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Publicado el 19 de octubre de 2026

Métodos contraceptivos

Contracepção permanente não cirúrgica: o que mostram os estudos com o FemBloc®?

Método de contracepção feminina permanente sem cirurgia apresentou taxa de gravidez de 0% após confirmação da oclusão tubária e perfil de segurança favorável em até cinco anos de acompanhamento.

Autor/a: Liu, J. et al.

Fuente: J Gynecol Reprod Med, 9(1), 01-12. FemBloc Non-Surgical Permanent Contraception for Occlusion of the Fallopian Tubes

Apesar dos avanços na contracepção, a gravidez não intencional continua sendo um importante desafio de saúde pública, reforçando a necessidade de métodos contraceptivos permanentes que sejam eficazes, seguros e acessíveis.

Atualmente, a esterilização cirúrgica feminina é uma das formas mais utilizadas de contracepção permanente, mas envolve procedimentos invasivos, necessidade de anestesia e riscos operatórios, além de não ser uma opção adequada para todas as pacientes. Alternativas histeroscópicas menos invasivas, como Essure® e Adiana®, foram retiradas do mercado devido a preocupações relacionadas à segurança e à eficácia, deixando uma lacuna na oferta de métodos permanentes não cirúrgicos.

Dados de vida real demonstraram taxas de gravidez de 5,57% após contracepção permanente laparoscópica e de 4,74% após procedimentos histeroscópicos, evidenciando limitações das estratégias atualmente disponíveis. Como eficácia, segurança e perfil de efeitos adversos estão entre os principais fatores que influenciam a escolha contraceptiva, muitas mulheres optam por métodos temporários ou reversíveis para evitar a esterilização cirúrgica.

Nesse contexto, a empresa de biotecnologia Femasys Inc. desenvolveu o FemBloc®, um método de contracepção permanente não cirúrgica, cujos resultados iniciais de segurança e eficácia foram avaliados por Liu e colaboradores (2026) em três estudos clínicos prospectivos e multicêntricos realizados nos Estados Unidos.

Ao todo, 229 mulheres entre 21 e 45 anos foram incluídas na análise. O procedimento foi realizado por via transcervical, sem incisões cirúrgicas, utilizando um dispositivo capaz de administrar simultaneamente um polímero sintético nas porções proximais de ambas as tubas uterinas. O material induz uma resposta inflamatória local e, após sua degradação, resulta na formação de tecido cicatricial responsável pela oclusão tubária bilateral permanente.

As participantes utilizaram um método contraceptivo temporário até a confirmação da oclusão, realizada aproximadamente três meses após o procedimento por meio de exame ultrassonográfico com contraste. O desfecho primário foi a ocorrência de gravidez após a confirmação da oclusão bilateral, enquanto os desfechos de segurança incluíram eventos adversos relacionados ao dispositivo ou ao procedimento, perfuração uterina e gravidez ectópica. As participantes foram acompanhadas por até cinco anos.

A taxa de sucesso do procedimento foi de 99,6%, e 90,8% das participantes realizaram o teste de confirmação da oclusão tubária. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade e qualidade do estudo, 51 mulheres com oclusão tubária bilateral confirmada foram incluídas na análise de eficácia. Nessa população, não houve registro de gravidez, resultando em uma taxa de 0%.

Em relação à segurança, não foram observados eventos adversos graves relacionados ao procedimento, nem casos de gravidez ectópica ou perfuração uterina durante os cinco anos de acompanhamento. Os eventos adversos mais frequentes foram sangramento vaginal discreto (58,5%), dor pélvica ou abdominal (37,1%) e cólicas uterinas ou abdominais (18,8%), geralmente transitórios e resolvidos em até três dias.

O tempo mediano da intervenção foi de 6 minutos e 43 segundos, enquanto o exame de confirmação teve duração mediana de 15 minutos, com baixa necessidade de analgesia adicional. A tolerabilidade foi considerada favorável, com pontuações médias de desconforto de 4,6 e 3,4 em uma escala de 0 a 10, respectivamente. Além disso, 96,1% das participantes relataram que recomendariam o método a amigos ou familiares, refletindo o elevado grau de satisfação observado ao longo do estudo.

Em síntese, os resultados sugeriram que o FemBloc® pode representar uma alternativa não cirúrgica promissora para contracepção permanente. Entre as participantes com oclusão tubária bilateral confirmada, não foram registradas gestações, e o método apresentou um perfil de segurança favorável durante até cinco anos de acompanhamento. Segundo os autores, a abordagem tem potencial para ampliar o acesso à contracepção permanente ao oferecer uma opção minimamente invasiva, com menos riscos e contraindicações quando comparada à esterilização cirúrgica tradicional.