Diretrizes clínicas recomendam intervenções não farmacológicas como tratamento de primeira linha para insônia.1-4 No entanto, quando essas abordagens não estão disponíveis ou não produzem resposta adequada, a farmacoterapia de curta duração, de até quatro semanas, com hipnóticos, como o zolpidem, pode ser considerada.1-4
O zolpidem é um hipnótico rápido e de curta duração.5 Metanálises que compararam diferentes farmacoterapias usa das para tratar insônia demonstraram que o zolpidem 10 mg promove melhora significativa em múltiplos parâmetros objetivos de qualidade do sono.6-8 O tratamento por até um mês associa-se a desfechos favoráveis e boa tolerabilidade.9
O uso racional do zolpidem depende de avaliação criteriosa e seleção adequada dos pacientes.10,11 A boa prática de prescrição é orientada por quatro objetivos centrais: maximizar a efetividade, minimizar os riscos, reduzir os custos e respeitar as preferências do paciente.11,12
Maximizar a efetividade do tratamento exige a confirmação diagnóstica por meio de uma avaliação clínica abrangente (história detalhada do sono, diários de sono, análise do ambiente de dormir e avaliação de comorbidades).3,11
Para minimizar riscos, é essencial identificar populações que exigem maior cautela, como idosos, indivíduos com déficit cognitivo, histórico de transtorno por uso de substâncias e risco de quedas.13-18 Esses riscos são mais evidentes com o uso a longo prazo.14 Uma avaliação ainda mais cautelosa é recomendada em mulheres, população que parece apresentar maior suscetibilidade à prescrição inadequada de zolpidem.19 Esse aspecto é particularmente relevante à luz de diferenças farmacocinéticas que podem resultar em maiores concentrações plasmáticas do fármaco em mulheres.20
Os objetivos de minimização de custos e incorporação das preferências dos pacientes podem ser alcançados sem prejuízo dos desfechos clínicos. Um estudo multicêntrico avaliou uma estratégia de prescrição de zolpidem “conforme o necessário”, na qual se definiu um número máximo de doses (30 doses) ao longo de até três semanas. Observou-se melhora clínica significativa em 90% dos pacientes.21
Evidências recentes reportam taxas semelhantes de desenvolvimento de dependência entre benzodiazepínicos e drogas Z.22 Embora todas as drogas Z possam causar sintomas de retirada, esses sintomas podem ser mais frequentes com o uso crônico de zolpidem.23 Sintomas de retirada incluem insônia, ansiedade, euforia, irritabilidade, tremor, inquietação, dificuldades na fala, dor abdominal, hipertensão, convulsões tônico-clônicas, confusão e delirium.24-26 O uso crônico e contínuo de zolpidem é associado a maior incidência de efeitos adversos como amnésia e insônia.27 Outros efeitos adversos incluem desinibição comporta mental, transtorno alimentar relacionado ao sono, comportamentos noturnos complexos e parassonias.23 Taxas de efeitos adversos com desfecho fatal são maiores com zolpidem do que com outras drogas Z, inclusive com evidências de maior risco de comportamento suicida.26,28
A Academia Brasileira de Neurologia recomenda que, na desprescrição de zolpidem, seja realizada uma avaliação abrangente do estado mental, das comorbidades psiquiátricas, do sono e do grau de dependência farmacológica. O fármaco deve ser reduzido gradualmente, e recomenda-se a adição de intervenções não farmacológicas para auxiliar no processo de desprescrição, como a terapia cognitivo-comporta mental para insônia (TCC-I). A farmacoterapia adjuvante com fármacos como trazodona, quetiapina e ligantes α2δ é opcional.23 A figura 1 apresenta o algoritmo de desprescrição de zolpidem.
Diretrizes clínicas reforçam a TCC-I como tratamento de primeira linha para o manejo a longo prazo da insônia.1-4 A TCC-I demonstra eficácia superior à farmacoterapia.29 Embora a adição de zolpidem ao acompanhamento da TCC-I no tratamento agudo de insônia possa ser benéfica para alguns pacientes, os benefícios são maiores quando o zolpidem é descontinuado durante a fase de manutenção do tratamento.30
Revisões regulares, tomada de decisão compartilhada, educação contínua, monitoramento e intervenções em nível sistêmico são funda mentais para garantir prescrição segura e desprescrição oportuna.10,12,15,19,31 Programas educacionais, protocolos de desprescrição e estratégias centradas no paciente são essenciais para orientar o uso racional de zolpidem, reduzir riscos e otimizar desfechos.13,32

Figura 1. Desprescrição de Zolpidem. (Fonte: Adaptada de: Stelzer FG, et al. Arq Neuropsiquiatr. 2025;83(10):1-24.2)
| Referências bibliográficas: |
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15. Palagini L, Brugnoli R, Dell’Osso BM, Di Nicola M, Maina G, Martinotti G, et al. Clinical practice guidelines for switching or deprescribing hypnotic medications for chronic insomnia: results of European neuropsychopharmacology and sleep experts consensus group. Sleep Med. 2025;128:117-26.
