O vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 (HTLV-1) está associado ao aumento da mortalidade por todas as causas e a doenças de alta morbidade e mortalidade, incluindo câncer de sangue e doenças neurológicas. Este vírus negligenciado pode ser transmitido verticalmente, principalmente por meio da amamentação.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou sua atenção para o HTLV-1 e a prevenção da transmissão vertical (MTCT) é uma das ações propostas nas Estratégias Globais do Setor de Saúde para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2022–2030. No entanto, a resposta global a este vírus ainda é incipiente e apenas o Japão e Santa Lúcia têm um programa nacional de triagem pré-natal para o HTLV-1.
O Brasil, um dos países com maior número de pessoas vivendo com HTLV-1, reconheceu o HTLV-1 como um problema de saúde pública. O Ministério da Saúde, em colaboração com as sociedades científica e civil, agiu. A prevenção da transmissão vertical do HTLV-1 é agora uma prioridade e a eliminação da transmissão vertical do HTLV-1 é a meta. De fato, este é um dos objetivos do Programa “Brasil Saudável—Unir para cuidar”, coordenado por um comitê interministerial que visa eliminar doenças que são determinadas socialmente. Esta iniciativa foi lançada recentemente, na presença do diretor da OMS, e visa promover a resposta a doenças que afetam desproporcionalmente populações socialmente desfavorecidas, promovendo uma abordagem integrada para enfrentar os problemas de saúde.
Em fevereiro de 2024, o comitê nacional de avaliação de tecnologia em saúde deliberou unanimemente a favor da implementação da triagem pré-natal universal do HTLV-1. Portanto, a triagem e os testes confirmatórios para o diagnóstico do HTLV-1 logo estarão disponíveis para todas as mulheres grávidas no sistema nacional de saúde, gratuitamente. O governo já fornece fórmula infantil de cortesia para mães que vivem com HTLV-1. Portanto, a triagem pré-natal, uma política de baixo custo, é um passo crucial em direção à meta de eliminação que estava faltando até agora. A notificação compulsória do HTLV-1 na gravidez começará após a publicação de uma portaria do Ministério da Saúde.
Há, é claro, vários desafios pela frente, particularmente em um país continental como o Brasil. Conhecimento limitado entre profissionais de saúde e a falta de orientação nacional, incluindo uma linha de cuidado, para mulheres diagnosticadas com HTLV-1 e bebês expostos são algumas das barreiras que precisarão ser superadas. Uma resposta colaborativa contínua, incluindo academia, representantes de pessoas vivendo com HTLV-1 e formuladores de políticas (em todos os níveis) será crucial para atingir essa meta ambiciosa, mas viável. Não obstante, esses desenvolvimentos recentes são transformadores e colocam o Brasil em uma boa posição na resposta a esse vírus. Esperançosamente, mais países seguirão.