| Introdução |
O citomegalovírus (CMV) é um dos agentes etiológicos mais comuns de infecções congênitas e perinatais, sendo a segunda maior causa de acometimento viral em humanos. Estudos recentes demonstraram que uma dosagem de 8g/d de valaciclovir oral reduz substancialmente a taxa de transmissão vertical do CMV em mulheres com infecção primária adquirida periconcepcional ou durante o primeiro trimestre da gravidez. Nesse contexto, Chatzakis e colaboradores (2023) realizaram uma metanálise de dados de pacientes individuais para avaliar a eficácia e a segurança do tratamento com valaciclovir na prevenção secundária da infecção congênita por CMV.
| Métodos |
Para esta metanálise, foram incluídos ensaios clínicos randomizados e estudos quase randomizados que administraram 8 g/d de valaciclovir oral a mulheres grávidas com infecção primária por citomegalovírus adquirida periconcepcional ou durante o primeiro trimestre da gravidez.
Todos os autores correspondentes dos estudos elegíveis foram contatados. As ferramentas Cochrane Risk of Bias 2 e Risk Of Bias In Non-randomised Studies - of Interventions foram utilizadas para avaliar o risco de viés. O desfecho primário de interesse foi o resultado da amniocentese. Esta metanálise de dados individuais de pacientes em estágio único foi realizada utilizando um modelo linear generalizado misto, agrupado pelos diferentes ensaios. Além disso, foi realizada uma análise de subgrupo, avaliando separadamente o efeito do valaciclovir no período periconcepcional e no primeiro trimestre da gravidez.
| Resultados |
No geral, foram incluídos três estudos na análise (n=527 mulheres). O valaciclovir reduziu significativamente a taxa de transmissão vertical do citomegalovírus (razão de chances ajustada, 0,34; intervalo de confiança de 95%, 0,18-0,61). Esta redução foi observada tanto em infecções adquiridas no período periconcepcional (razão de chances ajustada, 0,34; intervalo de confiança de 95%, 0,12-0,96) quanto no primeiro trimestre da gravidez (razão de chances ajustada, 0,35; intervalo de confiança de 95%, 0,16-0,76). Além disso, o valaciclovir também reduziu a taxa de infecção neonatal (razão de chances ajustada, 0,30; intervalo de confiança de 95%, 0,19-0,47), tanto para infecções do período periconcepcional (razão de chances ajustada, 0,30; intervalo de confiança de 95%, 0,14-0,61) quanto do primeiro trimestre (razão de chances ajustada, 0,30; intervalo de confiança de 95%, 0,17-0,54).
Ademais, o valaciclovir reduziu a taxa de interrupção da gravidez devido a achados fetais graves associados ao citomegalovírus (razão de chances ajustada, 0,23; intervalo de confiança de 95%, 0,22-0,24). A idade gestacional no início do tratamento mostrou uma correlação positiva com todos os resultados. A prevalência geral de efeitos colaterais graves foi de 2,1%.
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Considerações finais Em conclusão, os autores constataram, por meio da metanálise de dados, que a dosagem de 8 g/d de valaciclovir oral reduziu significativamente as taxas de transmissão vertical do citomegalovírus em casos de infecção materna primária adquirida periconcepcional ou no primeiro trimestre da gravidez. Além disso, a incidência de efeitos colaterais graves foi baixa, reforçando a segurança do tratamento. |