Artículos

Publicado el 20 de noviembre de 2024

SARS-CoV-2

COVID-19 em crianças e adolescentes com distúrbios neuroimunológicos

Efeitos da doença na população pediátrica com distúrbios neuroimunológicos e em terapia imunossupressora

Autor/a: Lacerda, I. et al. (2023)

Fuente: Elsevier COVID-19 in children and adolescents with neuroimmunological disorders

A infecção causada pelo SARS-CoV-2, conhecida como COVID-19, continua a representar um desafio significativo para a saúde pública global no período pós-pandêmico. No caso da população pediátrica, o impacto foi expressivo, com aproximadamente 2.500 óbitos e 34 mil hospitalizações, resultando em uma taxa de letalidade de 7% entre as crianças internadas. Um dos aspectos mais graves associados à COVID-19 em crianças foi a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), descrita nos primeiros meses da pandemia. Esta condição está relacionada à infecção pelo SARS-CoV-2 e tem sido associada a complicações neurológicas.

Em uma coorte multinacional, manifestações neurológicas foram observadas em 40% das crianças hospitalizadas com COVID-19. Os sintomas relatados incluíram cefaleia, encefalopatia, convulsões, encefalite e acidente vascular cerebral. Além disso, outros estudos descreveram complicações adicionais, como distúrbios do sistema nervoso periférico, neuropatias cranianas, hipertensão intracraniana, edema cerebral agudo e distúrbios cerebelares.

Nesse contexto, Lacerda e colaboradores (2023) exploraram o impacto da COVID-19 em crianças e adolescentes com distúrbios neuroimunológicos que recebem terapia imunossupressora, discutindo também a segurança e a eficácia da imunização contra a COVID-19 nesse grupo específico.

COVID-19 em pacientes pediátricos com diagnóstico de distúrbios neuroimunológicos

Condições inflamatórias do sistema nervoso central e periférico podem ser desencadeadas por várias infecções em determinados pacientes, especialmente aqueles com distúrbios neuroimunológicos. Esse grupo é geralmente tratado com medicamentos imunossupressores, que podem comprometer a resposta imunológica celular ou humoral. A combinação desses fatores levou à classificação desses pacientes como mais vulneráveis durante a pandemia de COVID-19.

Estudos indicaram que tanto a resposta imunológica inata quanto a adaptativa desempenham papéis cruciais na inflamação e nos danos teciduais observados na infecção por SARS-CoV-2. Nesse contexto, a imunossupressão pode, em alguns casos, não agravar o quadro clínico da COVID-19. Até o momento, a literatura sugere que crianças em tratamento com imunossupressores apresentam manifestações e desfechos clínicos semelhantes aos de outras crianças.

Entretanto, há escassez de pesquisas focadas no impacto da COVID-19 em crianças com distúrbios neuroimunológicos. No maior estudo realizado até o momento, que incluiu 153 crianças com esse diagnóstico, 11% dos pacientes tiveram suspeita ou confirmação de COVID-19. Não foram observadas diferenças significativas na frequência ou gravidade da doença entre pacientes sob tratamento imunossupressor, incluindo aqueles que utilizavam rituximabe, e aqueles sem esse tipo de terapia. Os principais fatores de risco identificados foram o contato domiciliar com indivíduos infectados e baixos níveis séricos de vitamina D.

Vacinação COVID-19 e distúrbios neuroimunológicos

Apesar dos avanços na vacinação da população pediátrica, a imunização de crianças e adolescentes com distúrbios neuroimunológicos que recebem terapias imunossupressoras ainda carece de estudos robustos. Um dos principais desafios nessa área é que os medicamentos imunossupressores podem dificultar a análise da eficácia vacinal, interferindo nas respostas imunológicas, tanto humorais quanto celulares.

Diversos departamentos e comitês de neurologia e doenças imunológicas publicaram diretrizes sobre a vacinação, incluindo contra a COVID-19, em adultos com distúrbios desmielinizantes do Sistema Nervoso Central. As recomendações concluíram que as vacinas autorizadas contra a COVID-19 são seguras para pacientes imunossuprimidos, sem necessidade de ajuste nas terapias em curso.

Um estudo observacional envolvendo adultos com doenças neuroimunológicas raras reforçou a segurança e a boa tolerabilidade das vacinas contra a COVID-19 nesses pacientes. Os eventos adversos relatados foram semelhantes aos observados na população em geral, sendo menores em pacientes tratados com rituximabe em comparação com outros tratamentos.

Quanto à eficácia vacinal, as terapias imunossupressoras parecem impactar a imunogenicidade das vacinas. Embora as vacinas contra a COVID-19 reduzam significativamente a incidência de infecções sintomáticas em indivíduos sob tratamento imunossupressor, sua eficácia é menor do que na população geral.

Sociedades médicas e especialistas em doenças imunomediadas recomendaram enfaticamente a vacinação contra a COVID-19. No caso de crianças com distúrbios neuroimunológicos, é crucial alertar sobre a possível redução da eficácia vacinal devido ao uso de imunossupressores e reforçar a importância de manter medidas preventivas, como distanciamento social e higiene das mãos. Além disso, é fundamental incentivar a vacinação dos cuidadores e contatos domiciliares, como forma de proteger esses pacientes. Por fim, há uma necessidade urgente de mais estudos para compreender as manifestações clínicas e o impacto da COVID-19 na população pediátrica com doenças  neuroimunológicas.