| Introdução |
O crescimento dos jogos de azar online tem aumentado significativamente o número de indivíduos vulneráveis ao Transtorno do Jogo (TJ), uma condição reconhecida como um vício comportamental. Essa é caracterizada pela perda de controle, prioridade excessiva ao jogo e continuidade da prática, mesmo diante de consequências negativas.
Estima-se que a prevalência do TJ varie entre 0,4% e 0,6% da população adulta mundial, sendo um transtorno com impactos profundos na saúde mental e na qualidade de vida. Pessoas afetadas frequentemente enfrentam dificuldades financeiras, rompimentos de relacionamentos, perda de emprego, sofrimento emocional intenso, problemas legais e declínio da saúde mental. Além disso, o transtorno está associado a um risco elevado de ideação e comportamento suicida.
Nesse contexto, Kristensen e colaboradores (2025) buscaram expandir pesquisas anteriores ao investigar o risco de mortalidade por suicídio entre residentes noruegueses diagnosticados com TJ. O estudo também comparou esse risco com outros grupos de pacientes, fornecendo insights valiosos sobre os impactos do transtorno na saúde pública.
| Métodos |
Eles realizaram um estudo de coorte, baseado em registros nacionais da Noruega, utilizou dados agregados e vinculados em nível individual para fornecer uma análise abrangente sobre a relação entre o TJ e o risco de suicídio. A amostra incluiu todos os pacientes diagnosticados com o transtorno na Noruega (n = 6.899) entre 2008 e 2021. Para avaliar o risco de suicídio nessa população, foram estimadas taxas de mortalidade padronizadas, permitindo a comparação com a população geral do país. Além disso, modelos de regressão de Cox foram aplicados para calcular as taxas de risco (hazard ratios), comparando indivíduos com TJ a 12 grupos de pacientes tratados para outras condições médicas (n = 391.897).
| Resultados |
Os resultados da análise demonstraram que o suicídio foi a principal causa de morte entre pacientes com TJ, representando 25% dos óbitos registrados. Além disso, esses indivíduos apresentaram um risco significativamente maior de suicídio em comparação com a população geral (razão de mortalidade padronizada = 5,12; IC 95% [3,71–7,06]). O risco também foi superior ao observado em 5 dos 12 grupos de pacientes com outras condições clínicas.
Por outro lado, não houve diferença estatisticamente significativa no risco de suicídio entre pacientes com TJ e aqueles diagnosticados com transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade ou depressão. No entanto, o risco de suicídio foi menor entre indivíduos com TJ quando comparados a pacientes com transtornos por uso de substâncias, dependência de álcool, transtornos psicóticos e transtornos de humor.
| Conclusão |
O estudo de Kristensen e colaboradores (2025) confirmou achados de pesquisas anteriores ao demonstrar que o suicídio é a principal causa de morte entre pacientes com TJ. Os resultados reforçaram a associação significativa entre o transtorno e o aumento do risco de mortalidade por suicídio, quando comparado à população geral.
Esses achados destacaram a necessidade de reconhecer o TJ como uma séria preocupação em saúde mental e saúde pública, justificando sua inclusão em estratégias de prevenção ao suicídio e abordagens terapêuticas integradas. Por fim, os autores enfatizaram a importância de estudos futuros para investigar o impacto das comorbidades psiquiátricas, fatores sociais e mecanismos causais que influenciam a relação entre TJ e mortalidade por suicídio, permitindo o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e direcionadas.