Diferenças entre homens e mulheres na distribuição anatômica do melanoma já foram observadas, mas os padrões fenotípicos dos nevos entre os sexos ainda são pouco compreendidos. Estudos mostraram que homens tendem a apresentar mais nevos no tronco, enquanto mulheres concentram mais lesões nas extremidades, embora os resultados não sejam homogêneos na literatura.
Também já foi observado que tanto homens quanto mulheres apresentam maior densidade de nevos na região lateral dos braços, seguida pela parte posterior do tronco. Em relação ao tamanho dos nevos, indivíduos do sexo masculino apresentam maior número total de nevos de pequeno diâmetro, mas também mais nevos maiores nas costas.
A quantificação precisa desses marcadores de risco, como número total de nevos e tamanho individual das lesões, tem sido um desafio clínico, especialmente em pacientes de alto risco com muitos nevos, devido à variabilidade metodológica e às diferenças morfológicas entre indivíduos. Diante disso, tecnologias de imagem 3D de superfície corporal total surgiram como alternativa mais rápida, padronizada e reprodutível, permitindo analisar a distribuição e o fenótipo dos nevos com maior precisão.
Com esse recurso, o artigo de Polo‐Silveira e colaboradores (2025) investigou diferenças baseadas no sexo em relação à contagem, distribuição e tamanho dos nevos, considerando a área de superfície corporal em diferentes regiões anatômicas.
O estudo caso-controle incluiu 72 participantes (34 mulheres e 38 homens) com fenótipo de alto risco para melanoma (≥ 50 nevos e ≥ 1 nevo atípico). Entre eles, 34 eram casos com melanoma invasivo recente confirmado por patologia e 38 eram controles pareados por idade e sexo, sem histórico de melanoma. Todos foram submetidos à imagem 3D com o sistema Vectra WB360, que forneceu medidas automatizadas de localização anatômica, área de superfície corporal, contagem de nevos (> 2 mm) e maior diâmetro das lesões.
No total, 27.622 nevos foram analisados, com mediana de 315,5 lesões por participante. Homens apresentaram tendência a maior número de nevos e, de forma consistente, nevos de maior diâmetro em quase todas as regiões anatômicas, especialmente no dorso e no tronco anterior. O diâmetro médio foi significativamente maior nos homens do que nas mulheres (3,27 mm vs. 3,01mm), mesmo após ajuste pela área de superfície corporal. Na estratificação por tamanho, os homens tiveram menor proporção de nevos pequenos (2–3 mm) e maior proporção de nevos maiores que 5 mm. Embora as mulheres apresentassem maior densidade de lesões nas extremidades, essas diferenças não alcançaram significância estatística.
Em resumo, o estudo mostrou que as diferenças no diâmetro dos nevos entre homens e mulheres não se explicam pela área de superfície corporal, contrariando a ideia de que o tamanho do corpo poderia justificar diferenças no tamanho ou na quantidade de nevos. Em uma população de alto risco, os achados foram consistentes com literatura prévia que associa nevos maiores no dorso ao sexo masculino e sugeriram que esse padrão se estende para a maioria das regiões corporais, exceto cabeça e pescoço. Os autores também sugeriram que diferenças no crescimento dos nevos relacionadas ao dimorfismo sexual, especialmente durante a puberdade, podem contribuir para o padrão observado na idade adulta.