconforto provocado pelos sintomas e os potenciais fatores de risco para DE e DP.
O curso da doença é dividido em fase ativa e fase estável. A fase ativa da doença é o primeiro estágio, quando ocorre o processo de curvatura. Pacientes que ainda podem ter uma doença ativa são aqueles com curta duração dos sintomas, dor durante a ereção ou uma recente mudança na curvatura peniana. A resolução da dor e a estabilidade da curvatura por pelo menos três meses são critérios bem aceitos de estabilização da doença.
A história clínica do paciente com doença de Peyronie deve conter dados referentes ao tempo de aparecimento da doença, dor e sintomas associados, história sexual, percepção de encurtamento do pênis, além do impacto psicológico, emocional e na autoimagem corporal. História familiar de curvatura peniana, história de trauma durante ato sexual, manipulação uretral (cirurgias endoscópicas e estenose de uretra) e condições de saúde nas quais a doença de Peyronie torna-se mais comum devem ser pesquisadas.
A medição por ultrassom do tamanho da placa é imprecisa e não é recomendada na prática clínica diária. O ultrassom Doppler pode ser necessário para a avaliação dos parâmetros vasculares.
O tratamento conservador da DP é principalmente focado em pacientes na fase inicial da doença. Ademais, devem ser usados para pacientes que não estão aptos para a cirurgia ou quando o procedimento não é aceitável para o paciente. Várias opções foram sugeridas, incluindo farmacoterapia oral, terapia de injeção intralesional e outros tratamentos tópicos. O tratamento com ondas de choque de placas calcificadas e a injeção de colagenase clostridial (CCH) em pacientes com placas densamente fibróticas ou calcificadas também foram sugeridos.
| Tratamentos orais | Tratamentos intralesionais | Tratamentos tópicos |
| Vitamina E | Esteróides | Verapamil |
| Para-aminobenzoato de potássio | Colagenase de Clostridium | Ondas de choque extracórporeas |
| Tamoxifeno | Verapamil | Dispositivos de tração |
| Colchicina | Interferon | Iontoforese |
| Ésteres de acetil de carnitina | ||
| Pentoxifilina | ||
| Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 |
O tratamento com para-aminobenzoato de potássio resultou em uma redução significativa no tamanho da placa peniana e na dor, bem como na estabilização da curvatura peniana. O verapamil induziu uma diminuição significativa na curvatura peniana e no volume da placa. O tratamento intralesional com colagenase de Clostridium (CCH) mostrou diminuições significativas no ângulo de desvio, largura da placa e comprimento da placa. O interferon ajudou a melhorar a curvatura peniana, o tamanho e a densidade da placa, e a dor.
As ondas de choque extracorpóreas não devem ser utilizadas para melhorar a curvatura peniana e reduzir o tamanho da placa. Para reduzir a deformidade peniana e aumentar o comprimento peniano, deve-se utilizar dispositivos de tração peniana e dispositivos de vácuo. Os esteróides não devem ser usados para reduzir a curvatura peniana, o tamanho da placa ou a dor. A vitamina E e o tamoxifeno não devem ser usados para a redução significativa da curvatura peniana ou do tamanho da placa.
Embora o tratamento conservador da DP deva resolver as ereções dolorosas na maioria dos homens, apenas uma pequena porcentagem experimentará um endireitamento significativo do pênis. O objetivo da cirurgia é corrigir a curvatura e permitir uma relação sexual satisfatória.
Os potenciais objetivos e riscos da cirurgia devem ser discutidos com o paciente para que ele possa tomar uma decisão informada. Questões específicas que devem ser mencionadas incluem os riscos de encurtamento peniano, disfunção erétil, dormência peniana, risco de recidiva da curvatura, possibilidade de palpação de nós e pontos sob a pele e a possível necessidade de circuncisão no momento da cirurgia. Dois tipos principais de reparo podem ser considerados tanto para a curvatura peniana congênita quanto para a DP: procedimentos de encurtamento e de alongamento peniano.
Os procedimentos de encurtamento peniano incluem a ressecação em cunha de Nesbit e as técnicas de plicatura realizadas no lado convexo do pênis. Os de alongamento são realizados no lado côncavo do pênis e requerem o uso de um enxerto.
A seleção da intervenção cirúrgica mais apropriada é baseada na avaliação do comprimento peniano, na gravidade da curvatura e no status da função erétil. As expectativas dos pacientes também devem ser incluídas.
A implantação de prótese peniana é tipicamente reservada para o tratamento da DP em pacientes com DE, especialmente quando estes não respondem aos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PED5Is). Embora todos os tipos possam ser utilizados, a prótese peniana inflável parece ser a mais eficaz.