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20. Yoon S, Jeong S, Jung E, Kim KS, Jeon I, Lee Y, et al. Effect of CYP3A4 metabolism on sex differences in the pharmacokinetics and pharmacodynamics of zolpidem. Sci Rep. 2021;11(1):19150.
21. Lévy P, Massuel MA, Gérard DA. As-needed prescription of zolpidem for insomnia in routine general practice. Clin Drug Investig. 2004;24(11):625-32.
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23. Stelzer FG, Bacelar A, Éckeli AL, Negrão AB, Almeida CMO, Franco CMR, et al. Z-drug abuse and dependence: clinical guideline of the Brazilian Academy of Neurology for diagnosis and management. Arq Neuropsiquiatr. 2025;83(10):1-24.
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26. Schifano F, Chiappini S, Corkery JM, Guirguis A. An insight into Z-drug abuse and dependence: an examination of reports to the European Medicines Agency database of suspected adverse drug reactions. Int J Neuropsychopharmacol. 2019;22(4):270-7.
27. Schuelter-Trevisol F, Cipriano Felippe F, Camargo B, Schuelter-Trevisol B, Raimundo LJ, Trevisol DJ. Incidence of adverse effects and misuse of zolpidem. J Pharm Technol. 2025;87551225251324856.
28. Khan H, Garg A, Yasmeen, Agarwal NB, Yadav DK, Ashif Khan M, et al. Zolpidem use and risk of suicide: a systematic review and meta-analysis. Psychiatry Res. 2022;316:114777.
29. Zhang Y, Ren R, Yang L, Zhang H, Shi Y, Shi J, et al. Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies, pharmacotherapies, and their combination for the treatment of adult insomnia: a systematic review and network meta-analysis. Sleep Med Rev. 2022;65:101687.
30. Streiner DL. Adding zolpidem to CBT produces limited benefits in persistent insomnia. Evid Based Ment Health. 2010;13(1):28.
31. Istvan M, Caillet P, Rousselet M, Guerlais M, Laforgue EJ, Gérardin M, et al. Change in the regulatory framework for zolpidem: what is the impact on the landscape of the prescription of sedative medications? The French national ZORRO study. Br J Clin Pharmacol. 2021;87(8):3310-9.
32. López-Sepúlveda R, García Lirola MÁ, Espínola García E, Martín Sances S, Anaya Ordóñez S, Jurado Martínez JM, et al. Effects of a primary care intervention to improve the quality of zolpidem prescriptions in elderly patients. Eur J Clin Pharmacol. 2017;73(4):455-61.


Bula do produto - Isoy®
Publicado el 30 de septiembre de 2026
Conteúdo patrocinado por FQM S.A.
Avaliação de perfil de pacientes para o uso racional de zolpidem 10 mg
Evidências clínicas sobre a segurança, a eficácia e o uso racional de zolpidem no tratamento da insônia.
Fuente: IntraMed Brasil
Diretrizes clínicas recomendam intervenções não farmacológicas como tratamento de primeira linha para insônia.1-4 No entanto, quando essas abordagens não estão disponíveis ou não produzem resposta adequada, a farmacoterapia de curta duração, de até quatro semanas, com hipnóticos, como o zolpidem, pode ser considerada.1-4
O zolpidem é um hipnótico rápido e de curta duração.5 Metanálises que compararam diferentes farmacoterapias usa das para tratar insônia demonstraram que o zolpidem 10 mg promove melhora significativa em múltiplos parâmetros objetivos de qualidade do sono.6-8 O tratamento por até um mês associa-se a desfechos favoráveis e boa tolerabilidade.9
O uso racional do zolpidem depende de avaliação criteriosa e seleção adequada dos pacientes.10,11 A boa prática de prescrição é orientada por quatro objetivos centrais: maximizar a efetividade, minimizar os riscos, reduzir os custos e respeitar as preferências do paciente.11,12
Maximizar a efetividade do tratamento exige a confirmação diagnóstica por meio de uma avaliação clínica abrangente (história detalhada do sono, diários de sono, análise do ambiente de dormir e avaliação de comorbidades).3,11
Para minimizar riscos, é essencial identificar populações que exigem maior cautela, como idosos, indivíduos com déficit cognitivo, histórico de transtorno por uso de substâncias e risco de quedas.13-18 Esses riscos são mais evidentes com o uso a longo prazo.14 Uma avaliação ainda mais cautelosa é recomendada em mulheres, população que parece apresentar maior suscetibilidade à prescrição inadequada de zolpidem.19 Esse aspecto é particularmente relevante à luz de diferenças farmacocinéticas que podem resultar em maiores concentrações plasmáticas do fármaco em mulheres.20
Os objetivos de minimização de custos e incorporação das preferências dos pacientes podem ser alcançados sem prejuízo dos desfechos clínicos. Um estudo multicêntrico avaliou uma estratégia de prescrição de zolpidem “conforme o necessário”, na qual se definiu um número máximo de doses (30 doses) ao longo de até três semanas. Observou-se melhora clínica significativa em 90% dos pacientes.21
Evidências recentes reportam taxas semelhantes de desenvolvimento de dependência entre benzodiazepínicos e drogas Z.22 Embora todas as drogas Z possam causar sintomas de retirada, esses sintomas podem ser mais frequentes com o uso crônico de zolpidem.23 Sintomas de retirada incluem insônia, ansiedade, euforia, irritabilidade, tremor, inquietação, dificuldades na fala, dor abdominal, hipertensão, convulsões tônico-clônicas, confusão e delirium.24-26 O uso crônico e contínuo de zolpidem é associado a maior incidência de efeitos adversos como amnésia e insônia.27 Outros efeitos adversos incluem desinibição comporta mental, transtorno alimentar relacionado ao sono, comportamentos noturnos complexos e parassonias.23 Taxas de efeitos adversos com desfecho fatal são maiores com zolpidem do que com outras drogas Z, inclusive com evidências de maior risco de comportamento suicida.26,28
A Academia Brasileira de Neurologia recomenda que, na desprescrição de zolpidem, seja realizada uma avaliação abrangente do estado mental, das comorbidades psiquiátricas, do sono e do grau de dependência farmacológica. O fármaco deve ser reduzido gradualmente, e recomenda-se a adição de intervenções não farmacológicas para auxiliar no processo de desprescrição, como a terapia cognitivo-comporta mental para insônia (TCC-I). A farmacoterapia adjuvante com fármacos como trazodona, quetiapina e ligantes α2δ é opcional.23 A figura 1 apresenta o algoritmo de desprescrição de zolpidem.
