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/ Publicado el 9 de febrero de 2026

Neurodegeneração precoce

Biomarcadores sanguíneos e declínio cognitivo subjetivo

Estudo revelou como NfL, GFAP e ptau‑181 se associam a maior percepção de declínio cognitivo e podem indicar neurodegeneração precoce.

Autor/a: Márquez, F.et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2025;8(9):e2531038.

O declínio cognitivo subjetivo (SCD), caracterizado pela percepção individual de piora cognitiva na ausência de déficits detectáveis em testes objetivos, tem se consolidado como um possível marcador muito precoce na progressão da doença de Alzheimer (DA) e outras demências relacionadas. Estudos mostraram que o SCD pode anteceder o comprometimento cognitivo leve e refletir alterações neuropatológicas iniciais.

Nesse contexto, biomarcadores sanguíneos emergem como ferramentas de rastreio promissoras por serem pouco invasivos, acessíveis e facilmente aplicáveis à atenção primária. Entre eles destacam-se o Aβ42/40, relacionado à patologia amiloide; o ptau-181, associado à patologia tau; o neurofilamento de cadeia leve (NfL), marcador de neurodegeneração; e a proteína ácida fibrilar glial (GFAP), indicador de inflamação glial. Apesar de seu potencial, ainda há lacunas sobre como esses biomarcadores se relacionam ao SCD.

Diante disso, o estudo de Márquez e colaboradores (2025) investigou essas associações em uma ampla amostra de adultos hispânicos e/ou latinos, incluindo indivíduos com e sem comprometimento cognitivo. Os autores propuseram que níveis elevados de ptau-181, NfL e GFAP, bem como níveis reduzidos de Aβ42/40, estariam associados a maior intensidade de SCD, tanto global quanto em domínios específicos, como memória e função executiva.

O estudo transversal utilizou dados do Study of Latinos – Investigation of Neurocognitive Aging, com participantes de 50 a 86 anos. A coleta de dados ocorreu entre 2016 e 2018, e as análises foram conduzidas entre dezembro de 2024 e junho de 2025.

O SCD foi mensurado por meio da versão abreviada da Everyday Cognition Scale (ECog‑12), abrangendo pontuações globais, de função executiva e de memória, além de uma pergunta única sobre preocupações cognitivas.

A amostra incluiu mais de 5.700 adultos hispânicos e/ou latinos, com idade média de 63 anos. Participantes que relataram preocupações cognitivas diferiram em características sociodemográficas e de saúde, mas não em fatores cardiometabólicos como hipertensão ou dislipidemia.

Os escores da ECog‑12 mostraram forte correlação entre o escore global e os domínios de memória e função executiva.

Nos modelos totalmente ajustados, níveis mais elevados de NfL foram consistentemente associados a maior SCD em todos os domínios (global, executivo e memória). GFAP também se associou a maiores escores globais e de função executiva, enquanto ptau‑181 apresentou associação modesta e específica ao domínio de memória. O biomarcador Aβ42/40 não se associou ao SCD.

Preocupações cognitivas relatadas pelos participantes não se associaram diretamente aos biomarcadores, mas modificaram a relação entre NfL e SCD: entre participantes com tais preocupações, níveis mais altos de NfL mostraram associações mais fortes com pior autorrelato cognitivo. Resultados semelhantes foram observados mesmo em indivíduos cognitivamente não comprometidos.

Em resumo, o estudo mostrou que níveis plasmáticos mais elevados de NfL, GFAP e ptau‑181foram associados a maior SCD. As associações entre NfL e SCD foram mais fortes entre indivíduos com preocupações cognitivas, sugerindo que essas queixas podem refletir processos iniciais de neurodegeneração. Esses dados reforçaram o NfL como marcador útil em fases pré‑clínicas, antes do comprometimento cognitivo objetivo, e destacaram a importância de integrar biomarcadores e medidas de SCD para aprimorar a detecção precoce da DA em populações sub-representadas.