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/ Published on February 25, 2025

Estudo de coorte

Associação entre transtorno de jogo e mortalidade por suicídio

Vício comportamental capaz de trazer riscos à saúde mental

Introdução

O crescimento dos jogos de azar online tem aumentado significativamente o número de indivíduos vulneráveis ao Transtorno do Jogo (TJ), uma condição reconhecida como um vício comportamental. Essa é caracterizada pela perda de controle, prioridade excessiva ao jogo e continuidade da prática, mesmo diante de consequências negativas.

Estima-se que a prevalência do TJ varie entre 0,4% e 0,6% da população adulta mundial, sendo um transtorno com impactos profundos na saúde mental e na qualidade de vida. Pessoas afetadas frequentemente enfrentam dificuldades financeiras, rompimentos de relacionamentos, perda de emprego, sofrimento emocional intenso, problemas legais e declínio da saúde mental. Além disso, o transtorno está associado a um risco elevado de ideação e comportamento suicida.

Nesse contexto, Kristensen e colaboradores (2025) buscaram expandir pesquisas anteriores ao investigar o risco de mortalidade por suicídio entre residentes noruegueses diagnosticados com TJ. O estudo também comparou esse risco com outros grupos de pacientes, fornecendo insights valiosos sobre os impactos do transtorno na saúde pública.

Métodos

Eles realizaram um estudo de coorte, baseado em registros nacionais da Noruega, utilizou dados agregados e vinculados em nível individual para fornecer uma análise abrangente sobre a relação entre o TJ e o risco de suicídio. A amostra incluiu todos os pacientes diagnosticados com o transtorno na Noruega (n = 6.899) entre 2008 e 2021. Para avaliar o risco de suicídio nessa população, foram estimadas taxas de mortalidade padronizadas, permitindo a comparação com a população geral do país. Além disso, modelos de regressão de Cox foram aplicados para calcular as taxas de risco (hazard ratios), comparando indivíduos com TJ a 12 grupos de pacientes tratados para outras condições médicas (n = 391.897).

Resultados

Os resultados da análise demonstraram que o suicídio foi a principal causa de morte entre pacientes com TJ, representando 25% dos óbitos registrados. Além disso, esses indivíduos apresentaram um risco significativamente maior de suicídio em comparação com a população geral (razão de mortalidade padronizada = 5,12; IC 95% [3,71–7,06]). O risco também foi superior ao observado em 5 dos 12 grupos de pacientes com outras condições clínicas.

Por outro lado, não houve diferença estatisticamente significativa no risco de suicídio entre pacientes com TJ e aqueles diagnosticados com transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade ou depressão. No entanto, o risco de suicídio foi menor entre indivíduos com TJ quando comparados a pacientes com transtornos por uso de substâncias, dependência de álcool, transtornos psicóticos e transtornos de humor.

Conclusão

O estudo de Kristensen e colaboradores (2025) confirmou achados de pesquisas anteriores ao demonstrar que o suicídio é a principal causa de morte entre pacientes com TJ. Os resultados reforçaram a associação significativa entre o transtorno e o aumento do risco de mortalidade por suicídio, quando comparado à população geral.

Esses achados destacaram a necessidade de reconhecer o TJ como uma séria preocupação em saúde mental e saúde pública, justificando sua inclusão em estratégias de prevenção ao suicídio e abordagens terapêuticas integradas. Por fim, os autores enfatizaram a importância de estudos futuros para investigar o impacto das comorbidades psiquiátricas, fatores sociais e mecanismos causais que influenciam a relação entre TJ e mortalidade por suicídio, permitindo o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e direcionadas.