Globalmente, foram relatados 968.350 novos casos e 659.853 óbitos por câncer gástrico em 2022. Nos EUA, foram estimados 30.300 novos casos e 10.780 óbitos em 2025. Esse tumor é mais frequente em homens, com idade média ao diagnóstico de 68 anos. Os sintomas mais frequentemente relatados são perda de peso e dor abdominal.
O tipo histológico mais comum do câncer gástrico, é o adenocarcinoma, que corresponde a mais de 90% dos casos de neoplasia maligna do estômago. Mundialmente, 85% dos casos surgem no corpo ou antro gástrico e 15% na região da cárdia. Na apresentação, aproximadamente 13% têm doença localizada (limitada ao estômago), 15% a 25% está com ela localmente avançada, definida como um tumor que se espalhou para os linfonodos regionais, e 35% a 65% têm doença metastática.
Apesar da etiologia ser desconhecida, há fatores hereditários e não hereditários claramente associados ao aparecimento e desenvolvimento do câncer gástrico. A infecção por Helicobacter pylori é um fator de risco tratável associado a 90% dos tumores. Outros fatores de risco modificáveis incluem tabagismo, álcool, obesidade e ingestão de sal.
O diagnóstico é feito geralmente a partir de uma queixa clínica relacionada a sintomas do trato digestivo alto (plenitude gástrica, sangramento digestivo, náusea e vômito) ou a sintomas constitucionais (perda de peso, anorexia e astenia). A anamnese e o exame físico nortearão a investigação diagnóstica subsequente. É importante observar que o seu diagnóstico clínico é difícil, porque não há sintomas patognomônicos. Além disso, a doença pode ser assintomática, inclusive na sua fase mais avançada.
Quando há suspeita, o paciente deve ser submetido à endoscopia digestiva alta, na qual será realizada uma biópsia das lesões suspeitas e se descreverá a localização e aspecto das lesões (em cárdia, fundo, corpo, antro e piloro) e o grau de disseminação no órgão.
Em países com alta incidência, como Japão e Coreia, o rastreamento endoscópico de rotina a partir dos 40 anos foi associado a uma melhor sobrevida.
Pacientes com câncer gástrico localizado são tratados com ressecção cirúrgica e têm uma taxa de sobrevida relativa de 5 anos de 75% com o tratamento. Pacientes em estágio mais avançado devem receber gastrectomia, quimioterapia perioperatória com 5-fluorouracil, oxaliplatina e docetaxel, e imunoterapia (durvalumabe). A doença metastática ou irressecável pode ser tratada com quimioterapia, imunoterapia e/ou terapia-alvo, dependendo de biomarcadores, incluindo o ligante de morte celular programada 1 (PD-L1), o receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (ERBB2; anteriormente HER2) e a claudina-18, isoforma 2 (CLDN18.2). Para o câncer gástrico que expressa PD-L1, a adição de inibidores de checkpoint imunológico, como nivolumabe e pembrolizumabe, foi associada a um aumento de 3 meses na sobrevida em comparação com a quimioterapia isolada. Para cânceres gástricos que superexpressam as proteínas ERBB2 ou CLDN18.2, a adição de trastuzumabe ou zolbetuximabe, respectivamente, está associada a um aumento de 3 a 4 meses na sobrevida.
O cuidado de suporte precoce, com foco no controle dos sintomas e no suporte nutricional e psicossocial, foi associado a um benefício de 3 meses na sobrevida.