Diretrizes clínicas reforçam a TCC-I como tratamento de primeira linha para o manejo a longo prazo da insônia.1-4 A TCC-I demonstra eficácia superior à farmacoterapia.29 Embora a adição de zolpidem ao acompanhamento da TCC-I no tratamento agudo de insônia possa ser benéfica para alguns pacientes, os benefícios são maiores quando o zolpidem é descontinuado durante a fase de manutenção do tratamento.30
Revisões regulares, tomada de decisão compartilhada, educação contínua, monitoramento e intervenções em nível sistêmico são funda mentais para garantir prescrição segura e desprescrição oportuna.10,12,15,19,31 Programas educacionais, protocolos de desprescrição e estratégias centradas no paciente são essenciais para orientar o uso racional de zolpidem, reduzir riscos e otimizar desfechos.13,32
Figura 1. Desprescrição de Zolpidem. (Fonte: Adaptada de: Stelzer FG, et al. Arq Neuropsiquiatr. 2025;83(10):1-24.2)
1. Drager LF, Assis M, Bacelar AFR, Poyares DLR, Conway SG, Pires GN, et al. 2023 guidelines on the diagnosis and treatment of insomnia in adults – Brazilian Sleep Association. Sleep Sci. 2023;16(Suppl 2):507-49.
2. Department of Veterans Affairs; Department of Defense. The management of chronic insomnia disorder and obstructive sleep apnea: provider summary. Version 3.0. Washington (DC): VA/DoD; 2025.
3. Riemann D, Espie CA, Altena E, Arnardottir ES, Baglioni C, Bassetti CLA, et al. The European insomnia guideline: an update on the diagnosis and treatment of insomnia 2023. J Sleep Res. 2023;32(6):e14035.
4. Sateia MJ, Buysse DJ, Krystal AD, Neubauer DN, Heald JL. Clinical practice guideline for the pharmacologic treatment of chronic insomnia in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(2):307-49.
5. Edinoff AN, Wu N, Ghaffar YT, Prejean R, Gremillion R, Cogburn M, et al. Zolpidem: efficacy and side effects for insomnia. Health Psychol Res. 2021;9(1):24927.
6. Liu H, Wang Y, Li M, Liu X, Chen X, Zhu B, et al. Efficacy and safety of insomnia pharmacotherapies: convergent evidence from Bayesian network meta-regression and FAERS based disproportionality analysis. Sleep Med. 2025;136:106848.
7. Hasan F, Lee HC, Chen PY, Wang YH, Yuliana LT, Romadlon DS, et al. Comparative efficacy of hypnotics in young and middle-aged adults with insomnia: a systematic review and network meta-analysis. Sleep Breath. 2023;27(5):2021-30.
8. De Crescenzo F, D’Alò GL, Ostinelli EG, Ciabattini M, Di Franco V, Watanabe N, et al. Comparative effects of pharmacological interventions for the acute and long-term management of insomnia disorder in adults: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2022;400(10347):170-84.
9. Xiang T, Cai Y, Hong Z, Pan J. Efficacy and safety of zolpidem in the treatment of insomnia disorder for one month: a meta-analysis of a randomized controlled trial. Sleep Med. 2021;87:250-6.
10. McGee N, Proctor JL, Hart AM, Burman M. Reconsidering benzodiazepines and Z-drug prescriptions: responsible prescribing and deprescribing. J Nurse Pract. 2021;17(1):76-83.
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28. Khan H, Garg A, Yasmeen, Agarwal NB, Yadav DK, Ashif Khan M, et al. Zolpidem use and risk of suicide: a systematic review and meta-analysis. Psychiatry Res. 2022;316:114777.
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